Síntese analítica dos mercados financeiros e das commodities

Conjuntura do Mercado Financeiro & Commodities
Retrospectiva do mês Agosto de 2021
I. Síntese Analítica
- À semelhança dos quatro meses antecedentes, o Metical continuou numa tendência depreciativa face ao Dólar norte-americano, no mês de Agosto. Contudo, o ritmo de depreciação continua a abrandar cada vez mais, tendo o seu valor depreciado em apenas 0.20%, saindo de 63.63 no início do mês, para 63.76 meticais por um dólar, no fecho do mês.
- Tendência de aumento da oferta de liquidez de dólares no Mercado nacional, proveniente do incremento do volume de compras dos Bancos Comerciais com o público, contribui para o abrandamento no nível de depreciação do Metical.
- O ouro teve um início de mês turbulento, tendo o seu valor sofrido uma queda substancial. Mas uma vez que o seu preço, geralmente, move-se inversamente ao preço do dólar, o metal amarelo apreciou, na última semana do mês, na mesma altura em que o Dólar desvalorizou devido ao surgimento de um clima de risco e instabilidade nos mercados, causados pela divulgação de dados macroeconómico insatisfatórios dos EUA.
- Restrições de capacidade, e de viagens no continente Asiático para a contenção da disseminação da variante Delta do COVID-19, juntamente com a valorização do Dólar, tiveram um efeito negativo nos preços do petróleo ao longo do mês. Queda de produção do petróleo da empresa estatal Mexicana, Pemex, e a desvalorização do dólar nos últimos dias do mês, impulsionou os preços do Petróleo positivamente, fazendo com que esta commodity recuperasse grande parte das suas perdas registadas ao longo do mês. Ainda assim, a performance, média, do petróleo em Agosto foi de queda.
- As taxas de juro de Política Monetária continuam fixadas nos mesmos níveis.
- Informações recentes apontam para um crescimento acumulado de 1,05% no I Semestre de 2021.
- O Crédito à Economia revela uma variação mensal positiva pelo segundo mês consecutivo, situando-se no nível mais alto do ano.
- As taxas médias dos principais instrumentos de dívida continuam fixadas a 13,05% para as OT´s (Obrigações de Tesouro) e a 14,75% para as OP´s (Obrigações Privadas). No que diz respeito ao Mercado das Acções, nos extremos em termos de cotações situa-se a empresa REVIMO com o maior preço de MZN 12.750,00 e as empresas 2Business e HCB com os menores preços de MZN 1,00 e MZN 1,51, respectivamente, tendo esta última reduzido de MZN 2,30 na semana em análise.
- Para o mês de Agosto de 2021, o Índice de Preços de Alimentos registou uma alta, após o declínio verificado em dois meses consecutivos.
II. Desenvolvimento analítico
II.I Mercado Cambial Doméstico
À semelhança dos quatro meses anteriores, o Metical esteve numa tendência depreciativa face ao Dólar ao longo do mês de Agosto, tendo depreciado em apenas 0.20%, de 63.63 no inicio do mês, para 63.76 Meticais por uma unidade do Dólar, no fecho do mês. Contudo, o ritmo em que a moeda nacional depreciou foi reduzido, relativamente aos meses antecedes.

Por um lado, o abrandamento no ritmo de desvalorização da moeda nacional face ao Dólar, é justificado pelo incremento da oferta de liquidez em Dólar no mercado cambial. No dia 23 de Agosto, USD 310 milhões foram disponibilizados para Moçambique utilizar na gestão de reservas de moedas estrangeiras, o que poderá, eventualmente, sustentar este incremento no nível de oferta de liquidez em moeda estrangeira no nosso mercado.
Estes USD 310 milhões, fazem parte dos 650 mil milhões de dólares alocados pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) para os seus 19 países membros atuarem na recuperação e estabilização das suas economias após o impacto da pandemia.
Importa referir que estes fundos foram disponibilizados em forma de Direitos Especiais de Saque (Special Drawing Rights, SDRs). Ou seja, os fundos vêm como uma injeção de liquidez, sem custos. Contudo, um juro será cobrado no momento da utilização dos fundos. Este juro cobrável, tem como, “chão”, um valor mínimo indexado à Nota de Tesouro dos EUA de 3 meses, os juros deste título são relativamente bastante baixos, neste momento estão em volta de 0.06%.
Esta alocação foi feita com o intuito de reduzir o impacto da crise económica provocada pela pandemia do Covid-19 e estão, igualmente, disponíveis para conversão para ajudar a reforçar o orçamento do Estado, caso haja necessidade.
Em volta, esta facilidade poderá servir, também, para reduzir a dificuldade de suprir a excessiva procura por moedas estrangeiras que têm imposto uma força negativa sobre o Metical.
Importa referir que esta tendência de desaceleração do ritmo de depreciação do metical é positiva para Moçambique, pois com ela pode-se prever uma estabilização na atuação dos agentes económicos, sejam estes exportadores/importadores ou investidores, no geral.
II. MERCADO CAMBIAL INTERNACIONAL
O Dólar esteve em alta na maior parte do mês de Agosto. A divulgação dos dados insatisfatórios da China referentes à produção industrial de Julho, à tensão política no Afeganistão, e disseminação da variante Delta do Covid-19 fizeram com que o apetite dos investidores pelo risco de mercado reduzisse, levando-os a preferir activos relativamente mais seguros e estáveis como o Dólar norte-americano. Por conta disto, observou-se uma subida notável do Índice do Dólar até a penúltima semana de Agosto, tendo este Índice atingido a sua maior alta em três meses, ao nível de 93.58 pontos, na penúltima semana do mês em alusão.

Das seis moedas que compõem o Índice do Dólar, o Euro foi a que mais se destacou, na negativa, tendo esta moeda depreciado face ao Dólar para níveis de 1.1730 dólares por um euro, uma das suas cotações mais baixas nos últimos quatro meses.

II.III MERCADO MONETÁRIO INTERBANCÁRIO
No MMI não houve alterações, as taxas directoras continuam fixadas no mesmo nível, estando a MIMO, a FPD e a FPC situadas a 13,25%, 10,25% e 16,25%, respectivamente. A Prime Rate continua também fixada a 18,90%.
Dados recentes do Instituto Nacional de Estatística apontam que para o I Semestre do corrente ano o PIB apresentou um crescimento acumulado de 1,05%, após os registos de 0,12% e 1,97% no I e II Trimestres do ano, respectivamente. Este cenário remete ao início de uma recuperação gradual do crescimento económico do país, que até então não dava sinais muito positivos após o declínio do mesmo em 2020 face às restrições impostas pela pandemia da Covid-19 que afectaram sobremaneira os indicadores macroeconómicos.
III. I CRÉDITO À ECONOMIA
Os últimos dados da rúbrica ‘Crédito à Economia’ apontam para uma variação mensal positiva pelo segundo mês consecutivo, situando-se ao nível mais alto do ano e até do ano passado, após as quedas e os tímidos aumentos que vinham se registando.
O Rácio de Transformação, medido por total de depósito sobre o crédito total, aumentou, cenário este que demonstra que as instituições de crédito conseguem mobilizar depósitos para cobrir o total das suas necessidades de financiamentos.
A nível do Sector Bancário, no I Semestre de 2021, os Rácios de Crédito em Incumprimento (NPL) e de Solvabilidade melhoraram. O primeiro mostra um relativo aumento da capacidade de honrar com os compromissos e o segundo que algumas empresas já passam a substituir os capitais alheios pelos próprios para financiar os seus activos.
Este cenário pode ser explicado pelo alívio de algumas restrições no âmbito da pandemia da Covid-19, para além do ténue crescimento económico verificado no I Trimestre do ano, o que já se pressupõe alguma recuperação da economia.

III. II MERCADO DE CAPITAIS
No Mercado Bolsista Nacional, para o mês de Agosto de 2021, houve um acréscimo de cerca de 3,5 vezes do Volume de Transacções face ao mês anterior, fixando-se em cerca de MZN 2 mil milhões contra cerca de MZN 571 milhões de Julho de 2021.
O turnover do mês de Agosto, medido pelo quociente entre o Volume de Transacções e a Capitalização Bolsista, é o mais alto do ano ao fixar-se em 1,63%.

IV. SITUAÇÃO ALIMENTAR MUNDIAL (ÍNDICE DE PREÇOS DE ALIMENTOS)
Para o mês de Agosto de 2021, o Índice de Preços de Alimentos teve uma média de 127,4 pontos, superior em 3,10% relativamente ao mês anterior e superior em 32,90% relativamente ao período homólogo do ano passado.
É importante frisar que após dois meses consecutivos de declínio, a alta do mês de Agosto está ligada a fortes ganhos nos sub-índices de açúcar, óleos vegetais e cereais. Este aumento volta a consolidar a tendência de alta que o respectivo índice vinha tendo ao longo de todo o ano de 2021.

VI. COMMODITIES
V.I. Ouro
O ouro que, geralmente, move-se em direção oposto à do dólar, teve um início de mês turbulento, em baixa, onde, inclusive, se registou um crash, uma queda substancial no preço do ouro, do dia 6 para 9 de Agosto. Este crash foi em parte suportado pela revelação de fortes dados macroeconómicos dos EUA, referentes ao mercado laboral.

E por fim, na última semana de mês, as contínuas preocupações sobre a disseminação da variante Delta do Covid-19, globalmente, e o seu impacto na recuperação económica norte-americana e de outras economias desenvolvidas, direcionaram os investidores/especuladores a optarem por ativos considerados portos-seguros, além do dólar norte-americano, como o metal amarelo. Com isto, ao contrário do dólar, o ouro apreciou tornado a ser transacionado na fasquia de USD 1,800 por onça nas últimas semanas do mês de Agosto.
V.II. PETRÓLEO
Devido a apreciação do dólar no início do mês de Agosto, e contínuas preocupações relativas ao impacto das restrições de viagens e capacidade de produção para a contenção da propagação da variante Delta Covid-19 na Ásia, especialmente a China, o preço do petróleo depreciou. Para além disto, o aumento de produção do petróleo pelo lado da OPEP, em seis milhões de barris por dia, influenciou na depressão dos preços do petróleo. Tendo o petróleo depreciado de USD 72.89 no início do mês, para o seu ponto mais baixo do mês, USD 65.18 o barril, no dia 20 de Agosto.
Embora o petróleo tenha registado uma tendência maioritariamente negativa ao longo do mês de Agosto, esta commodity, recuperou grande parte das suas perdas registadas ao longo de Agosto, na ultima semana do mês. Esta recuperação dos preços do petróleo deu-se em parte, por conta do incidente ocorrido numa das plataformas petrolíferas da empresa estatal Mexiana, Pemex, no Golfo do México, que gerou uma queda no nível de produção do petróleo desta empresa, em cerca de 400,000 barris por dia. Para além disto, a desvalorização do dólar norte-americano teve a sua contribuição para a elevação dos preços do petróleo, neste período, do fim do mês de Agosto. De referir que a desvalorização do Dólar, certas commodities cotadas em Dólares, como o petróleo, tornam-se relativamente mais acessíveis apetecíveis para os investidores/especuladores detentores de outras moedas.
Portanto, o preço do petróleo apreciou em de USD 65.18 o barril, no dia 20, para USD 71.63 por barril, no fecho do mês.

Embora o petróleo tenha recuperado a maior parte das suas perdas nas datas próximas do fim do mês, esta recuperação não foi suficiente para que o petróleo registasse uma tendência, maioritariamente, positiva no mês de Agosto. O petróleo, no mês de Agosto, depreciou em 1.73%, saindo de USD 72.89 no inicio do mês, para USD 71.63 o barril, no fecho do mês.

















