“Um crescimento duradoiro e abrangente depende da implementação de reformas estruturais profundas que possam complementar e fortalecer a actuação da política monetária, com destaque para o combate a corrupção, o fortalecimento das instituições, incluindo melhoria do regime de prestação de contas, a boa governação, a melhoria do ambiente de negócios e, a diversificação da base de crescimento da economia”, defendeu o Governador do Banco de Moçambique, Rogério Zandamela, na sua alocução, semana finda, na aula inaugural do programa de doutoramento em estudos de desenvolvimento da Universidade Politécnica de Moçambique.
O melhor enfrentamento das futuras crises, diz o Governador do Banco de Moçambique (BM), passa pela poupança. Nessa perspectiva, considera que “as receitas esperadas da exploração do gás natural na Bacia do Rovuma e de outros minérios, constituem uma oportunidade soberana que o País tem de acumular poupanças para fazer frente à ocorrência de choques na economia e contribuir para estabilizar o Orçamento do Estado”.
Na óptica do Governador do BM, “a criação de um fundo soberano com regras fiscais bem definidas e uma estrutura de governação transparente e funcional”, pode ser instrumental para a acumulação da poupança.
“Reforço a tese de que a criação do Fundo Soberano constitui uma oportunidade ímpar de mudarmos o actual paradigma do País caracterizado por défices gémeos e dependência externa, para uma postura de poupança e disciplina financeira”, frisou Rogério Zandamela.
Reiterou que “apesar da política monetária ser eficaz, ela tem um ónus elevado em cenários de crise, especialmente num contexto como o de Moçambique onde a capacidade de actuação de outras políticas ou sectores é limitada, por vários tipos de constrangimentos”.