
Imobiliário antevê grandes oportunidades
_Sector imobiliário optimista num futuro promissor impulsionado pelos grandes projectos de petróleo e gás.
As perspectivas dos operadores do sector apontam para um prolongamento da tendência de crescimento registada nas duas últimas décadas, com diversas oportunidades nos principais subsectores de escritórios, do retalho, logística, hotelaria e residencial, em todo o país.
Devido a crescente informalidade, e também evidenciando a natureza puramente emergente do sector, inexiste uma base de dados acessível e consolidada sobre a sua evolução no período mais recente, entretanto, os principais players da indústria convergem para um crescimento quer do lado da oferta quer da procura, estimando investimentos de mais de $1,5 mil milhão só ao nível da capital do país, também considerada o “motor” do sector, na última década.
Expectativas de uma recuperação robusta da economia impulsionada pela retoma do investimento e desenvolvimento do Petróleo e Gás, o abrandamento das restrições de contenção da Covid-19 e, sobretudo, a retoma de financiamento do FMI, fazem antever, entre os operadores da indústria, um futuro promissor com a emergência de novas oportunidades.
Analisando as tendências e lançando perspectivas sobre o desempenho do sector no decurso do Fórum Imóbiliário de Moçambique – MOZAMREAL, realizado recentemente, em Maputo, sobre o tema “Moçambique futuro: o caminho para o crescimento sustentável”, os operadores destacaram que os todos caminhos apontam mesmo para uma maré de oportunidades a favor.
“As oportunidades estão mesmo na continuidade dos grandes projectos pois começa-se a sentir-se um excesso de oferta, sobretudo na cidade de Maputo, e alguma falta de resposta no norte onde se localizam os grandes projectos ”, disse Nuno Tavares, Director Geral da Real Estate Consulting – REC.

O optimismo é partilhado pela generalidade do sector privado, entretanto, adverte, o aproveitamento das referidas oportunidades exigirá esforços conjuntos na promoção de melhorias a nível de infraestruturas e mobilidade para responder não só a procura dos grandes projectos mas também outros sectores da economia.
“O sector imobiliário não pode estar atrelado aos grandes projectos. É importante que todos intervenientes entendam que o país não vive só de petróleo e gás. O sector imobiliário deve focar-se nas necessidades do mercado” , destacou Bento Machaine, representante da Conferederação das Associações Económicas – CTA.

Porque o mercado mobiliário moçambicano está ainda em processo de consolidação e crescimento, com uma oferta concentrada no segmento de médio e alto rendimento, os operadores sustentam igualmente que o foco deve ser direcionado não só aos grandes projectos e consumidores da classe média-alta, mas também a projectos imobiliários destinados a clientes de baixa renda.
“É importante falar dos grandes projectos mas é igualmente importante olhar para a realidade moçambicana, os consumidores de baixa renda, porque nem todos tem a condição de pagar uma renda acima de 3000 e 4000 mil dólares”, referiu Kelvin Chabango, Director Geral da Chabango Imobiliária.

Apesar de antever um futuro promissor, o sector reconhece a prevalência de importantes desafios que tem impedido a indústria de atingir maturidade e estabilidade desejadas, concretamente a informalidade e a desregulamentação, entendendo, por isso, ser urgente uma reforma no quadro regulatório da indústria.(OE)














