Síntese analítica dos mercados financeiros e das commodities

Conjuntura do Mercado Financeiro & Commodities
Semana de 13 a 17 de Setembro
I. Síntese Analítica
- Com a vista a disponibilizar maior liquidez à economia, o Comité de Política Monetária (CPMO) do Banco de Moçambique decidiu reduzir os Coeficientes de Reservas Obrigatórias para os passivos em moeda nacional de 11,50% para 10,50%, e em moeda estrangeira de 34,50% para 11,50%.
- Banco de Moçambique decidiu manter a taxa de política monetária em 13,25%.
- As Operações de compra e venda entre os Bancos Comerciais e o Público, de todas as moedas convertidas para milhões de dólares, apresentaram na última semana um acréscimo face à semana passada.
- O Metical continua numa tendência depreciativa face ao Dólar norte-americano, contudo, o seu ritmo de depreciação continua reduzido.
- Queda de preços de commodities de exportação da África do Sul retrai ganhos que o Rand Sul-africano registou face ao Dólar na semana passada.
- Platina segue com uma tendência depreciativa, quebrando a fasquia de USD 950 a onça, após ter sido transacionada em volta de USD1,050 em Julho, no início do Terceiro Trimestre.
- Forte demanda por Petróleo nos EUA impulsiona os preços do Petróleo, o Crude West Texas Intermediate (WTI) volta a ser transacionado acima dos USD70 o barril.
- Bitcoin e a Ethereum transacionam em baixa, com sinais de recuperação do crash que ocorreu na passada terça-feira.
II. Desenvolvimento analítico
1. Mercado Cambial Doméstico
USD/MZN: À semelhança das semanas anteriores, o Metical registou uma tendência de depreciação, a um ritmo reduzido, face ao Dólar. Colocando em perspectiva o câmbio médio de referência dos Bancos comerciais (câmbio de valorimetria) USD/MZN, o Metical depreciou em apenas 0.06%, saindo de 63.78 no fecho da sessão semanal antecedente, para 63.82 Meticais por um Dólar, no fecho da essão semanal em análise.

Por um lado, esta tendência de depreciação a um ritmo desacelerado do Metical face ao Dólar pode ser justificada pelo incremento da oferta de liquidez em Dólar no mercado nacional, que provém do aumento do volume das compras de dólares dos Bancos Comerciais com o Público. Conforme foi analisado nas sessões anteriores, o Segundo Trimestre do ano é geralmente marcado por um aumento no volume de exportações de Moçambique.
Portanto, este cenário de aumento do volume de vendas de Dólares aos Bancos comerciais, pode ser suportado pela necessidade que os exportadores têm de converter os seus recebimentos, receitas de exportação em moeda estrangeira para a moeda nacional, para fazer face as suas necessidades de tesouraria em moeda nacional.

Na Terça-feira,14/09, o Comité de Política Monetária (CPMO) do Banco de Moçambique, divulgou a sua decisão de redução do coeficiente de Reservas Obrigatórias (RO) de passivos em moeda estrangeira (ME), dos Bancos comerciais, de 34.50% para 11.50%. Esta redução expressiva do coeficiente de RO em ME, servirá para disponibilizar mais liquidez em ME a economia. Esta redução de RO em ME, entrará em vigor no dia 7 de Outubro.
Uma das razões pela a qual o Metical depreciava de forma acelerada em relação ao dólar era resultava da dificuldade que existia de a oferta suprir a procura de moeda estrangeira no nosso mercado. Com isto, pode se esperar que o Metical continue nesta tendência de estabilização ou mesmo que inicie uma tendência apreciativa face ao Dólar nas semanas vindouras.
Contudo, é necessário que se tome em conta a tendência apreciativa que os preços do Petróleo vêm registando nos últimos meses. Por ser uma das commodities que Moçambique mais importa, a sua tendência apreciativa pode colocar o Metical sobre uma maior pressão negativa, fazendo com que a moeda nacional permaneça numa tendência depreciativa nos meses seguintes.
Por outro lado, a decisão do CPMO do Banco de Moçambique em manter em alta, pelo oitavo mês consecutivo, a taxa de juro de Política Monetária (MIMO) em 13.25%, a Facilidade Permanente de Deposito (FDP) em 10.25%, e a Facilidade Permanente de Cedência (FPC) em 16.25%, para o mês de setembro, contribui para esta tendência de estabilização do Metical. A manutenção destas taxas em alta, contribui para a redução da procura por moeda estrangeira para a efectivação da compra de bens e serviços importados. Com isto, cria-se condições para um maior equilíbrio entre a demanda e oferta de moeda estrangeira no Mercado nacional, que em volta reflete-se na estabilização do valor do Metical face ao Dólar norte-americano.
De referir que esta tendência de estabilidade do metical é positiva para Moçambique, pois com ela pode-se esperar uma maior estabilização na actuação dos agentes económicos, sejam estes importadores/ exportadores, ou investidores, em geral.
ZAR/MZN:O Rand Sul-Africano depreciou face ao Metical, em 2.88%, saindo de 4.50 no fecho da sessão semanal anterior, para 4.37 Meticais por um Rand Sul-Africano, no fecho desta sessão semanal.

2. MERCADO CAMBIAL INTERNACIONAL
USD/ZAR: O Rand depreciou face ao Dólar em 2.65%, saindo de R 14.2077/$1 no fecho da sessão semanal anterior, para R 14.5839/$1 no fecho da sessão, no 16 de setembro de 2021. Esta tendência depreciativa do Rand continua; estando o Rand por estas alturas a ser transacionado em volta dos 14.70 Rands por um Dólar.

A queda dos preços das commodities no sector de mineração, juntamente com alguns comentários negativos em volta da vulnerabilidade da economia da África do Sul relativa às flutuações dos preços das commodities de exportação, sobretudo metais e metais semipreciosos, impactaram negativamente a performance do Rand Sul-africano em relação ao Dólar norte-americano. Com isto, viu-se uma reversão na tendência apreciativa que o Rand registou face ao Dólar, na semana passada.
A subida dos preços das commodities de exportação da África do Sul, em particular metais e metais preciosos, ajudaram na arrecadação de receitas do Governo, e apoiaram na recuperação económica da pandemia Covid-19, o que fez com que o Rand apreciasse de forma bastante notável face ao Dólar nas últimas três semanas, sobretudo na semana passada, conforme pôde se observar após a divulgação dos dados macroeconómicos positivos da África do Sul, referentes ao Segundo Trimestre.
A Platina, que é um dos metais que a África do Sul exporta em grande escala, com valor económico significativo para a África do Sul, tem estado sobre pressão e está a entrar em um ambiente de mercado mais restrito devido a fraca demanda por este metal, sobretudo na indústria automotiva que é uma das indústrias que mais usa este metal para a produção de auto-catalisadores.
Portanto, a África do Sul sendo um país largamente dependente de receitas de exportação de commodities, a flutuação nos preços de commodities afecta directamente a performance da economia e, consequentemente, estas flutuações refletem-se na performance do Rand.
Por outro lado, de um ponto de vista técnico, o Rand, há aproximadamente uma semana, foi transacionado na sua área de suporte em volta de R 14.20/$1, desde Julho. Com isto, naturalmente, pode se esperar uma tendência reversiva, em outras palavras, de depreciação do Rand face ao Dólar, conforme observou-se esta semana.
De referir que o custo do Rand em Meticais, deriva do câmbio do USD/MZN e USD/ZAR. Portanto, a desvalorização do Rand face ao Dólar, por conta da queda de preços das suas maiores commodities de exportação, fez com que o Rand também depreciasse face o Metical.
De referir que uma contínua queda de preços das commodities, sobretudo dos metais e metais preciosos, pode tirar o brilho do Rand nas semanas vindouras.
3. MERCADO MONETÁRIO INTERBANCÁRIO
Visando a disponibilizar maior liquidez para a economia, o Comité de Política Monetária (CPMO) do Banco de Moçambique decidiu, na sua V sessão ordinária, reduzir os coeficientes de reservas obrigatórias para os passivos em moeda nacional de 11,50% para 10,50%, e em moeda estrangeira de 34,50% para 11,50%, visando disponibilizar maior liquidez para a economia.
Esta decisão, principalmente para as principais contrapartes do Metical, a moeda estrangeira, pode ter um impacto significativo nos actuais níveis das taxas de câmbio, pois estas podem registar uma descida devido à maior disponibilidade de moeda que se prevê dada a maior liquidez no sistema financeiro. Este cenário pode ainda ser substanciado pela disponibilidade de USD 50 Milhões propiciada pelo Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), conforme apontam as últimas notícias no sector económico, estando muito dependente do impacto e da aplicação dos referidos fundos.
Ainda nas decisões do CPMO, o Banco de Moçambique decidiu manter a taxa de juro de Política Monetária, decisão assentada na manutenção das perspectivas de inflação em um dígito, apesar da prevalência de riscos e incertezas elevados, sobretudo os decorrentes dos impactos da Covid-19.
Por outro lado, os riscos e incertezas, a nível interno, encontram-se relativamente moderadas, com destaque para o abrandamento da instabilidade militar na Zona Norte do país. A nível externo, mantêm-se igualmente as incertezas em relação à evolução da pandemia e acresce-se o risco associado aos constrangimentos das cadeias de fornecimento de bens e serviços, com potencial de limitar a oferta de produtos importados.
Relativamente ao crescimento económico para o ano de 2021, consolidam-se as perspectivas de recuperação gradual impulsionada, sobretudo, pela procura externa, uma vez que no I Semestre de 2021 a economia teve um crescimento de 1,05%, não descartando a questão do aprofundamento de reformas estruturantes na economia visando fortalecer as instituições, melhorar o ambiente de negócios, atrair investimentos e gerar emprego.
No que diz respeito às Operações entre os Bancos Comerciais e o Público, de todas as moedas convertidas para milhões de dólares, a variação ao longo do ano entre as mesmas tem sido mista porém, para o caso particular da semana em curso face à passada, as compras e as vendas variaram na mesma direcção, cujos valores fixaram-se em USD 46,17 milhões (uma variação positiva de 43,97%) e USD 37,78 milhões (uma variação positiva de 5,83%), respectivamente.

4. MERCADO DE CAPITAIS
No Mercado Bolsista Nacional, para a última quinta-feira da semana em curso, a 16 de Setembro, a Capitalização Bolsista, foi de aproximadamente MZN 120,55 mil milhões, 0,02% acima da registada no dia 09 de Setembro (MZN 120,52 mil milhões).

5. COMMODITIES
5.1. Platina
A Platina está sobre pressão em meio das preocupações sobre a variante Delta da Covid-19 que impactaram negativamente o nível de produção de automóveis.
O metal é amplamente usado na indústria automotiva pelas suas excelentes propriedades catalíticas. Por conta da pandemia do Covid-19, e a mais recente disseminação da variante Delta, gigantes da indústria automotiva como a Toyota, e a Volkswagen têm sido cautelosas sobre as previsões de produção, devido a relativa volátil e restrita demanda por automóveis conjugada com o gargalo na cadeia de abastecimento de partes necessárias para produção, devido as restrições e confinamentos a nível global. Limitando, assim, a procura por metais como a platina para produção de partes usadas no fabrico de automóveis.
A Platina tem estado sobre pressão, tendo sido transacionada abaixo da fasquia de USD 1,050 por onça desde Julho, após ter atingido um dos seus níveis mais altos do ano, em Abril, em volta de USD 1,200 por onça. A Platina está a entrar em um ambiente de mercado mais restrito tendo este metal, nesta semana, quebrado um nível historicamente baixo, de USD 950 por onça.

5.2. Petróleo
Ao contrário da semana passada, o petróleo esteve numa tendência apreciativa na semana em análise. O furacão em volta do Golfo do México, juntamente com a mais recente, positiva, divulgação da Associação Americana de Petróleo (`Petroleum American Institute`) referente a demanda desta commodity nos EUA, foram as principais forças impulsionadoras dos preços do petróleo.
O Western Texas Intermediate (WTI), negociado em Nova Iorque, apreciou em 4.13%, saindo de USD 69.72 no fecho da última sessão semanal, para USD 72.61 por barril no fecho da sessão no dia 16 de Setembro.

Seguindo a mesma tendência, o Brent, de referência global, apreciou em 3.77%, saindo de USD 72.92, no fecho da última sessão semanal, para USD 75.67 o barril no fecho da sessão no dia 16 de Setembro.

As disrupções nas capacidades de produção do petróleo causadas pelo furacão Ida, no Golfo do México continuam a restringir a capacidade de produção e de distribuição do petróleo nos EUA. O furacão Ida, entre os dias 26 de Agosto e 04 de Setembro, juntamente com a mais recente tempestade Nicholas, no dia 14 de Setembro, na costa do Estado do Texas, o maior Estado produtor de petróleo dos EUA, interromperam a produção do petróleo nos EUA. Estas paralisações contribuíram para a elevação dos preços do petróleo crude WTI para a um preço acima de USD 70 o barril.
Outro factor que ajudou na recuperação dos preços do petróleo foi a demanda e as projeções de demanda por esta commodity. Segundo a divulgação da Associação Americana de Petróleo (`Petroleum American Institute`), na terça-feira dia, dia 14 de Setembro, o stock de barris armazenados na semana passada caiu em 5,437 milhões de barris, esta que foi uma queda superior a queda antecipada, em 1,534 milhões de barris, e superior em relação a queda de 2,882 milhões de barris, registada na semana terminada no dia 03 de Setembro.
Para além disto, a Agência Internacional de Energia (`International Energy Agency`), disse na Terça-feira, que o lançamento da vacina COVID-19 poderá levar a uma recuperação económica após a queda de três meses da demanda global do petróleo, levantando as medidas restritivas que seguiram o plano de contenção da pandemia.
Portanto, este alargamento no nível da oferta e da procura do petróleo criam um cenário de perspetiva de incapacidade de supressão de uma crescente demanda pelo Petróleo, que como consequência eleva os preços desta commodity.
6. CRIPTOMOEDAS
6.1. Bitcoin
No que diz respeito às criptomoedas, quanto ao Bitcoin, alguns analistas perspectivam que a mesma pode chegar a US$ 500 mil nos próximos cinco anos, comentando sobre o crescente mercado de criptomoedas e defendendo que se as empresas continuarem a diversificar o seu caixa nas criptomoedas e os investidores institucionais começarem a alocar 5% dos seus fundos nas mesmas, acreditando que o preço, nes
te caso concreto do Bitcoin, será dez vezes maior do que é actualmente.
O Bitcoin atingiu um pico de $52.888 na terça-feira, antes de mergulhar para um mínimo de $43.350 no mesmo dia. Desde então, a BTC/USD registou uma recuperação tímida, mas ainda está muito perto dos seus mínimos recentes, actualmente nos $44.500.
De um ponto de vista técnico, o gráfico diário permite-nos detectar muito claramente um apoio de cerca de $44.000, cuja fuga constituiria um sinal de baixa. Por outro lado, também podemos ver que a média móvel de 520 dias está prestes a ultrapassar a média móvel de 200 dias, o que seria um poderoso sinal de alta conhecido pelos traders como uma “cruz dourada”.

6.2. Ethereum
A criptomoeda foi negociada em torno de US$ 3.431, elevando-se 4,32% de um dia para o outro. Alguns analistas apontam para um preço de cerca de US$10.000 até meados de 2022. Outros são ainda mais optimistas, colocando a criptomoeda na faixa de US$ 26.000 a US$ 35.000 no longo prazo.
No entanto, apesar das perspectivas de alta de alguns analistas para o longo prazo, a transição do último fim-de-semana foi de baixa para a Bitcoin e muitas outras criptomoedas, confirmando que o mercado está a lutar para recuperar do crash que ocorreu na passada terça-feira.
Note-se que a situação para a Ethereum é semelhante a do Bitcoin, com a segunda maior criptomoeda do mercado a permanecer bem abaixo do seu nível antes da queda repentina da semana passada.















