
Dólar Sobe ao Nível Mais Alto em Três Meses com Menor Probabilidade de Novo Corte de Juros
Divisão na Reserva Federal e falta de dados oficiais devido à paralisação do governo norte-americano levam os investidores a rever apostas em cortes adicionais de taxas até ao final do ano.
- O índice do dólar atingiu o ponto mais alto em três meses, sustentado pela revisão em baixa das expectativas de novos cortes de juros nos EUA;
- A probabilidade de um novo corte em Dezembro caiu de 94% para 65%, segundo o CME FedWatch;
- O euro e a libra caíram para os níveis mais baixos em três e cinco meses, respectivamente;
- O iene japonês continua fraco, e o dólar australiano recuou após decisão cautelosa do banco central da Austrália (RBA).
O dólar norte-americano atingiu, esta terça-feira, o seu valor mais alto em três meses, à medida que os investidores reavaliam a probabilidade de novos cortes de juros pela Reserva Federal (Fed), num contexto de divergência entre membros do banco central e ausência de dados económicos oficiais devido à paralisação parcial do governo dos Estados Unidos.
O índice do dólar, que mede o desempenho da moeda norte-americana face a seis divisas principais, subiu 0,1% para 99,99 pontos, o nível mais elevado desde Julho. O fortalecimento da moeda resulta da redução das apostas em novos cortes de taxas pela Fed, após o presidente Jerome Powell indicar que o corte decidido na semana passada poderá ser o último deste ano.
De acordo com o CME FedWatch Tool, os mercados atribuem agora 65% de probabilidade a um novo corte em Dezembro, contra 94% há apenas uma semana, reflectindo uma mudança significativa na percepção dos investidores.
A incerteza é agravada pela falta de dados económicos oficiais, dado que o prolongamento do shutdown federal suspendeu a divulgação de indicadores críticos, como os do Bureau of Labor Statistics. “Sem a publicação dos dados oficiais, torna-se difícil prever cortes adicionais e ganhos materiais do dólar”, observou Carol Kong, estratega cambial do Commonwealth Bank of Australia (CBA).
Enquanto isso, o euro caiu para o mínimo de três meses, fixando-se em 1,1514 USD, e a libra esterlina recuou 0,13% para 1,312 USD, o menor nível em cinco meses. O iene japonês manteve-se frágil, próximo de 154 por dólar, num ambiente em que os investidores continuam atentos a uma possível intervenção de Tóquio para estabilizar a moeda.
O dólar australiano, por sua vez, registou uma ligeira queda após a decisão do Banco da Reserva da Austrália (RBA) de manter a taxa directora inalterada em 3,6%, justificando a prudência com o risco de inflação persistente, a forte procura interna e a retoma do mercado imobiliário.
“O tom cauteloso e as novas previsões do RBA confirmam que o banco central deverá manter as taxas inalteradas por algum tempo”, observou Carol Kong, sublinhando que a inflação subjacente australiana foi revista em alta, de 2,6% para 3,2% até ao final do ano.
Nos Estados Unidos, as preocupações com o impacto económico do shutdown, o enfraquecimento do sector industrial e o prolongamento da incerteza fiscal alimentam a percepção de risco, mas continuam a sustentar o dólar como activo de refúgio.
De acordo com o inquérito do Institute for Supply Management (ISM), o sector industrial norte-americano contraiu-se pelo oitavo mês consecutivo em Outubro, sinalizando que “não há fim à vista para a estagnação”, alertaram analistas do MUFG Bank.
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