COSATU Alerta Para Risco De Encerramento Da Mozal E Impacto Económico Regional

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Questões-Chave:
  • A central sindical sul-africana COSATU alerta para o risco de encerramento ou suspensão das operações da Mozal;
  • A decisão poderá afectar directamente cerca de 5.200 postos de trabalho em Moçambique e mais de 22.000 empregos indirectos na África do Sul;
  • O custo da electricidade é identificado como o principal factor de pressão sobre a viabilidade da empresa;
  • O acordo energético com a Eskom expira em Março de 2026, exigindo soluções urgentes de curto e longo prazo.

A Confederação Sindical da África do Sul, Congress of South African Trade Unions (COSATU), manifestou forte preocupação com a possibilidade de suspensão ou encerramento das operações da Mozal, em Maputo, alertando para os impactos económicos e sociais significativos que uma eventual decisão desta natureza poderá ter tanto em Moçambique como na África do Sul.

Risco Industrial Com Impacto Transfronteiriço

Segundo a COSATU, o eventual encerramento da Mozal colocaria em risco cerca de 5.200 empregos directos em Moçambique e aproximadamente 22.000 postos de trabalho indirectos na África do Sul, ligados a actividades a jusante da cadeia de valor do alumínio. A central sindical sublinha que este cenário teria consequências graves num contexto regional já marcado por elevados níveis de desemprego, em particular na África do Sul, onde a taxa ronda os 42,4%.

A organização destaca ainda que as economias dos dois países estão profundamente interligadas, considerando a Mozal um activo estratégico não apenas para Moçambique, mas para a integração económica regional.

Electricidade No Centro Da Pressão Sobre A Mozal

O comunicado identifica o preço da electricidade como o principal factor que compromete a viabilidade da Mozal. A empresa, um utilizador intensivo de energia, tem historicamente beneficiado de tarifas preferenciais provenientes da Hidroeléctrica de Cahora Bassa e da Eskom.

Contudo, a COSATU sublinha que a Cahora Bassa enfrenta constrangimentos associados à seca prolongada na região, enquanto a Eskom atravessa um processo de reestruturação financeira, após anos de dificuldades operacionais e financeiras. O actual acordo de fornecimento energético entre a Eskom e a Mozal termina no final de Março de 2026, criando um horizonte de incerteza para a continuidade das operações.

Pressão Por Soluções De Curto E Longo Prazo

A central sindical defende a adopção urgente de uma solução de curto prazo, que permita garantir a continuidade das operações da Mozal até ao término do acordo vigente, paralelamente à construção de uma solução estrutural de longo prazo que responda aos desafios enfrentados não apenas pela Mozal, mas por toda a indústria intensiva em energia na região.

Neste contexto, a COSATU apela à actuação concertada dos accionistas da Mozal — South32, Industrial Development Corporation e o Governo de Moçambique — em coordenação com a Eskom e o Governo sul-africano.

Mozal Como Activo Económico Estratégico

Para a COSATU, a Mozal constitui um pilar fundamental da base industrial de Maputo e um elemento-chave da integração económica regional. A central sindical considera que a perda desta unidade industrial representaria um retrocesso significativo para os esforços de industrialização, criação de emprego e crescimento económico sustentável em ambos os países.

O comunicado conclui sublinhando que a definição de um regime tarifário de electricidade mais acessível é central para desbloquear o crescimento económico, proteger empregos existentes e criar novas oportunidades de trabalho, apelando a uma intervenção urgente ao mais alto nível político e institucional.

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