
Programa de Economia Verde Exige Cinco Mil Milhões USD Para Transformar a Indústria Florestal
O Governo prepara um ambicioso pacote de investimentos para reestruturar a cadeia de valor florestal, reduzir exportações de madeira em bruto, criar parques industriais e posicionar Moçambique entre as economias sustentáveis de África.
- Programa de Economia Verde avaliado em cinco mil milhões USD;
- Prioridade na industrialização do sector madeireiro e regras mais apertadas;
- Revisão legislativa e fiscalização reforçada previstas para 2025–2026;
- Redução de 60% da exportação de madeira serrada até 2030;
- Criação de parques industriais e estímulo à transformação local;
- Objectivo central: gerar emprego rural e aumentar competitividade industrial.
Moçambique prepara um dos mais ambiciosos programas de transformação verde da sua história recente. Avaliado em cinco mil milhões de dólares norte-americanos, o novo Programa de Economia Verde pretende reestruturar toda a cadeia florestal, reduzir drasticamente a exportação de madeira em bruto e impulsionar a industrialização local. A meta é clara: fazer da floresta um motor económico moderno, competitivo e sustentável.
Uma Estratégia Para Virar a Página na Exploração Florestal
Segundo o Director-Geral das Florestas, Imede Falume, em declarações ao “Notícias”, o plano assenta na criação de parques industriais florestais, na dinamização das cadeias de valor e na mobilização de financiamento verde. Falume sublinha que as reformas constantes da Estratégia Nacional de Financiamento 2025–2035 deverão “acelerar a adopção de práticas sustentáveis, criar emprego qualificado e aumentar a competitividade industrial”.
A transformação proposta rompe com o modelo extractivo que historicamente privilegiou a exportação de madeira em bruto, frequentemente feita em condições precárias e de baixo valor acrescentado.
Revisão da Legislação e Fiscalização Rigorosa Como Pontos de Viragem
O período 2025–2026 será marcado por uma profunda revisão da legislação florestal, acompanhada de reforço da fiscalização e melhoria dos planos de maneio sustentável. O Governo pretende travar práticas ilegais, reorganizar licenças, reduzir desperdícios e alinhar o sector com padrões ambientais internacionais.
Falume afirma que estes pilares são indispensáveis para transformar a indústria e reduzir vulnerabilidades: “O sucesso depende de uma governação eficaz, transparente e com combate firme à exploração irresponsável”.
Menos Exportação Bruta, Mais Valor Acrescentado
Entre 2027 e 2030, o objectivo é reduzir em 60 por cento a exportação de madeira serrada e privilegiar a transformação local. A estratégia aposta na produção nacional de móveis e derivados, na expansão de pequenas e médias indústrias, no aumento das oportunidades de emprego rural e na retenção de maior volume de receitas no país. A orientação é clara: substituir a exportação de troncos por uma indústria que agrega valor, gera mais rendimento e cria novos pólos de desenvolvimento nas comunidades.
A nova abordagem quer transformar Moçambique de exportador de troncos em exportador de produtos manufacturados, elevando margens, diversificando a economia e criando novos pólos industriais ao nível distrital.
Parques Industriais Florestais: O Novo Motor da Economia Rural
A criação de parques industriais florestais é apontada como a pedra angular do programa. Estas infra-estruturas permitirão concentrar investimentos, garantir processamento moderno, reforçar logística e atrair operadores com capacidade tecnológica.
O director-geral das Florestas considera que, com esta estratégia, o sector poderá gerar milhares de empregos e tornar-se “um dos pilares estruturantes da economia verde, desde que haja gestão responsável e controlo rigoroso dos recursos”.
Moçambique Na Rota das Economias Sustentáveis
Com este programa, o Governo sinaliza uma mudança na política industrial e ambiental: diversificar a base produtiva, estimular a industrialização verde e alinhar o país às tendências globais de consumo responsável e neutralidade carbónica.
A estratégia procura colocar Moçambique entre as economias africanas que conciliam crescimento e preservação ambiental, apostando num novo paradigma em que a floresta é vista não como um recurso a extrair, mas como um activo económico de longo prazo.
Ao investir cinco mil milhões USD na economia verde e ao transformar a forma como o país explora e industrializa os seus recursos florestais, Moçambique dá início a um ciclo que poderá redefinir o sector madeireiro, gerar emprego rural e consolidar as bases de uma economia sustentável e competitiva. As próximas reformas legislativas e institucionais dirão se esta ambição se converte numa verdadeira revolução produtiva.
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