BPI Considera Alienar Participação no BCI Após Contribuição Negativa de 20 Milhões de Euros

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Banco português classifica os activos em Moçambique como “não estratégicos”, num contexto de deterioração da dívida pública moçambicana e de ajustamento do seu portefólio internacional.


    Questões-Chave:
  • O BPI admite vender a sua participação de 35,67% no Banco Comercial e de Investimentos (BCI);
  •  A decisão surge após o BCI ter contribuído negativamente em 20 milhões de euros para os resultados de 2025;
  • O banco português classifica as participações em Moçambique e Angola como “não estratégicas”;
  • Qualquer decisão será previamente comunicada à Caixa Geral de Depósitos (CGD), accionista maioritária do BCI;
  • O caso reabre o debate sobre risco soberano, banca e investimento estrangeiro em Moçambique.

O Banco Português de Investimento (BPI) admitiu esta segunda-feira a possibilidade de vender a sua participação no Banco Comercial e de Investimentos (BCI), em Moçambique, após a subsidiária ter registado uma contribuição negativa de 20 milhões de euros para os resultados consolidados do grupo em 2025, num contexto de agravamento do risco associado à dívida pública moçambicana.

Participações classificadas como “não estratégicas”

Falando em conferência de imprensa, em Lisboa, para apresentação dos resultados de 2025, o presidente executivo do Banco BPI, João Pedro Oliveira e Costa, afirmou que as participações do banco em Angola e Moçambique não integram o núcleo estratégico do grupo.

“Quando digo publicamente que estas participações não são estratégicas, isso significa que estou disponível para vender”, declarou, respondendo a questões colocadas pelos jornalistas, sem, contudo, avançar prazos concretos ou condições específicas para uma eventual alienação.

Resultados pressionados por Angola e Moçambique

Em 2025, o BPI registou lucros consolidados de 512 milhões de euros, uma queda de 13% face ao exercício anterior. Segundo a administração, esta redução foi explicada sobretudo pelo desempenho das participações em África.

No caso de Angola, o Banco de Fomento Angola (BFA) contribuiu positivamente com 43 milhões de euros, mais quatro milhões do que em 2024. Em contraste, o BCI, em Moçambique, registou uma contribuição negativa de 20 milhões de euros, depois de ter apresentado um resultado positivo de 38 milhões no ano anterior.

De acordo com o BPI, a deterioração do contexto macroeconómico e da dívida pública moçambicana esteve na base deste desempenho desfavorável.

Venda condicionada à CGD e críticas ao enquadramento institucional

Apesar da abertura à venda, Oliveira e Costa garantiu que qualquer decisão relacionada com o BCI será previamente comunicada à Caixa Geral de Depósitos, accionista maioritária da instituição moçambicana.

“Não tomaremos nenhuma decisão sem informação prévia à CGD”, afirmou, acrescentando que o banco não pretende adoptar movimentos que possam gerar instabilidade no sistema financeiro moçambicano.

O presidente do BPI aproveitou ainda a ocasião para criticar a forma como as autoridades moçambicanas têm tratado o banco, sem, no entanto, detalhar episódios concretos, deixando implícita a existência de constrangimentos institucionais e regulatórios.

Ajustamento do portefólio africano

A eventual saída do BCI surge em linha com a estratégia recente do BPI de reduzir a sua exposição em África. Em Setembro, o banco vendeu 14,75% da sua participação no BFA, numa operação que gerou cerca de 103 milhões de euros, passando a deter 33,4% do capital.

No caso moçambicano, o BPI detém 35,67% do BCI, sendo o restante capital maioritariamente controlado pela CGD. Uma eventual alienação obrigará, assim, a uma redefinição do equilíbrio accionista e poderá ter implicações relevantes para o posicionamento do banco no mercado financeiro nacional.

Um sinal para o mercado financeiro moçambicano

A intenção manifestada pelo BPI reabre o debate sobre o impacto do risco soberano, da previsibilidade regulatória e da estabilidade macroeconómica na atracção e retenção de investimento estrangeiro no sector financeiro moçambicano. Embora não exista, para já, uma decisão formal, o simples reconhecimento público de que a participação no BCI não é estratégica constitui um sinal relevante para investidores, reguladores e decisores de política económica.

Num contexto em que Moçambique procura reforçar a confiança externa e estabilizar as suas finanças públicas, a evolução deste dossier será acompanhada de perto pelo mercado, pelo sector bancário e pelas autoridades nacionais.

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