ApexBrasil Propõe Nova Base Para As Relações Económicas Com Moçambique

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  • ApexBrasil defende uma nova relação económica com Moçambique, baseada na capacidade produtiva local, desenvolvimento de fornecedores, transferência de tecnologia e integração de empresas nacionais em projectos de investimento
Questões-Chave:
  • Missão brasileira à FACIM integrou mais de 30 empresários dos sectores da saúde, tecnologias de informação, logística portuária, agricultura e agro-indústria;
  • ApexBrasil pretende ultrapassar uma relação concentrada na exportação de produtos e apoiar a criação de capacidade produtiva em Moçambique;
  • Empresas brasileiras procuram parceiros, cooperativas e projectos com potencial para gerar negócios sustentáveis;
  • Apenas 64 empresas brasileiras exportaram produtos para Moçambique em 2025, indicando margem para diversificar o intercâmbio comercial;
  • Minerais críticos estão entre as áreas consideradas estratégicas para uma nova fase da cooperação económica bilateral.

O Brasil pretende transformar a proximidade política e os 50 anos de relações diplomáticas com Moçambique numa parceria económica de maior escala, orientada para o investimento produtivo, transferência de tecnologia e estabelecimento de ligações entre empresas dos dois países.

O presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos, Laudemir Müller, afirmou que estão criadas as condições políticas para uma nova geração de parcerias económicas entre Moçambique e o Brasil.

A posição foi apresentada durante o Encontro Empresarial Brasil–Moçambique, realizado no âmbito da 61.ª edição da Feira Internacional de Maputo, que reuniu dirigentes empresariais, instituições públicas e representantes dos sectores privado e diplomático dos dois países.

A delegação brasileira integrou mais de 30 líderes empresariais, representando empresas e startups ligadas à saúde, tecnologias de informação, logística portuária, agricultura e agro-indústria.

Visita Presidencial Abriu Novo Ciclo

Laudemir Müller considerou que a visita do Presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, a Moçambique, em Novembro de 2025, constituiu um marco no relançamento das relações bilaterais e criou um ambiente favorável ao aprofundamento da cooperação económica.

A visita permitiu recolocar Moçambique na agenda empresarial brasileira e conferir maior expressão económica a uma relação historicamente sustentada por afinidades políticas, culturais e diplomáticas.

O desafio colocado às instituições dos dois países consiste agora em traduzir esta aproximação em maior volume de comércio, investimento directo, projectos conjuntos e participação efectiva das empresas moçambicanas.

Embora as relações diplomáticas tenham completado cinco décadas, a presença empresarial e os fluxos de comércio continuam abaixo do potencial associado à dimensão da economia brasileira e às necessidades de industrialização, infra-estruturas e desenvolvimento produtivo de Moçambique.

Relação Deve Ultrapassar A Exportação De Produtos

A ApexBrasil defendeu que a expansão das relações económicas não deve limitar-se à venda de produtos brasileiros no mercado moçambicano.

“Em vez de uma relação baseada apenas na exportação de produtos, queremos construir capacidade de produção local, desenvolver fornecedores e integrar tecnologia e conhecimento técnico no sector empresarial moçambicano”, afirmou Laudemir Müller.

Esta orientação abre espaço para modelos de cooperação baseados em unidades de produção local, formação de quadros, assistência técnica, fornecimento de equipamentos, desenvolvimento de pequenas e médias empresas e estabelecimento de parcerias entre operadores dos dois países.

A criação de capacidade produtiva em Moçambique pode igualmente reduzir a dependência de importações, estimular a substituição competitiva de produtos adquiridos no exterior e aumentar a disponibilidade de bens destinados ao mercado regional.

Para que esta abordagem produza resultados, os projectos deverão incorporar compromissos claros relativos à participação das empresas nacionais, formação profissional, transferência de conhecimento e aquisição local de bens e serviços.

Apenas 64 Empresas Exportaram Para Moçambique

Segundo o presidente da ApexBrasil, 64 empresas brasileiras exportaram produtos para Moçambique em 2025. O número evidencia uma presença comercial ainda limitada quando comparada com a dimensão e a diversidade da estrutura empresarial brasileira.

A ampliação da base de exportadores pode contribuir para diversificar os produtos disponíveis no mercado moçambicano, mas o impacto económico será maior se a expansão comercial estiver associada ao investimento produtivo e à criação de ligações empresariais locais.

A missão à FACIM procurou, por isso, identificar empresas, cooperativas e instituições moçambicanas com as quais os empresários brasileiros possam desenvolver projectos conjuntos.

“Os empresários brasileiros visam estabelecer parcerias com empresas e cooperativas moçambicanas e identificar projectos capazes de gerar oportunidades de negócios sustentáveis”, indicou Müller.

A participação de empresas de diferentes sectores permite explorar uma agenda económica mais ampla e menos dependente de grandes projectos isolados.

Agricultura E Agro-Indústria Oferecem Espaço Para Integração

A experiência brasileira na agricultura tropical, mecanização, produção de sementes, investigação agrária e transformação alimentar constitui uma das áreas com maior potencial de aplicação em Moçambique.

Os dois países possuem condições climáticas e desafios produtivos parcialmente comparáveis, o que pode facilitar a adaptação de tecnologias e modelos de produção desenvolvidos no Brasil.

As oportunidades incluem equipamentos agrícolas, sistemas de irrigação, produção e certificação de sementes, processamento de alimentos, armazenagem, logística rural e estruturação de cooperativas.

A cooperação neste domínio poderá ganhar maior impacto se estiver associada ao desenvolvimento de cadeias de valor e não apenas à venda de máquinas ou factores de produção. A instalação de unidades de transformação próximas das zonas produtoras permitiria reduzir perdas, elevar o valor acrescentado e melhorar o acesso dos produtores ao mercado.

Saúde, Tecnologia E Logística Integram Agenda Empresarial

A composição da delegação brasileira mostra igualmente interesse em sectores associados à prestação de serviços e à modernização da economia.

Na saúde, as possibilidades incluem equipamentos, medicamentos, soluções de diagnóstico, gestão hospitalar e tecnologias digitais aplicadas aos serviços médicos.

Nas tecnologias de informação, empresas e startups brasileiras podem estabelecer parcerias nas áreas de digitalização empresarial, sistemas de pagamento, gestão pública, telecomunicações e prestação remota de serviços.

A logística portuária surge como outra área relevante, considerando a posição de Moçambique como plataforma de acesso ao Oceano Índico para vários países do interior da África Austral.

O conhecimento técnico, os sistemas de gestão e os serviços especializados poderão apoiar a modernização dos portos e corredores logísticos, desde que os projectos sejam articulados com as empresas nacionais e com as prioridades de desenvolvimento das infra-estruturas.

Minerais Críticos Entram Na Cooperação Bilateral

A ApexBrasil destacou também o interesse brasileiro nos minerais críticos, cuja importância aumentou devido à transição energética, à digitalização e ao crescimento das indústrias de baterias, veículos eléctricos e equipamentos tecnológicos.

Moçambique possui recursos minerais com potencial para integrar cadeias internacionais ligadas às novas tecnologias. Uma parceria neste domínio poderá envolver prospecção, extracção, processamento, investigação, formação e desenvolvimento de fornecedores.

A criação de valor local será determinante para diferenciar uma parceria industrial de uma relação centrada apenas na exportação de matérias-primas.

O envolvimento de empresas brasileiras poderá abrir alternativas de investimento e diversificar as parcerias internacionais de Moçambique no sector mineiro. A estruturação dos projectos deverá, entretanto, considerar a transformação local, o conteúdo nacional, os benefícios para as comunidades e a integração das empresas moçambicanas.

FACIM Funciona Como Plataforma De Prospecção

A presença da missão brasileira na FACIM permitiu aos empresários estabelecer contactos directos com potenciais parceiros e conhecer projectos, sectores e necessidades do mercado moçambicano.

A feira funciona, neste contexto, como plataforma inicial de prospecção. A conversão dos contactos em contratos e investimentos exigirá mecanismos posteriores de acompanhamento, troca de informação, identificação de oportunidades e apoio institucional às empresas.

O embaixador de Moçambique no Brasil, Alexandre Manjate, enquadrou a missão empresarial nas comemorações do 50.º aniversário das relações diplomáticas, considerando que o actual ambiente oferece uma oportunidade para estabelecer uma nova estrutura de cooperação económica.

O avanço desta agenda será determinado pela capacidade de transformar as declarações políticas e os contactos empresariais em projectos financiáveis, parcerias duradouras e investimentos com efeitos sobre a produção, o emprego e a qualificação do tecido empresarial moçambicano.

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