HCB projecta gerar 4 mil megawatts até 2032, vai colocar no mercado, em 2024, o remanescente 3,5% das acções

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  • HCB tem que se mexer se quer manter relevância, diz Tomás Matola

O Presidente do Conselho de Administração da Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB), Tomás Matola, define o futuro da empresa assente na expansão da sua capacidade produtiva:

“O que nós queremos assegurar é que a HCB vai continuar a crescer […] a HCB tem crescido através da variação do preço de energia, a capacidade produtiva tem sido a mesma há 48 anos desde que se criou a empresa, desde que a empresa começou a operar. Os 2.075 megawatts, portanto, são a capacidade produtiva desde o início da operação da empresa até hoje”. Disse.

Para o líder da HCB a estratégia actual para manter a preponderância interna e regional, os proveitos da HCB deverão provir não exclusivamente do lado da variação da tarifa que se tem verificado ao longo dos anos, mas também pelo aumento de fornecimento de electricidade ao mercado interno e regional.

Presidente do Conselho de Administração da Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB), Tomás Matola

Para o Tomás Matola, a HCB está a ficar relativamente pequena, “porque a HCB pode até ser grande, mas talvez tenha sido grande ao longo desses anos. Mas já está a ficar pequena. E um dia pode perder relevância no sector, se ela não se mexer”. Frisou e explicou:

“Por uma razão muito simples, é que a grandeza de uma instituição, e sobretudo de uma empresa, mede-se não somente pelo seu tamanho, pelo seu volume de receitas, mas sobretudo pela sua capacidade de responder às necessidades da sociedade”

E as necessidades da sociedade estão em crescimento, depreendendo-se das palavras do PCA da HCB que a empresa precisa acompanhar esse crescimento aumentando a oferta, ou seja, a capacidade de produção.

“Neste momento as necessidades energéticas do país cresceram muito e vão continuar a crescer. As necessidades energéticas da região cresceram muito e vão continuar a crescer. Neste momento nós temos a nossa vizinha, a África do Sul, com um déficit de 8 mil megawatts de energia e nós não temos nem um megawatt adicional para vender. E seria uma excelente oportunidade, porque se pudéssemos vender hoje, íamos vender a um bom preço, mas não temos”, detalhou.

“É por isso que eu digo que se continuarmos assim, um dia vamos ficar irrelevantes, [no País e na região], porque não conseguiremos responder as necessidades energéticas do País e da região”. Acrescentou.

Considerando que o negócio de energia funda-se no planeamento a longo prazo, a HCB está a empreender um plano de crescimento, que passa pela diversificação da matriz produtiva. “Vamos adicionar uma fonte renovável, que é a fonte fotovoltaica, e vamos ainda retomar o desenvolvimento do projecto de Cahora Bassa Norte. Significa que agora a HCB vai crescer de facto, nos próximos 7 a 10 anos, com o aumento da capacidade produtiva”, revelou Tomás Matola.

“Nós estamos a olhar para o horizonte 2030, 2031, 2032 no máximo nós temos que estar a gerar muito perto de 4 mil megawatts de energia. Essa é a nossa visão, esse é o nosso grande desafio […] acreditamos que temos capacidade para fazer isso, e acreditamos que vamos fazer isso.

Falando para uma audiência constituída fundamentalmente por investidores a quando da apresentação do relatório do estudo sobre mercado de capitais que concluiu que… disse que o crescimento projectado fda HCB vai aumentar valor para o investidor.

“Acho que era o momento de os investidores começarem a olhar para a HCB de uma forma diferente, a valorizar muito mais a acção da HCB, porque um dia esse preço que está a dois e tal hoje, vai estar muito alto e provavelmente vai ser muito difícil comprar uma acção da HCB, porque a HCB ainda vai crescer e muito”, advertiu.

Tomás Matola recordou que a HCB possui ainda 3,5% das acções para colocar no mercado, que era suposto ter sido feito em 2020, o que não ocorreu por causa da Covid, mas logo a seguir, quando as condições aparentemente estavam criadas, o preço estava em queda acentuda, “estava à desconto”, por isso decidiu-se não avançar.

“Mas nós temos uma estratégia de facto para voltar a levantar o preço, pelo menos estar acima do par. Porque temos todo interesse de concluir aquilo que foi a decisão do governo de colocar 7,5% de acções da empresa nas mãos do público. Pelo que garantimos que no próximo ano nós colocaremos a outra parte.” Disse

O Estudo da consultora Finantia tornado publico semana passada, em Maputo, fundamentalmente, sobre a avaliação da HCB concluiu que o valor da cotação não reflecte a evolução mais recente dos indicadores da empresa, sub-avaliando o seu real valor. Mais, refere o estudo, dado as perspectivas futuras

de crescimento – determinadas por factores externos (de mercado) e internos (de solidez financeira,

capacidade de gestão e possibilidades de investimentos adicionais) – é razoável esperar que a empresa prossiga numa trajectória de valorização, e não o inverso reflectido no actual valor da cotação da acção.

De acordo com a avaliação e dentro de premissas assumidamente conservadoras, o valor actual da acção da HCB nunca deverá ser inferior a 4 MTN”, frisa a Finantia

O autor do estudo, constata que após um período inicial de grande volatilidade, a acção da HCB foi gradualmente estabilizando o seu preço, tendo transaccionado acima do valor inicial e em torno dos 4 MTN/acção até Julho de 2020. Desde então o preço da acção não voltou a ultrapassar o preço inicial de cotação passando a transaccionar abaixo deste, atingindo um mínimo de 1,17 MTN/acção em Outubro de 2022, correspondendo a uma desvalorização de mais de 60% face ao valor de cotação inicial, portanto, seu que haja correspondência com o desempenho empresarial.

Para a HCB, o que estudo diz sobre a empresa é consistente:

“Em condições normais, quer em teoria quer em prática, pelos resultados, pela performance que a HCB tem estado a mostrar, o preço da acção neste momento devia estar acima do par. E nós temos aqui uma situação contrária, que o preço está abaixo do par. Portanto, temos aqui um grande desafio de contrariar esta situação que é um pouco até diversa daquilo que é teoria nos mercados financeiros”. Reagiu Tomás Matola

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