• Numa primeira fase deverão ser investidos US$ 20 mil milhões

Através da sua subsidiária, a Afrochine Smelting (Private) Limited, segundo maior fabricante de produtos de aço inoxidável da China, o Grupo chines Tsingshan vai investir 40 mil milhões de dólares na implantação de um parque industrial a ser localizado nos distritos de Dondo e Muanza, Província de Sofala, no centro do País.
O acordo de princípios foi rubricado na manha desta quarta-feira, 14/06, em Maputo, abrindo portas para a consumação do projecto de investimento denominado “Mozambique Green Industrial Park”.
As fases subsequentes incluem a apreciação do projecto, agora, sob ponto de vista da legislação de investimentos vigente no país, quer dizer, “a avaliação do quadro de incentivos fiscais e garantias aplicáveis ao empreendimento, em conformidade com o previsto na legislação sobre investimentos vigente”.

Assinaram o acordo de princípio, pela parte do Governo, através do Ministério da Indústria e Comércio, o Secretário Permanente Jorge Jaioroce e pela parte da Eternal Tsingshan Group em Moçambique, o seu Director em Moçambique, Jianqiang Sun.

O projecto cujo objecto consiste na construção e subsequente exploração de um Parque Industrial, bem como a construção de um porto marítimo para a exportação de bens manufacturados, deverá gerar, numa primeira fase 10 000 postos de empregos nacionais.

Ministro da Indústria e Comércio, Silvino Moreno

Uma fonte do O.Económico, disse que uma das particularidades do Mozambique Green Industrial Park, é que ele será totalmente verde, ou seja, alimentado exclusivamente por fontes de energia renovável. Sem dar detalhes sobre o cronograma geral do investimento, a nossa fonte indicou-nos que o projecto será implementado de forma faseada, mas que num primeiro momento absorverá 20 mil milhões de dólares.
“A aprovação final e subsequente implementação deste Projecto constituirá um ganho inquestionável para o nosso País, pois, o empreendimento enquadra-se e está em sintonia com o Programa Nacional Industrializar Moçambique (PRONAI), iniciativa do Governo tendo como objectivo contribuir para o aumento da produção industrial nacional, privilegiando o uso da matéria-prima local, estimular a produção, comercialização, bem como contribuir para a transformação rural e gerar emprego e renda, em especial para jovens e mulheres, com a participação do sector privado nacional e estrangeiro”, Disse Silvino Moreno, Ministro da Indústria e Comércio, que testemunhou o acto.

O governante afirmou que a proposta de construção de um Parque Industrial Verde pelo Grupo Tsingshan está devidamente alinhada com as politicas e estratégias sectoriais orientadas à construção e/ou revitalização de infraestruturas que contribuam para industrialização, no contexto do PRONAI, que inclui Zonas Económicas Especiais, Centros de Processamento, Incubadoras Industriais, entre outras.
Jianqiang Sun, representante da Eternal Tsingshan Group, disse que o investimento contempla a construção de uma ferrovia, infraestruturas de energia e um porto em Dondo, para o escoamento da produção.
Do ponto de vista de produção, a actividade principal do “Mozambique Green Industrial Park”, será a de transformação ou processamento de minerais, com referência para o lítio, para a produção de baterias. A experiência do grupo Tsingshan no estabelecimento de empreendimentos similares noutros quadrantes, incluem um projecto no Zimbabwe, o que, na perspectiva do Ministro da Industria e Comércio, “reforçam a convicção e certeza de que a aposta do Governo neste megaprojecto é correcta, tendo em atenção o impacto sócio-económico que resultará da sua implementação e realização efectiva do capital estrageiro proposto”.
O Grupo Tsingshan, que vai investir US$ 40 mil milhões em Moçambique na província de Sofala, no centro de Moçambique, é especializada na produção, processamento e armazenamento de chapas e bobinas de aço, vendas internas e externas, possuindo tecnologia líder de produção e pesquisa de tubos de aço, e é segunda maior empresa a actuar no ramo na China, e está presente no, Oriente Médio, Europa, África, América do Sul, Oceânia e mais de 100 países e regiões.
Também fornece muitos produtos e serviços de tubos de aço para as 500 maiores empresas mundiais de petróleo e gás, EPC, como: PetroChina, Schlumberger, ADNOC, PDVSA, NNPC, ENI, NICO, EGPC, OXY, CCED, OGDCL, PEMEX, etc.
A empresa também tem interesse crescente e tem estado a expandir a sua capacidade de produção de lítio, um metal singular, que é a matéria-prima fundamental para fabrico de baterias de equipamentos electrónicos e veículos eléctricos. O mercado de baterias de íons de lítio cresce actualmente a uma taxa anual de 18,7%.
Ao todo, cerca de 74% do lítio produzido hoje vai para a produção de baterias, mas outras indústrias também consomem o metal. Por exemplo, 14% são usados em cerâmica e vidro, e 3% em graxas.
Com a crescente adesão a veículos eléctricos em diferentes países do mundo, a demanda global por baterias de lítio deve aumentar mais de cinco vezes até 2030, é o que projecta um relatório da Li-Bridge. Segundo o documento, a demanda por baterias de lítio nos Estados Unidos deve crescer mais de seis vezes. Isso vai se traduzir em US$ 55 mil milhões por ano até o fim da década, mas o país vai depender de importações para o abastecimento.
Li-Bridge diz que está em curso a consolidação de uma cadeia de fornecimento robusta para baterias à base de lítio. A matéria-prima vai alimentar uma variedade de veículos nos próximos anos, além de ser fundamental para aparelhos electrónicos, médicos e industriais, e sistemas militares.
Segundo dados mais recentes, de 2021 o Chile, Austrália, Argentina e China detêm juntos cerca de 95% das reservas de lítio actualmente conhecidas no mundo.
Contudo, o interesse no lítio continua a crescer no mercado, e os maiores produtores de lítio no mundo incluem países como a Austrália, China, Brasil, Zimbabué e Portugal, o que denota a presença abundante do recurso em diferentes continentes.
Maiores produtores de lítio no mundo:
1. Austrália
Produção: 55.000 toneladas métricas

2. Chile
Produção: 26.000 toneladas métricas
3. China
Produção: 14.000 toneladas métricas
4. Argentina
Produção: 6.200 toneladas métricas
5. Brasil
Produção: 1.500 toneladas métricas
6. Zimbabué
Produção: 1.200 toneladas métricas
7. Portugal
Produção: 900 toneladas métricas

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