
Fly Moz Cria Novo Modelo Para Financiar Frota da LAM e Prepara Entrada na BVM
Nova sociedade criada pelas empresas públicas que participam no capital da transportadora deverá adquirir aeronaves e disponibilizá-las à LAM através de contratos de arrendamento sem operador. Processo de admissão da Fly Moz ao mercado bolsista encontra-se na fase final de análise e poderá abrir a investidores nacionais exposição directa ao sector da aviação.
Questões-Chave:
- Fly Moz Investimentos foi criada pelas três empresas públicas que adquiriram participações na LAM;
- Sociedade iniciou operações em Março e possui capital social de 10 milhões de meticais;
- Fly Moz deverá adquirir aeronaves e disponibilizá-las à LAM através de contratos de “dry lease”;
- LAM ficará responsável pela operação das aeronaves, tripulações, manutenção e seguros;
- Numa segunda fase, Fly Moz deverá integrar a estrutura accionista da companhia aérea;
- Processo para entrada da Fly Moz na BVM encontra-se na fase final de análise;
- Modelo separa propriedade dos activos da operação aérea e introduz uma nova via para financiar a renovação da frota.
A reestruturação da LAM está a ganhar uma nova componente financeira com a criação da Fly Moz Investimentos, sociedade concebida para adquirir aeronaves e disponibilizá-las à transportadora nacional através de um modelo que separa a propriedade dos aviões da respectiva operação.
A nova empresa foi constituída pelas três empresas públicas que adquiriram participações na LAM — Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB), Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM) e Empresa Moçambicana de Seguros (EMOSE) — e iniciou operações em Março.
Com um capital social de 10 milhões de meticais, a Fly Moz deverá assumir, numa primeira fase, a propriedade das aeronaves, enquanto a LAM ficará concentrada na sua exploração comercial.
O desenho introduz uma nova arquitectura para financiar a frota da transportadora e surge num período em que a disponibilidade de aeronaves constitui uma variável central para a recuperação da capacidade operacional da companhia.
Fly Moz Compra, LAM Opera
O modelo apresentado assenta numa divisão clara entre propriedade e operação dos activos.
Segundo Pedro Cossa, Presidente da Bolsa de Valores de Moçambique (BVM), a Fly Moz será inicialmente responsável pela aquisição das aeronaves, que serão posteriormente disponibilizadas à LAM através de contratos de “dry lease” — arrendamento de aeronaves sem operador.
Neste modelo, a Fly Moz mantém a propriedade dos aviões. A LAM utiliza-os através do seu próprio Certificado de Operador Aéreo e assume as responsabilidades relacionadas com tripulações, manutenção e seguros.
A estrutura permite que a aquisição de aeronaves seja realizada através de uma entidade distinta da transportadora, separando o financiamento e propriedade dos activos da actividade operacional da companhia aérea.
Numa segunda fase, segundo a informação divulgada, a Fly Moz deverá integrar a própria estrutura accionista da LAM.
HCB, CFM E EMOSE Sustentam Nova Estrutura
A criação da Fly Moz está directamente associada à reorganização accionista da companhia aérea.
As três empresas públicas que constituíram a nova sociedade são também as entidades que adquiriram participações na LAM.
A HCB adquiriu 25,2% do capital social, enquanto CFM e EMOSE adquiriram 15,4% cada, tendo estas duas últimas entidades investido US$ 22 milhões cada na operação.
A participação destas empresas na transportadora passa, assim, a ter uma segunda dimensão através da Fly Moz: além da exposição accionista à LAM, as três entidades passam a integrar uma sociedade vocacionada para a aquisição dos activos necessários à operação aérea.
O documento não apresenta o montante de investimento previsto para a aquisição de aeronaves, número de aviões a adquirir, modelos pretendidos ou calendário para incorporação da nova frota. Estes elementos serão importantes para avaliar a dimensão financeira efectiva da operação.
BVM Pode Tornar-se Parte Do Modelo De Financiamento
A estratégia ganha uma dimensão adicional através do mercado de capitais.
Segundo o Ministro dos Transportes e Logística, João Matlombe, a Fly Moz encontra-se registada na Bolsa de Valores de Moçambique.
Pedro Cossa indicou que o processo relacionado com a entrada da empresa no mercado bolsista se encontra na fase final de análise, cabendo ao Conselho de Administração da BVM decidir sobre a sua admissão.
A Fly Moz submeteu informação adicional à Bolsa relativamente às actividades desenvolvidas entre Março e Junho de 2026 e apresentou demonstrações financeiras referentes a 30 de Junho.
Caso o processo avance, a operação introduzirá no mercado de capitais moçambicano um activo com exposição ao sector da aviação.
Na perspectiva apresentada pela BVM, a entrada da empresa poderá diversificar os instrumentos disponíveis no mercado e criar uma oportunidade para investidores nacionais participarem num projecto considerado estratégico para o país.
Aviação Pode Ganhar Nova Fonte De Capital
A eventual entrada da Fly Moz na BVM introduz uma questão relevante para a estrutura financeira do projecto.
A aquisição de aeronaves exige volumes significativos de capital e compromissos financeiros de longo prazo. Ao criar uma sociedade especificamente orientada para deter estes activos e aproximá-la do mercado de capitais, o modelo abre espaço para separar o financiamento da frota das necessidades financeiras correntes da companhia aérea.
A informação disponível, entretanto, ainda não especifica que instrumentos financeiros serão utilizados através da BVM, nem indica se a Fly Moz pretende realizar uma oferta de acções, emitir dívida ou recorrer a outra modalidade de captação de recursos.
Por essa razão, a contribuição efectiva do mercado de capitais para o financiamento da frota deverá ser avaliada quando forem divulgados os termos concretos da operação.
Modelo Coloca Activos Fora Da Operação Directa Da LAM
A separação entre a entidade proprietária das aeronaves e a empresa responsável pela operação constitui uma das características mais relevantes da nova arquitectura.
A Fly Moz concentra-se inicialmente na aquisição e propriedade dos activos. A LAM permanece responsável pela operação comercial, pelas tripulações, manutenção e seguros.
Esta configuração cria uma divisão funcional entre o activo de elevado valor e a actividade operacional que gera receitas através do transporte aéreo.
Para a reestruturação da LAM, o modelo introduz uma nova forma de organizar a expansão da frota. A sua eficácia financeira será determinada pelos custos de aquisição das aeronaves, condições dos contratos de “dry lease”, capacidade da transportadora para cumprir os pagamentos associados ao arrendamento e estrutura de financiamento utilizada pela Fly Moz.
Estes parâmetros ainda não foram divulgados.
Nova Estrutura Entra Numa Companhia Com Elevado Passivo
A Fly Moz surge num contexto de dificuldades financeiras acumuladas pela transportadora nacional.
Segundo a informação divulgada, a LAM acumulou dívidas a fornecedores superiores a US$ 230 milhões, depois de vários anos de problemas financeiros e operacionais.
Em 2024, a companhia esteve sob gestão da sul-africana Fly Modern Ark, contratada pelo Governo para apoiar a recuperação da empresa. A intervenção não conseguiu resolver os problemas estruturais da transportadora.
A entrada de novos accionistas públicos e a criação da Fly Moz representam, neste contexto, uma nova configuração para a tentativa de recuperação da companhia.
Frota Torna-se Peça Central Da Reestruturação
A criação da Fly Moz permite identificar uma mudança concreta na abordagem à recuperação da LAM: a frota passa a dispor de uma estrutura própria de aquisição e propriedade, separada da operação da transportadora.
A eventual presença da nova sociedade na BVM poderá acrescentar uma componente de mercado de capitais a esta arquitectura, embora os mecanismos concretos de financiamento ainda não tenham sido anunciados.
A sustentabilidade do modelo poderá ser observada através de variáveis objectivas: custo das aeronaves, estrutura de financiamento da Fly Moz, condições dos contratos de arrendamento, capacidade da LAM para gerar receitas suficientes para suportar os pagamentos e evolução do passivo da transportadora.
A Fly Moz introduz, assim, uma nova peça na reestruturação da aviação nacional: uma sociedade destinada a concentrar a propriedade e o financiamento das aeronaves, enquanto a LAM permanece responsável pela operação.
Fica por perceber como esta arquitectura será capitalizada e em que condições económicas a nova frota será colocada ao serviço da transportadora.













