Lidar com a inflação é uma tarefa bastante complexa, reconhece Rogério Zandamela

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O Governador do Banco de Moçambique, Rogério Zandamela, admitiu que não está a ser fácil lidar com a problemática da inflação.

Afirmou que “lidar com a inflação é uma tarefa bastante complexa, dado que as medidas de política são tomadas por antecipação, comportam efeitos colaterais sobre outras variáveis e exige um conhecimento profundo do mecanismo de transmissão do instrumento de política usado pelo Banco de Moçambique”.

“Os défices crónicos e estruturais que caracterizam a economia moçambicana tornam ainda mais desafiante a gestão da política monetária, num contexto em que o país acumulou elevada dívida e ao mesmo tempo não poupou o suficiente para amortecer o impacto de choques, que são cada vez mais frequentes e intensos” – disse o Governador.

Governador do Banco de Moçambique, Rogério Zandamela

Rogério Zandamela referiu ainda que, o Banco de Moçambique (BM) tem pautado por uma actuação transparente, credível e eficaz da política monetária, prova disso, segundo diz, são as inúmeras medidas tomadas pelo banco central – as quais permitiram devolver a inflação para um dígito e reanimar o crescimento da economia –, apesar disso, ela [a actuação do BM) tem um ónus elevado em cenários de crise, devido à actuação limitada de outras políticas ou sectores, e a vários tipos de constrangimentos associados ao ambiente de negócios, fortalecimento das instituições e boa governação.

Para o Governador, a política monetária não deve ser vista como panaceia para todos os desafios, pois para estimular o crescimento da economia é necessário que outras políticas também sejam mais actuantes e complementares à política monetária.

Rogério Zandamela, fez estes pronunciamentos quarta-feira (6), na Universidade Politécnica, em Maputo, numa aula inaugural do programa de doutoramento em Estudos de Desenvolvimento, subordinada ao tema “Os Desafios da Política Monetária num Contexto de Gestão de Crises”.

No início da sua alocução, o Governador do BM, destacou que o mandato primário do banco central é a preservação do valor da moeda nacional, o Metical, de forma a assegurar uma inflação baixa e estável, tendo em vista promover o crescimento económico e o bem-estar de toda a sociedade.

Em diversos momentos da sua intervenção, Rogério Zandamela defendeu que o País precisa de poupar para enfrentar devidamente futuras crises. Nessa ordem de ideias, reforçou a tese da necessidade de Moçambique criar um fundo soberano para melhor gestão das receitas advindas da exploração dos recursos naturais.

Por seu turno, o Presidente da Comissão Científica do Programa de Doutoramento, Lourenço do Rosário, disse que a introdução do curso de doutoramento em Estudos de Desenvolvimento visa contribuir para a busca de soluções para os problemas mais candentes da sociedade moçambicana.

Participaram no evento membros do Conselho de Administração do Banco de Moçambique, dirigentes de instituições públicas e privadas, reitores, académicos e estudantes.

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