Banco Mundial melhora perspectiva para 2023, mas corta previsão de crescimento global para 2024 devido ao aumento das taxas de juros

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O Banco Mundial elevou, na terça-feira, 05/06, as suas perspectivas de crescimento global para 2023, uma vez que os Estados Unidos, a China e outras grandes economias se mostraram mais resilientes do que o previsto, mas disse que taxas de juro mais elevadas e crédito mais apertado terão um impacto maior nos resultados do próximo ano.

O PIB mundial real deverá subir 2,1% este ano, afirmou o Banco Mundial no seu último relatório sobre as “Perspectivas Económicas Globais”. A nova projecção está acima da previsão de 1,7%, divulgada em Janeiro, mas bem abaixo da taxa de crescimento de 2022, de 3%.

O banco cortou sua previsão de crescimento global para 2024 de 2,7% , feita em Janeiro para 2,4%, agora, citando os efeitos defasados do aperto monetário do banco central e condições de crédito mais restritivas que estavam reduzindo o investimento empresarial e residencial.

Esses factores, diz o Banco Mundial, desacelerarão ainda mais o crescimento no segundo semestre de 2023 e em 2024, mas o banco divulgou uma nova previsão de crescimento global para 2025, de 3% para 0.

A economista-chefe do Banco Mundial, Indermit Gill, disse sobre as novas “sombrias nas previsões, que 2023 será um dos anos de crescimento mais lento para as economias avançadas nas últimas cinco décadas.

Dois terços das economias em desenvolvimento terão um crescimento menor do que em 2022, representando um grande revés para a recuperação da pandemia e a redução da pobreza e aumentando a dívida soberana, acrescentou.

“Mesmo até o final do próximo ano, um terço do mundo em desenvolvimento não superará os níveis de renda per capita que tinha no final de 2019”, disse Gill a jornalistas. “São cinco anos perdidos para quase um terço dos países do mundo.”

Em Janeiro, o Banco Mundial havia alertado que o PIB global estava desacelerando à beira da recessão, mas, desde então, a força no mercado de trabalho e no consumo nos EUA superou as expectativas, assim como a recuperação da China dos lockdowns da COVID-19.

O crescimento dos EUA para 2023 está agora previsto em 1,1%, mais do dobro dos 0,5% previstos em Janeiro, enquanto o crescimento da China deverá subir para 5,6%, em comparação com uma previsão de 4,3% em Janeiro, após um crescimento reduzido pela COVID de 3% em 2022.

O banco, no entanto, reduziu pela metade sua previsão anterior de crescimento dos EUA para 2024, para 0,8%, e cortou a previsão da China em 0,4 ponto percentual, para 4,6%.

A zona do euro obteve um aumento previsto para 0,4% de crescimento para 2023, de uma perspectiva estável em Janeiro, mas a previsão para o próximo ano também foi ligeiramente reduzida.

STRESS BANCÁRIO

O recente estresse do sector bancário também está a contribuir para condições financeiras mais apertadas que continuarão em 2024, afirma o Banco Mundial.

A instituição de crédito multilateral citou um potencial cenário descendente em que a tensão bancária resulta numa grave contracção do crédito e numa tensão mais generalizada nos mercados financeiros nas economias avançadas. Isso provavelmente reduziria o crescimento de 2024 em quase metade, para apenas 1,3% – o ritmo mais lento em 30 anos fora das recessões de 2009 e 2020.

“Em outro cenário em que o stresse financeiro se propaga globalmente em um grau muito maior, a economia mundial entraria em recessão em 2024”, acrescentou o banco.

O banco revela que a inflação deve diminuir gradualmente à medida que o crescimento desacelera e a demanda de trabalho em muitas economias suaviza e os preços das commodities permanecem estáveis. Mas acrescentou que o núcleo da inflação deve permanecer acima das metas dos bancos centrais em muitos países ao longo de 2024.

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