Dólar cai após confiança fraca dos consumidores e preocupações económicas

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Dólar cai após confiança fraca dos consumidores e preocupações económicas

O dólar registou uma queda significativa na terça-feira, 25 de fevereiro, pressionado por uma leitura fraca sobre a confiança do consumidor dos EUA e uma redução nos rendimentos das obrigações do Tesouro norte-americano. O índice do Conference Board caiu sete pontos, atingindo 98,3, abaixo da estimativa de 102,5, o que gerou incertezas no mercado cambial e levou investidores a repensar suas estratégias em relação à moeda norte-americana.

Motivos para a desvalorização do dólar

A principal razão para a queda do dólar foi o recuo na confiança do consumidor dos EUA, o que indica uma possível desaceleração da economia norte-americana. Brian Jacobsen, economista-chefe da Annex Wealth Management, destacou que, apesar da melhoria na avaliação da situação actual, as expectativas futuras dos consumidores são negativas, o que pode impactar o comportamento dos mercados financeiros e de consumo.

Outro factor que contribuiu para a desvalorização foi a queda nos rendimentos das notas do Tesouro a 10 anos, que caíram 8,9 pontos base para 4,304%, atingindo o menor nível em dois meses e meio. Essa redução sugere uma maior aversão ao risco por parte dos investidores, que buscam alternativas mais seguras em meio às incertezas económicas globais.

Impacto global e reacção dos mercados

O índice do dólar, que mede a força da moeda em relação a uma cesta de divisas, recuou 0,39% para 106,33, enquanto o euro subiu 0,37%, sendo cotado a US$ 1,0505. Além disso, a moeda norte-americana enfraqueceu 0,44% frente ao yen japonês e 0,5% em relação ao franco suíço. O dólar chegou a atingir uma baixa de quatro meses e meio contra o yen (148,56) e uma mínima de nove semanas contra o franco suíço (0,8913).

A libra esterlina também se valorizou 0,3%, atingindo US$ 1,2662, impulsionada pelo compromisso do primeiro-ministro britânico Keir Starmer de aumentar os gastos com defesa para 2,5% do PIB até 2027. Essa decisão reforça a confiança na economia do Reino Unido e fortalece a moeda britânica perante a incerteza global.

No mercado de criptomoedas, o bitcoin sofreu uma desvalorização de 7,78%, sendo cotado a US$ 86.669,58, refletindo o aumento da aversão ao risco entre os investidores. Esse declínio também foi influenciado pelo recente ataque hacker à bolsa Bybit, que comprometeu a confiança no setor das criptomoedas.

Efeitos das políticas económicas e comerciais dos EUA

A incerteza sobre o crescimento económico dos EUA também aumentou devido às tarifas comerciais previstas para entrar em vigor na próxima semana contra o Canadá e o México. Donald Trump reafirmou que as tarifas serão aplicadas conforme planeado, o que pode agravar as tensões comerciais e afectar a recuperação económica global.

Joseph Trevisani, analista sénior da FXStreet, afirmou que os mercados em geral não gostam de tarifas e que qualquer movimentação agressiva nesse sentido pode criar um efeito cascata de incerteza nos mercados cambiais e de investimento.

O Secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, alertou que, apesar dos indicadores económicos aparentemente estáveis, a economia dos EUA enfrenta vulnerabilidades significativas, incluindo a volatilidade das taxas de juro e a inflação persistente. Ele também destacou que o crescimento do emprego tem sido impulsionado pelo sector público, um fator que pode limitar a recuperação sustentada do mercado de trabalho no País.

Perspectivas futuras e reacção dos investidores

Diante deste cenário, os investidores estão a monitorar de perto os próximos movimentos da Reserva Federal dos EUA. O Presidente da Reserva Federal de Richmond, Tom Barkin, reforçou a necessidade de uma abordagem cautelosa na política monetária, afirmando que o banco central esperará sinais claros de que a inflação está a convergir para a meta de 2% antes de tomar novas decisões.

A volatilidade do dólar pode continuar no curto prazo, dependendo da evolução das políticas económicas e das incertezas comerciais. Enquanto isso, a crescente procura por ativos de refúgio, como o franco suíço e o yen japonês, sugere que o mercado financeiro global permanece em alerta para possíveis mudanças na estabilidade económica dos EUA e do mundo.

 

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