A Argélia é vista pela opinião pública internacional como um País que serve de modelo para a forma como outros países ricos em gás em África podem aproveitar os seus recursos para estimular o desenvolvimento em vários sectores da economia.

Mas o que fez concretamente a Argélia?

O país posicionou o seu sector do gás como um motor essencial da diversificação económica, utilizando as receitas geradas pelas exportações de gás natural liquefeito (GNL) para promover a industrialização e a electrificação, reforçando simultaneamente a sustentabilidade através do desenvolvimento das energias renováveis.

Promoção do desenvolvimento das energias renováveis

Com a falta de investimento a representar uma barreira importante para a maioria dos países africanos na sua transição para um futuro de energia limpa, a Argélia está a aproveitar as receitas geradas pelas exportações de GNL para aumentar a contribuição das energias renováveis no cabaz energético do país. O país é o quinto maior exportador de GNL a nível mundial, com receitas que atingem um recorde de 50 mil milhões de dólares só em 2022. O gás contribui para 19% do crescimento do Produto Interno Bruto da Argélia e representa 93% do total das exportações. Com estas receitas, o país está a acelerar a implementação de um ambicioso plano para produzir entre 30% e 40% da electricidade a partir de energias renováveis até 2030.

A Companhia Nacional de Petróleo da Argélia (NOC) Sonatrach já direcciona os lucros gerados pela venda de petróleo e gás para financiar a sua estratégia em matéria de energias renováveis. A NOC aumentou o seu investimento em energias renováveis em 82% entre 2017 e 2018 e, desde então, tem direccionado capital para o desenvolvimento de projectos solares de grande escala no país. O Governo argelino lançou dois concursos de energia solar distintos em 2019 e 2022, ao mesmo tempo que liderou o desenvolvimento de instalações de fabrico de energia solar no país. As fábricas estão agora a funcionar na zona industrial de Boukherana e na província de Ouargla.

Para além de fornecer capital para o lançamento de projectos, o sector dos hidrocarbonetos forneceu conhecimentos especializados ao florescente sector das energias renováveis, com empresas como a Sonatrach, a distribuidora de gás e a empresa de serviços públicos Sonelgaz e a Companhia Argelina de Energia a dominarem as indústrias da energia solar e do hidrogénio verde.

A Sonatrach encetou uma série de novas parcerias, como a com a TotalEnergies, para solarizar os locais de exploração e produção de petróleo e gás. As duas empresas concordaram igualmente em realizar um estudo para avaliar o potencial de desenvolvimento do hidrogénio verde para exportação. Em Novembro de 2022, a NOC também colaborou com a Eni no desenvolvimento da instalação solar Bir Rebaa North de 10 MW, bem como com uma instituição de investigação e desenvolvimento de energias renováveis.

Como o gás continua a representar uma elevada fonte de receitas para o País, novos desenvolvimentos no domínio das energias renováveis estão no horizonte. Miloud Medjelled, Director do Ministério da Energia e das Minas da Argélia, afirma que o aumento das exportações de gás argelino, impulsionado pelo aumento da procura na Europa em 2023, representa uma oportunidade para o País angariar os fundos necessários para atingir 15 000 MW de energias renováveis no cabaz energético até 2035.

Estimular a diversificação económica

Não obstante as contribuições para o sector das energias renováveis, as receitas geradas pelo gás permitiram à Argélia acelerar o crescimento económico e a diversificação. No que respeita à electrificação, a produção de energia a partir do gás dotou o país de uma das mais elevadas taxas de acesso à electricidade a nível continental, com 99,8% da população ligada.

No que diz respeito às infra-estruturas, o investimento em petróleo e gás, bem como as exportações de GNL, aceleraram a construção de estradas, portos, terminais, instalações de processamento e outros desenvolvimentos significativos de infra-estruturas que estão a ser utilizados para apoiar o crescimento da economia argelina. A indústria também catalisou enormemente a industrialização, com as indústrias intensivas em energia, como a indústria transformadora e a mineira, a beneficiarem de um abastecimento estável de combustível.

Além disso, ao atrair investimentos directos estrangeiros para o país, o sector dos hidrocarbonetos continua a impulsionar a criação de emprego e o fluxo de tecnologia e capital, todos eles vitais para apoiar o crescimento de outras indústrias, como a agricultura, a educação e a saúde.

À medida que outros países, como Moçambique, avançam com projectos de gás em grande escala, a Argélia serve como um excelente exemplo de como o gás pode ser utilizado para acelerar o crescimento económico e a resiliência climática.

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