
Optimismo Empresarial Persiste Apesar dos Riscos Macroeconómicos
Apesar das pressões inflacionárias e da escassez de divisas, o sentimento empresarial mantém-se positivo. O Standard Bank destaca a resiliência das empresas e prevê que a retoma observada em Outubro possa consolidar-se, caso o ambiente macroeconómico estabilize nos próximos meses.
- O índice de confiança empresarial caiu para o nível mais baixo desde Fevereiro, mas permanece em território positivo;
- Empresas continuam a contratar, mesmo sob restrições de liquidez e custos elevados;
- Inflação dos custos de produção mantém-se alta, mas preços de venda estabilizam;
- O Standard Bank aponta resiliência e ajustamento estratégico das empresas;
- Expectativa de recuperação gradual no último trimestre de 2025 e início de 2026.
A confiança do sector privado moçambicano manteve-se positiva em Outubro, mesmo com uma ligeira descida face ao mês anterior.
Segundo o PMI do Standard Bank, as empresas demonstram resiliência operacional, ajustando estratégias de curto prazo para lidar com custos elevados, escassez de divisas e incerteza cambial, sem abdicar do optimismo em relação à retoma económica.
Empresas Mostram Resiliência em Ambiente de Incerteza
O relatório revela que, apesar da queda marginal da confiança, as empresas continuam a contratar e a expandir a produção.
A maioria dos gestores inquiridos pelo Standard Bank espera melhoria nas condições de negócio até ao final do ano, impulsionada pela recuperação da procura interna e reabertura gradual das cadeias de fornecimento.
“A actividade empresarial tem demonstrado uma resiliência notável. As empresas estão a adaptar-se e a encontrar soluções locais para manter a produção e o emprego”, observou Fáusio Mussá, Economista-Chefe do Standard Bank Moçambique.
Pressões Inflacionárias Continuam a Condicionar as Decisões de Investimento
Os custos dos insumos e transportes permanecem em alta, pressionando as margens e afectando a rentabilidade de curto prazo.
Ainda assim, o ritmo de aumento dos preços de venda tem vindo a abrandar, o que sugere maior disciplina de preços e contenção inflacionária.
O Standard Bank considera que esta tendência poderá reforçar a previsibilidade económica e melhorar as expectativas de consumo a partir do quarto trimestre.
“A pressão de custos mantém-se, mas as empresas começam a gerir melhor as suas cadeias de valor, o que ajuda a evitar repasses excessivos para os consumidores”, acrescentou o economista.
Liquidez e Divisas: O Desafio Estrutural
Apesar do optimismo, a escassez de divisas continua a limitar o ritmo de recuperação de alguns sectores, especialmente os dependentes de importações.
Empresas industriais e comerciais enfrentam restrições no acesso a matérias-primas e custos cambiais elevados, factores que dificultam o planeamento e a execução de novos projectos.
Ainda assim, o sector privado mostra-se determinado em manter a confiança e investir gradualmente, apoiando-se em mecanismos alternativos de financiamento e parcerias locais.
Perspectivas: Retoma Moderada e Ajustamento Gradual
O Standard Bank projecta melhoria moderada da actividade económica nos últimos meses de 2025 e início de 2026, sustentada pela retoma da procura doméstica e pela normalização dos fluxos de divisas.
Os sectores de construção, serviços e comércio deverão liderar o crescimento, enquanto o desempenho industrial dependerá da estabilidade cambial e do controlo dos custos de produção.
“A confiança dos empresários é o sinal mais encorajador neste momento. Mesmo em contexto de restrições, o sector privado continua a ser o motor da recuperação económica”, concluiu Fáusio Mussá.
Confiança Como Activo Económico
Num contexto de incerteza cambial e pressão inflacionária, a confiança empresarial tornou-se um activo económico essencial.
A persistência do optimismo, mesmo moderado, permite manter o investimento, o emprego e o consumo interno activos, funcionando como travão natural à desaceleração.
O desempenho de Outubro confirma que a economia moçambicana está a recuperar passo a passo, sustentada pela adaptação estratégica das empresas e pela resistência do sector privado nacional.
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