
Banco de Moçambique Reduz Taxa MIMO para 9,25% e Sinaliza Confiança na Desaceleração da Inflação
Decisão do Comité de Política Monetária reflecte melhoria das perspectivas inflacionistas, apesar dos riscos associados às cheias e ao contexto externo adverso.
- Taxa MIMO reduzida de 9,50% para 9,25%, na primeira reunião do CPMO em 2026;
- Inflação mantém-se em um dígito, sustentando margem para ajustamento cauteloso;
- Cheias, riscos climáticos e tensões geopolíticas permanecem factores de incerteza;
- Política monetária continua orientada para a estabilidade macroeconómica.
O Banco de Moçambique decidiu reduzir a taxa de juro de política monetária (MIMO) de 9,50% para 9,25%, sinalizando uma maior confiança na trajectória de desaceleração da inflação, apesar dos riscos associados às cheias, à evolução do preço dos combustíveis e ao contexto externo marcado por incertezas económicas e geopolíticas.
Inflação em Um Dígito Sustenta Ajustamento Monetário
De acordo com o Comité de Política Monetária (CPMO), a decisão resulta da avaliação de que a inflação permanece em um dígito, reflectindo a dissipação gradual de choques anteriores e o impacto cumulativo das medidas de política monetária adoptadas ao longo de 2024 e 2025.
Ainda assim, o Banco Central sublinha que a inflação continua vulnerável a factores de oferta, sobretudo no sector alimentar, exigindo prudência na normalização das condições monetárias.

Cheias e Choques Climáticos Mantêm Pressão Sobre os Preços
O comunicado destaca que as cheias e inundações registadas em várias regiões do país constituem um risco relevante para a estabilidade de preços, podendo afectar a produção agrícola, as cadeias de abastecimento e os preços dos alimentos.
Estes factores climáticos, combinados com eventuais perturbações logísticas, mantêm-se sob monitoria apertada do Banco de Moçambique, num contexto de elevada exposição da economia a choques naturais.
Ambiente Externo Continua a Exigir Cautela
No plano internacional, o CPMO refere a persistência de tensões geopolíticas, riscos associados ao comércio global e volatilidade nos preços internacionais de combustíveis e alimentos, factores que continuam a condicionar o espaço de manobra da política monetária doméstica.
A manutenção de condições monetárias relativamente restritivas em economias avançadas é igualmente apontada como elemento de risco para os fluxos financeiros e para a estabilidade cambial.
Sistema Financeiro Mantém-se Estável
Apesar do ciclo de aperto monetário dos últimos anos, o Banco de Moçambique considera que o sistema financeiro nacional permanece estável e resiliente, com níveis adequados de liquidez e capitalização, capazes de absorver choques e continuar a apoiar a actividade económica.
O Banco Central reafirma o compromisso de continuar a acompanhar a evolução dos indicadores de risco, de forma a preservar a solidez do sistema bancário.
Sinal Cauteloso de Normalização Monetária
Para o O.Económico, a redução da taxa MIMO para 9,25% representa um sinal prudente de início de normalização da política monetária, compatível com a melhoria gradual do enquadramento inflacionista, mas ainda distante de uma flexibilização agressiva.
A trajectória futura da taxa continuará dependente da evolução da inflação, dos riscos climáticos e do ambiente económico externo, num contexto em que a estabilidade macroeconómica permanece como prioridade central.
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