• Crescimento de novos negócios consolida-se pela primeira vez desde Julho.
  • Criação de emprego abranda e a aquisição de meios de produção regista uma queda.
  • PMI sugere que o crescimento económico poderá acelerar neste último trimestre do ano

Depois de registar, em Outubro, o valor mais baixo dos últimos 7 meses, o crescimento de novos negócios consolida-se pela primeira vez desde Julho, enquanto que a criação de emprego abranda e a aquisição de meios de produção regista uma queda. Estes são as constatações mais significativas da última pesquisa periódica sobre a tendência do mercado, o PMI do Standard Bank.

Com efeito, o PMI Moçambique, constata que a economia do sector privado conseguiu evitar uma contração em Novembro, uma vez que uma melhoria no crescimento de novos negócios ajudou a sustentar a expansão em termos de produção e emprego. A recuperação seguiu-se a um crescimento quase nulo das condições das empresas em Outubro.

Entretanto, segundo o PMI, apesar da melhoria, as empresas limitaram as suas aquisições no último mês, contribuindo, assim, para o abrandamento da inflação dos custos de aquisição, que foi a mais lenta desde Março.

O principal valor calculado pelo inquérito é o Purchasing Managers’ Index™ (PMI™). Valores acima de 50,0 apontam para uma melhoria nas condições das empresas no mês anterior, ao passo que valores abaixo de 50,0 mostram uma deterioração. Em Novembro, o principal indicador do PMI aumentou para 50,8 após ter registado em Outubro uma quebra para o nível mais baixo dos últimos nove meses de 50,1. A aceleração do índice sugere que a economia do sector privado continuou a crescer, com a expansão a acelerar-se pela primeira vez desde Abril.

As empresas moçambicanas associaram, essencialmente, tal situação a uma forte subida do fluxo de novas encomendas, após ter sido registado apenas um aumento ligeiro no início do quarto trimestre. Os membros do painel atribuíram a recuperação a novos clientes e ao aumento da procura. Posto isto, o crescimento das vendas limitou-se aos sectores da construção e dos serviços, uma vez que as novas encomendas registaram uma queda no sector industrial e no comércio por grosso e a retalho e permaneceram praticamente inalteradas na agricultura. A actividade empresarial global também se expandiu de forma mais acentuada em Novembro, embora o crescimento tenha sido moderado e, mais uma vez, impulsionado principalmente pela construção e serviços. Já a produção tem agora aumentado todos os meses desde Fevereiro. O número de postos de trabalho também aumentou no penúltimo mês do ano, à medida que as empresas procuravam fazer face a volumes de trabalho mais elevados e reforçar a mão de obra. No entanto, com alguns membros do painel a verificarem cortes a nível de pessoal, a taxa global de subida no emprego abrandou para o nível mais baixo dos últimos seis meses. O aumento do número de trabalhadores permitiu às empresas reduzir o número de encomendas em atraso a um ritmo sólido e mais rápido. Em Novembro, foram registados esforços de redução de custos ao nível das aquisições, uma vez que as empresas moçambicanas registaram, durante três meses, uma segunda redução na compra de meios de produção. Apesar disto, e em parte associado à anterior compra excessiva de meios de produção e entregas mais rápidas, os níveis de stock aumentaram de forma ligeira e ao ritmo mais acelerado desde Julho. Os prazos de entrega continuaram a diminuir, embora em menor grau do que em Outubro. A queda nas aquisições seguiu-se a um período de inflação acentuada dos custos dos meios de produção no início do ano. Contudo, os dados referentes ao mês de Novembro assinalaram que a queda da procura por meios de produção influenciou estas pressões sobre os preços. Os preços globais dos meios de produção aumentaram ao ritmo mais lento durante oito meses, enquanto o crescimento salarial aumentou a partir de Outubro. Ao mesmo tempo, os preços médios cobrados pelas empresas moçambicanas aumentaram ligeiramente e ao ritmo mais lento durante dez meses. Por último, as expectativas de produção futura baixaram pela primeira vez desde Julho, mas continuam a ser encaradas com otimismo. A maioria das empresas (52%) espera que a atividade aumente ao longo do próximo ano, na esperança de que consigam expandir as suas instalações, linhas de produtos e números de clientes.

Relativamente aos resultados do inquérito, Fáusio Mussá, Economista Chefe do Standard Bank – Moçambique, afirmou:

“O PMI do Standard Bank Moçambique subiu pela primeira vez em sete meses, para 50,8 em Novembro, de 50,1 em Outubro. Este cenário reflete a aceleração do crescimento da produção, o aumento de novas encomendas, o aumento dos stocks de aquisições e o aumento de encomendas para exportação. Todos estes aspetos sugerem que, apesar das actuais pressões inflacionárias, a economia continua a mostrar sinais de resiliência.

 “Tendo permanecido acima do valor de referência de 50 desde Fevereiro, o PMI sugere que o crescimento económico poderá acelerar neste último trimestre do ano, sendo estimulado por um forte desempenho no setor mineiro, em particular no carvão, que continua a registar um forte crescimento da produção. “O subíndice de emprego sofreu uma redução, mas permaneceu acima do nível de 50, sugerindo que a criação de emprego permanece baixa, o que, juntamente com o aumento dos custos com pessoal, sugere que as pressões relativas aos custos limitam as contratações.

 “Apesar do início das exportações da plataforma flutuante de GNL Coral Sul em Novembro, que ao longo do tempo deverá contribuir para reforçar as exportações de Moçambique e deverá contribuir para o fisco, constatamos um declínio no subíndice das expectativas futuras. Tal poderá reflectir perspetivas de crescimento mais fracas fora do sector mineiro e agrícola, à medida que a política monetária se torna mais restritiva para ajudar a combater a inflação. Além disso, as reformas de consolidação fiscal no âmbito do programa com o FMI implicam um ajuste orçamental no próximo ano.”

O principal valor é o Purchasing Managers’ Index™ (PMI). O PMI baseia-se na média ponderada dos cinco índices seguintes: Novas encomendas (30%), Produção (25%), Emprego (20%), Prazos de entrega dos fornecedores (15%) e Stocks de aquisições (10%).

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