
África do Sul Avança para Acordo Comercial com a China em Resposta às Tarifas dos EUA
- Pretória assina acordo-quadro com Pequim que pode garantir acesso livre de tarifas ao mercado chinês já em 2026, num contexto de tensões comerciais crescentes com Washington.
A África do Sul deu um passo decisivo para aprofundar as relações comerciais com a China, ao assinar um acordo-quadro de parceria económica que poderá abrir caminho ao acesso isento de tarifas para exportações sul-africanas para o mercado chinês. A iniciativa surge num momento de fricção comercial com os Estados Unidos, depois da imposição de tarifas punitivas sobre produtos sul-africanos, colocando Pequim no centro da estratégia de diversificação de mercados de Pretória.
- África do Sul procura acesso livre de tarifas ao mercado chinês;
- Acordo surge após imposição de tarifas de 30% pelos EUA;
- China sinaliza abertura comercial a países africanos;
- Pretória promete salvaguardas para proteger a indústria local.
Acordo-quadro como resposta à pressão comercial dos EUA
O acordo-quadro de parceria económica para “prosperidade partilhada” foi assinado em Pequim pelo ministro do Comércio, Indústria e Concorrência da África do Sul, Parks Tau, e pelo seu homólogo chinês, Wang Wentao. Segundo o Governo sul-africano, o entendimento constitui um passo preliminar para um acordo mais operacional — designado “Early Harvest Agreement” — previsto para estar concluído até ao final de Março de 2026.
A iniciativa ganha relevo num contexto em que os EUA, segundo maior parceiro comercial bilateral da África do Sul depois da China, impuseram em Agosto uma tarifa de 30% sobre exportações sul-africanas, a mais elevada aplicada na África Subsaariana.
China reforça estratégia de abertura comercial a África
A assinatura do acordo enquadra-se numa estratégia mais ampla de Pequim de reforço das relações económicas com o continente africano. Em Junho do ano passado, a China anunciou a eliminação de tarifas para os 53 países africanos com os quais mantém relações diplomáticas, numa altura em que Washington intensificava o recurso a medidas proteccionistas.
Nos últimos meses, outros países africanos, como o Quénia, anunciaram entendimentos preliminares semelhantes com a China, sinalizando uma aceleração da diplomacia económica sino-africana num cenário global marcado por fragmentação comercial.
Oportunidades e riscos para a indústria sul-africana
Para Pretória, o aprofundamento das relações comerciais com a China é visto como uma oportunidade para ampliar as exportações, em particular nos sectores da mineração e da agricultura. Contudo, o Governo sul-africano reconhece os riscos associados a uma abertura excessiva.
“Vamos negociar de forma a criar salvaguardas que protejam a capacidade industrial da África do Sul”, afirmou Parks Tau, sublinhando a preocupação em evitar impactos negativos sobre a produção local num contexto de assimetrias entre as duas economias.
Investimento chinês no radar, com foco no aço
Para além do comércio, Pequim manifestou interesse em reforçar o investimento directo na África do Sul, com destaque para o sector siderúrgico. A China convidou oficialmente a África do Sul para um evento de promoção de oportunidades de investimento na indústria do aço, num sinal de que a cooperação poderá ir além do acesso a mercados e abranger cadeias de valor industriais.
Segundo Tau, o objectivo passa por atrair mais investimento chinês e, em paralelo, posicionar produtos sul-africanos no vasto mercado consumidor chinês.
Reconfiguração das alianças comerciais globais
O movimento da África do Sul reflecte uma tendência mais ampla de reconfiguração das alianças comerciais globais, à medida que economias emergentes procuram reduzir a exposição a choques proteccionistas e diversificar parceiros estratégicos.
Num mundo cada vez mais fragmentado do ponto de vista comercial, o acordo com a China poderá oferecer a Pretória uma almofada estratégica, ainda que o seu impacto final dependa das condições concretas do acesso ao mercado e das salvaguardas industriais que venham a ser negociadas.
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