
Alimentos Fazem Preços Recuar, Mas Transportes Acumulam Alta De 14,77%
• Moçambique registou deflação mensal de 0,28% em agosto, embora a inflação homóloga tenha acelerado para 6,45% e a acumulada desde janeiro se situe em 4,83%.
- O nível geral de preços recuou 0,28% em Agosto, após a redução dos preços dos produtos alimentares frescos;
- A inflação acumulada entre Janeiro e Agosto situou-se em 4,83%;
- A inflação homóloga alcançou 6,45%, revelando que os preços permanecem acima dos níveis registados em Agosto de 2025;
- Os transportes registaram uma subida homóloga de 14,77%, a mais acentuada entre as principais divisões;
- A alimentação e bebidas não alcoólicas aumentaram 8,91% em termos homólogos;
- O gasóleo e os transportes semicolectivos estão entre os produtos com maior contribuição para a inflação acumulada;
- Todas as cidades analisadas registaram deflação mensal, com Xai-Xai a apresentar a maior redução, de 1,21%;
- Tete possui a inflação homóloga mais elevada, de 10,71%, enquanto Maputo regista a menor, de 4,08%.
Moçambique registou uma deflação mensal de 0,28% em Agosto de 2026, impulsionada sobretudo pela redução dos preços do tomate, alface, cebola, feijão manteiga, carapau e outros produtos alimentares.
O recuo mensal não eliminou, contudo, a pressão acumulada sobre o custo de vida. A inflação atingiu 4,83% entre Janeiro e Agosto, enquanto a variação homóloga, que compara os preços com o mesmo mês de 2025, se situou em 6,45%.
Os dados constam do Índice de Preços no Consumidor divulgado esta quinta-feira, 10 de Setembro, pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), com base na recolha realizada em oito centros urbanos do país.
A evolução revela duas dinâmicas distintas. Os alimentos frescos produziram uma redução conjuntural do nível geral de preços em Agosto, mas os transportes, combustíveis e produtos alimentares continuam a sustentar uma inflação anual elevada.
Alimentação Determina Deflação Mensal
A divisão de alimentação e bebidas não alcoólicas foi a que mais contribuiu para a deflação observada em Agosto, com 0,33 pontos percentuais negativos.
A redução foi liderada pelo tomate, cujo preço diminuiu 16,3%, seguido pela alface, com uma queda de 9,8%, e pelo repolho, que ficou 6,7% mais barato.
O preço da cebola recuou 2,8%, enquanto o feijão manteiga e o carapau diminuíram 1,6% e 0,6%, respectivamente. As refeições completas em restaurantes registaram uma redução de 0,3%.
Em conjunto, estes produtos contribuíram com cerca de 0,38 pontos percentuais negativos para a inflação mensal.
A queda dos preços dos alimentos frescos pode estar associada ao comportamento sazonal da oferta e à entrada no mercado de produtos provenientes da campanha agrícola. Estes bens, contudo, apresentam variações frequentes devido às condições de produção, conservação, transporte e disponibilidade nos mercados.
A deflação mensal não representa, por isso, uma redução generalizada e permanente do custo de vida. Resultou sobretudo do comportamento de um conjunto específico de produtos com peso relevante nas despesas das famílias.
Cimento E Produtos Alimentares Contrariam Queda
Alguns bens registaram aumentos expressivos e limitaram a dimensão da deflação mensal.
A manga seca apresentou a maior variação, com uma subida de 53%, embora possua um peso relativamente reduzido no cabaz utilizado para calcular o índice.
O preço do cimento aumentou 3,1%, variação relevante para os custos da construção e das obras realizadas pelas famílias e empresas.
O milho em grão também subiu 3,1%, enquanto o camarão seco ficou 3,3% mais caro. A galinha viva aumentou 1,4%, o peixe fresco 0,6% e o peixe seco 0,5%.
Em conjunto, estes produtos acrescentaram aproximadamente 0,14 pontos percentuais à variação mensal, compensando parcialmente a redução observada nos restantes alimentos.
Na análise por divisões, a habitação, água, electricidade, gás e outros combustíveis teve uma contribuição positiva de 0,07 pontos percentuais. O vestuário e calçado contribuiu com 0,02 pontos negativos e os restaurantes, hotéis e cafés retiraram 0,01 pontos.
Inflação Acumulada Atinge 4,83%
Entre Janeiro e Agosto de 2026, o nível geral de preços aumentou 4,83%.
Os transportes e a alimentação e bebidas não alcoólicas foram responsáveis pela maior parte da inflação acumulada, com contribuições de 2,05 e 1,52 pontos percentuais, respectivamente.
As duas divisões explicam, em conjunto, 3,57 pontos percentuais da subida registada desde o início do ano, correspondentes a aproximadamente 74% da inflação acumulada.
Ao nível dos produtos, o INE destaca o aumento dos preços do gasóleo, transportes semicolectivos urbanos e suburbanos de passageiros, peixe fresco, gasolina, serviços de táxi, couve e peixe seco.
Este conjunto de bens e serviços contribuiu com cerca de 2,82 pontos percentuais para a inflação acumulada.
O peso dos combustíveis e transportes mostra que a evolução do custo de vida já não resulta apenas dos produtos alimentares. O encarecimento da mobilidade está a produzir efeitos directos sobre os consumidores e indirectos sobre a distribuição de mercadorias e a formação dos preços.
Transportes Sobem 14,77% Em Um Ano
Comparativamente a Agosto de 2025, os preços aumentaram 6,45%.
A divisão dos transportes registou uma subida homóloga de 14,77%, mais do dobro da inflação geral. Alimentação e bebidas não alcoólicas apresentaram um aumento de 8,91%.
A variação dos transportes reflecte o aumento dos preços dos combustíveis e das tarifas de mobilidade urbana e suburbana.
A subida possui um efeito transversal sobre a economia, uma vez que os custos de transporte fazem parte da estrutura de preços dos produtos agrícolas, matérias-primas, equipamentos e bens de consumo.
As famílias são afectadas directamente através das tarifas e da aquisição de combustíveis e, indirectamente, pelo encarecimento dos produtos que dependem do transporte rodoviário.
Nos alimentos, a variação homóloga de 8,91% significa que, apesar das reduções registadas em Agosto, o cabaz alimentar continua substancialmente mais caro do que há um ano.
Todas As Cidades Registam Queda Mensal
Todos os centros de recolha abrangidos pelo índice registaram deflação mensal em Agosto.
Xai-Xai apresentou a maior redução, com os preços a diminuírem 1,21%. Seguiram-se Beira, com uma queda de 0,51%, e Nampula, com 0,32%.
Tete registou uma deflação de 0,29%, a província de Inhambane 0,24% e Chimoio 0,13%. Maputo e Quelimane apresentaram reduções de 0,12% cada.
A ocorrência de deflação em todos os centros mostra que a redução mensal dos preços dos alimentos teve uma distribuição territorial abrangente, embora com intensidades diferentes.
A diferença entre Xai-Xai, com uma queda de 1,21%, e Maputo e Quelimane, ambas com 0,12%, também evidencia a influência das condições locais de oferta, procura e comercialização.
Tete Lidera Inflação Acumulada E Homóloga
Apesar da redução mensal, todas as regiões analisadas apresentam aumentos de preços desde o início do ano.
Tete registou a maior inflação acumulada, de 6,90%, seguida por Xai-Xai, com 6,59%, e pela província de Inhambane, com 5,97%.
Nampula acumulou uma subida de 5,74%, Chimoio de 4,69%, Beira de 4,46% e Quelimane de 4,38%. Maputo apresentou a menor inflação acumulada, de 3,45%.
As diferenças tornam-se mais expressivas na comparação homóloga. Em Tete, o nível geral de preços encontra-se 10,71% acima do registado em Agosto de 2025.
Inhambane apresenta uma inflação homóloga de 8,32%, seguida por Chimoio, com 8,25%, e Xai-Xai, com 8,04%.
Nampula registou 6,58%, Quelimane 6,05% e Beira 5,67%. Maputo voltou a apresentar a menor taxa, de 4,08%.
A inflação homóloga em Tete é, assim, mais de duas vezes e meia superior à observada na cidade de Maputo, mostrando que a evolução nacional dos preços esconde diferenças territoriais significativas.
Queda De Agosto Não Elimina Pressão Sobre As Famílias
A deflação de Agosto representa um alívio mensal para as famílias, sobretudo através da redução de alguns alimentos frescos. Este movimento não corresponde, porém, a uma reversão do aumento do custo de vida acumulado ao longo do ano.
Os preços permanecem 6,45% acima dos níveis observados há doze meses, enquanto os transportes e a alimentação — duas componentes com peso elevado nos orçamentos familiares — crescem acima da inflação média.
Nas famílias de menores rendimentos, estes dois grupos absorvem uma parcela elevada das despesas mensais. A subida tende, por isso, a possuir um impacto proporcionalmente maior sobre os agregados com menor capacidade financeira.
A evolução dos próximos meses será influenciada pelo comportamento dos combustíveis, pelas tarifas de transporte, pela disponibilidade de produtos alimentares e pelos custos logísticos.
Num contexto de petróleo acima de US$ 100 por barril, o risco de novos aumentos nos combustíveis internacionais acrescenta incerteza à trajectória dos preços internos. A manutenção da deflação mensal dependerá, deste modo, da capacidade de a redução dos alimentos compensar as pressões que continuam a resultar da energia e dos transportes.
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