Fed Sobe Juros Para 3,75%-4,00% E Sinaliza Novo Aumento Ainda Este Ano

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• Decisão unânime marca a primeira subida desde Julho de 2023, num contexto de inflação persistente, petróleo caro e economia ainda robusta.

Questões-Chave:
  • A Reserva Federal aumentou a taxa directora em 25 pontos-base, para um intervalo entre 3,75% e 4,00%;
  • A decisão representa a primeira subida dos juros nos Estados Unidos desde Julho de 2023;
  • Dezasseis dos 18 responsáveis que apresentaram projecções antecipam pelo menos mais um aumento das taxas ainda em 2026;
  • A Fed reviu em alta a previsão de inflação, enquanto manteve uma avaliação relativamente positiva sobre o crescimento económico e o mercado de trabalho;
  • As projecções apontam para uma taxa directora mediana de 4,1% no final de 2026, sinalizando a possibilidade de novo aperto monetário;
  • O dólar valorizou e os rendimentos dos títulos do Tesouro norte-americano de curto prazo subiram após a decisão;
  • A Fed justificou a subida com a inflação ainda elevada e destacou a resiliência da actividade económica, do consumo interno e do investimento.

A Reserva Federal norte-americana aumentou esta quarta-feira, 16 de Setembro, a sua taxa directora em 25 pontos-base, para o intervalo de 3,75%-4,00%, marcando a primeira subida dos juros nos Estados Unidos desde Julho de 2023.

A decisão foi tomada por unanimidade pelos 12 membros votantes do Federal Open Market Committee, FOMC, e constitui também a primeira alteração da política monetária sob a liderança de Kevin Warsh, que assumiu a presidência da Fed no final de Maio.

O banco central justificou a medida com a persistência da inflação e com a avaliação de que a actividade económica continua suficientemente forte para suportar condições monetárias mais restritivas.

A combinação entre tarifas sobre importações, subida dos preços da energia e forte investimento associado à inteligência artificial tem mantido pressões sobre os preços, levando a Fed a concluir que era necessário voltar a apertar a política monetária.

Fed Vê Economia Mais Forte

Kevin Warsh afirmou que os dados mais recentes mostram uma economia que ganhou força, destacando a resiliência da despesa doméstica, o crescimento da produtividade e o investimento de capital.

Segundo o presidente da Fed, as condições financeiras gerais dificilmente poderiam ser descritas como restritivas, razão pela qual o banco central decidiu retirar parte do grau de acomodação ainda existente na política monetária.

No comunicado divulgado após a reunião, o FOMC voltou a sublinhar que a inflação permanece acima da meta de 2%.

A Fed reviu igualmente em alta a sua projecção para a inflação medida pelo índice PCE, para 3,7% em 2026, contra 3,6% antecipados em Junho.

A previsão para o crescimento económico foi revista de 2,2% para 2,3%, enquanto a taxa de desemprego é agora projectada em 4,1% no final do ano, abaixo dos 4,3% anteriormente estimados.

Maioria Prevê Novo Aumento

As novas projecções divulgadas após a reunião mostraram que 16 dos 18 responsáveis que apresentaram previsões esperam pelo menos mais uma subida de 25 pontos-base ainda este ano.

Apenas dois antecipam que a taxa permaneça inalterada a partir do nível actual.

As projecções apontam para uma taxa de referência no intervalo de 4,00%-4,25% no final de 2026, mantendo-se nesse nível em 2027.

Os mercados financeiros também passaram a atribuir uma elevada probabilidade a um novo aumento. Os futuros de taxas apontavam para cerca de 90% de probabilidade de nova subida de 25 pontos-base até ao final do ano.

A decisão confirma uma mudança significativa na trajectória esperada para a política monetária norte-americana.

Depois de vários meses em que os mercados discutiam sobretudo quando a Fed poderia voltar a reduzir os juros, a atenção deslocou-se para a possibilidade de um novo ciclo de aumentos.

Inflação Continua Acima Da Meta

A principal preocupação da Fed permanece a evolução dos preços.

O banco central retirou do comunicado a referência anterior que atribuía grande parte da inflação recente a choques de oferta, incluindo o aumento dos preços da energia.

A alteração sugere uma preocupação crescente de que as pressões inflacionistas estejam a tornar-se mais amplas e menos concentradas em sectores específicos.

Warsh afirmou que a inflação permanece elevada e que a subida dos juros deverá contribuir para um regresso mais rápido à meta de 2%.

As projecções divulgadas pelo banco central indicam que a inflação poderá regressar ao objectivo apenas em 2029, um ano mais tarde do que anteriormente estimado.

Petróleo Mantém Pressão Sobre Os Preços

O aumento dos preços da energia continua, entretanto, a constituir uma das principais fontes de pressão inflacionista.

O preço internacional do petróleo ultrapassou recentemente US$109 por barril, depois de negociar próximo de US$86 no final de Agosto, num contexto de crescente instabilidade no Médio Oriente.

A subida do petróleo tem impacto directo sobre combustíveis e transportes e pode também transmitir-se para os custos de produção e distribuição de vários bens e serviços.

Warsh reconheceu que a Fed não pode influenciar directamente preços individuais, como petróleo ou alimentos, mas sublinhou que o banco central pode actuar para impedir que estes aumentos se disseminem pelo conjunto da economia.

Dólar E Treasuries Reagem

Os mercados financeiros reagiram imediatamente à decisão e, sobretudo, às novas projecções para os juros.

O dólar valorizou-se de forma generalizada após a divulgação do comunicado, enquanto as yields das Treasuries a dois anos, particularmente sensíveis às expectativas de política monetária, subiram para máximos de mais de dois anos.

As yields das obrigações norte-americanas a dez anos chegaram recentemente a 5,04%, o nível mais elevado desde 2007, antes de recuarem ligeiramente.

A evolução reflecte a expectativa de que os juros possam permanecer elevados durante mais tempo do que anteriormente previsto.

Bancos Elevam Prime Rate Para 7%

A subida da taxa da Fed começou igualmente a reflectir-se no custo do crédito doméstico.

JPMorgan, KeyCorp e BNY aumentaram as respectivas prime lending rates de 6,75% para 7%, afectando a referência utilizada para vários tipos de empréstimos, incluindo cartões de crédito e financiamento pessoal.

As taxas das hipotecas também permanecem elevadas. A taxa média de uma hipoteca fixa a 30 anos situava-se em aproximadamente 6,76%, enquanto a taxa a 15 anos rondava 6,09%.

O impacto será mais directo sobre novos compradores de habitação, famílias que pretendam refinanciar empréstimos e consumidores expostos a crédito com taxa variável.

Trump Volta A Defender Juros Mais Baixos

A decisão da Fed foi recebida com críticas do Presidente Donald Trump, que voltou a defender que as taxas de juro norte-americanas deveriam situar-se em cerca de 1% ou abaixo desse nível.

Trump tem defendido repetidamente cortes mais agressivos para reduzir os custos de financiamento e estimular a economia.

Apesar das críticas, Warsh classificou o aumento como a decisão correcta, sustentando que a persistência da inflação exige uma política monetária mais restritiva.

A decisão unânime do FOMC reforça igualmente a indicação de que existe amplo consenso dentro do banco central quanto à necessidade de combater as pressões inflacionistas.

Mercados Passam A Olhar Para A Próxima Reunião

Depois da decisão de Setembro, as atenções deslocam-se agora para os próximos dados de inflação, emprego e actividade económica.

Uma manutenção da actual força do consumo e do mercado de trabalho, combinada com preços elevados da energia, poderá reforçar a possibilidade de nova subida ainda este ano.

Por outro lado, uma desaceleração da inflação ou uma moderação significativa da actividade poderá permitir à Fed interromper temporariamente o ciclo de aperto.

Por enquanto, contudo, a mensagem deixada pela reunião é clara: a luta contra a inflação voltou a colocar a subida dos juros no centro da política monetária norte-americana, e a Fed admite que o movimento iniciado em Setembro poderá ainda não ter terminado.

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