Dependência de décadas dos mercados petrolíferos em relação à China pode estar a terminar

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  • A procura de petróleo por parte da China deverá atingir o seu pico no final da década – e com a sua recuperação económica ainda no limbo, até que ponto podem os mercados petrolíferos mundiais continuar a depender da China?
  • O Presidente da Facts Global Energy prevê que, nos próximos três a cinco anos, a procura de petróleo na China atingirá o seu pico. A Wood Mackenzie tem as mesmas projecções.

 

Vista aérea da refinaria de petróleo de Jiujiang da China Petroleum & Chemical Corp. (Sinopec).

A procura de petróleo por parte da China poderá atingir o seu pico até ao final da década – e com a sua recuperação económica ainda no limbo, poderão os mercados petrolíferos mundiais continuar a depender da China?

“Durante 20 anos, o mercado do petróleo dependeu da China, da China, da China, para apoiar os mercados. Esta história está a chegar ao fim”, afirmou o Presidente da Facts Global Energy, Fereidun Fesharaki, numa recente conferência sobre energia.

Fereidun Fesharaki, Presidente da Facts Global Energy

Fereidun Fesharaki, Presidente da Facts Global Energy, numa recente conferência sobre energia, previu que a procura chinesa de petróleo atingirá o seu pico nos próximos três a cinco anos.

“Nos mercados globais [do petróleo], temos de olhar para países como a Índia ou outros impérios para criar a resiliência do lado da procura”, acrescentou Fesharaki.

Do mesmo modo, a Wood Mackenzie prevê que a procura de petróleo na China atinja o seu pico em 2027, após o que se seguirá uma queda prolongada da procura de crude.

“A procura de petróleo na China atingirá o seu pico em 2027 e, a partir daí, entrará em declínio a longo prazo, à medida que o país prossegue activamente a transição energética (…) e que o crescimento económico geral abranda a longo prazo”, disse Shiqing Xia, consultor de petróleo e produtos químicos da Wood Mackenzie, à CNBC.

“Fora da China, a procura global de petróleo na Índia e noutras economias emergentes do Sudeste Asiático [continuará] a crescer até ao início da década de 2040”, disse Shiqing Xia -Consultor de Petróleo e Produtos Químicos, Wood Mackenzie

Em 2020, a China estabeleceu o objectivo de ser neutra em termos de carbono até 2060 e afirmou que se esforçará por atingir o pico das emissões de carbono até 2030. Tal como Fesharaki, Xia espera que a Índia venha a compensar a procura de crude da China.

A Índia deverá ultrapassar a China como o maior centro de crescimento da procura de petróleo no final da década, disse o director de investigação.

“Fora da China, a procura global de petróleo na Índia e noutras economias emergentes do Sudeste Asiático [continuará] a crescer até ao início da década de 2040”, acrescentou.

“Durante as próximas duas décadas, o motor de crescimento da Ásia será a Índia e o Sudeste Asiático”, projectou.

A economia da Índia cresceu 7,8% no trimestre que terminou em Junho, registando o ritmo de crescimento mais rápido num ano. Prevê-se também que o País se torne a terceira maior economia até 2030.

De acordo com a Autoridade Internacional da Energia (AEI), o carvão continua a ser a maior componente do cabaz energético da China, com 55%. O petróleo e outros líquidos representam 19%, enquanto os combustíveis de queima mais limpa representam percentagens relativamente menores.

“No entanto, o consumo de gás natural, energia nuclear e energias renováveis aumentou de forma constante entre 2001”, refere a AIE no relatório datado do final de 2022.

Talvez dentro de algumas décadas?

Nem todos concordam que a procura de petróleo na China atingirá o seu pico em breve. Alguns analistas são da opinião de que o prazo será superior a alguns anos – talvez mesmo décadas.

“A China tem um objectivo de emissões líquidas nulas de carbono até 2060, altura em que espero que a sua procura de crude diminua à medida que se aproxima gradualmente desse prazo”, afirmou o director da LSEG Oil Research in Asia, Yaw Yan Chong.