Nedbank Regista Lucro de R17,2 Mil Milhões e Mantém ROE Acima de 15% em Ano de Reestruturação

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Grupo reforça capitalização, acelera digitalização e reposiciona estratégia africana com foco na SADC e África Oriental

O Grupo Nedbank encerrou o exercício de 2025 com resultados líquidos de R17,2 mil milhões, representando um crescimento de 2% face ao ano anterior, enquanto a rentabilidade dos capitais próprios (ROE) se fixou em 15,4%, acima do custo do capital próprio (COE) . O desempenho ocorre num contexto que o próprio banco descreve como “ano transformacional”, marcado por decisões estratégicas de reposicionamento estrutural.

O lucro diluído por acção aumentou 3%, sustentado por melhoria nas provisões para imparidades, crescimento moderado das receitas e manutenção de rácios de capital robustos. O rácio CET1 fixou-se em 12,9% e o rácio Tier 1 em 14,5%, permitindo ao Grupo declarar um dividendo final de 1.104 cêntimos por acção.

Reestruturação Interna e Reconfiguração Estratégica

Sob liderança do CEO Jason Quinn, o Nedbank avançou com uma profunda reestruturação das suas unidades de retalho e gestão de património, criando as áreas de Personal & Private Banking (PPB) e Business & Commercial Banking (BCB). Segundo o Grupo, os primeiros indicadores revelam sinais encorajadores, com crescimento no número de clientes activos e aceleração do pipeline de crédito.

Em paralelo, o banco alienou a sua participação de 21% no Ecobank Transnational Incorporated (ETI), numa redefinição da estratégia africana que privilegia maior concentração na SADC e na África Oriental . Já em Janeiro de 2026, foi anunciada uma oferta para aquisição de cerca de 66% do capital do NCBA, instituição financeira com presença relevante no Quénia, Uganda, Tanzânia e Ruanda.

A estratégia revela um reposicionamento geográfico orientado para mercados considerados prioritários e com maior potencial de sinergias operacionais.

Digitalização Consolida Vantagem Competitiva

O Grupo registou um marco histórico ao atingir oito milhões de clientes, com crescimento expressivo dos canais digitais . Os volumes e valores transaccionados através de plataformas digitais aumentaram de forma significativa, reflectindo maior adopção por parte dos clientes e reforço da eficiência operacional.

No Africa Regions (NAR), 70% da base activa é digitalmente activa, enquanto os utilizadores da aplicação Nedbank Money cresceram 14%, atingindo três milhões de clientes.

A digitalização assume-se como vector central da estratégia de produtividade e crescimento de receitas.

Africa Regions: SADC Sustenta Crescimento

Os resultados líquidos do NAR registaram uma ligeira redução de 1%, para R1.599 milhões, sobretudo devido à queda nos resultados associados no segundo semestre . Contudo, a região da SADC apresentou crescimento robusto, com aumento de 15% nos resultados líquidos, para R672 milhões, e crescimento de 9% na margem financeira líquida.

O saldo médio da carteira de crédito e adiantamentos na SADC cresceu 17%, reflectindo maior dinamismo corporativo. As imparidades diminuíram 7%, beneficiando de melhorias nas recuperações e ajustamentos no modelo de perdas esperadas.

Moçambique: Capitalização Sólida em Contexto Desafiante

No caso do Nedbank Moçambique, o banco destacou resiliência operacional num ambiente macroeconómico marcado por impacto pós-eleitoral e escassez de divisas . A subsidiária manteve rácio de solvabilidade de 34%, significativamente acima do mínimo regulamentar de 12%, preservando estabilidade financeira.

O banco avançou ainda na modernização da sua infraestrutura tecnológica, reforçando redundância operacional e canais digitais, além de investir em capital humano e literacia financeira, consolidando o Business Lounge como plataforma institucional de networking e proximidade com clientes.

Num mercado caracterizado por crescimento moderado do crédito e elevada volatilidade cambial, a manutenção de níveis robustos de capitalização constitui factor estratégico relevante.

Perspectivas para 2026: Crescimento com Moderação

Para 2026, o Grupo antecipa que o ROE permaneça acima de 15%, aproximando-se dos níveis de 2025, apesar de pressões decorrentes da normalização das imparidades na banca corporativa e redução das taxas de juro na África do Sul . No médio prazo, o objectivo é alcançar rentabilidade em torno de 17%, sustentada por crescimento das receitas e disciplina de custos.

O exercício de 2025 revela um banco que, ao mesmo tempo que consolida balanço e reforça digitalização, redefine o seu mapa estratégico africano. O desafio para 2026 será converter reestruturação e reposicionamento em aceleração sustentada de crescimento, num ambiente macroeconómico ainda marcado por incerteza regional.

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