Parques industriais podem ser uma solução eficiente para a industrialização

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Director-Geral da Mozparks, Onório Manuel

Na entrevista que concedeu ao O.Económico, o Director-Geral da Mozparks, Onório Manuel, disse que a experiência, por exemplo, do Parque Industrial de Beleluente, contingente ao projecto da Mozal, pode servir de evidência de que este tipo de soluções são potencialmente indutoras da industrialização.

Na sua análise, as efectivas ligações intersectoriais na base produtiva tendem a a consumar-se mais fácil e rapidamente nesses ambientes. 

“O parque industrial de Beluluane foi criado pelo Governo em 1999, oficialmente pelo Conselho de Ministros, através da Resolução nº 15/99 de 12 de Outubro, e entrou na sua fase operacional em 2000. Veja que dos 2000-2005, 100% das empresas do parque prestavam bens e serviços a Mozal.

Esse cenário começa a mudar a partir de 2006-2007 com a entrada de outras indústrias que não tivessem absolutamente nenhuma relação com a Mozal. Estamos a falar da grande indústria de produção de cabelo que por sinal, é o maior empregador dentro do parque industrial de Beluluane, onde só uma indústria de cabelo conta com mais de 3000 trabalhadores”. Explicou.

O Parque Industrial de Beluluane, tem empresas, por exemplo, afectas a indústria de castanha de cajú, produção de tubos usados na indústria de petróleo & gás e viadutos, empresas de produção de produtos plásticos, cimento, entre muitas outras, cuja actividade nada tem a ver com as necessidades da Mozal e o contingente de empresas alí instalada atende muitos outros sectores da economia  

“Esta filosofia vai se replicar no Parque Industrial de Topuito”, asseverou Onório Manuel, reiterando que, num primeiro momento, o parque terá como empresa âncora, a dinamizadora, a Kenmare, mas que, a médio prazo, estarão ali instaladas outras unidades produtivas fornecedoras de bens e serviços para os mais diversos sectores, demandas e mercados. “Nós fazemos um parque multissectorial, ou seja, não somente para prestar bens e serviços à empresa âncora”. Frisou

Onório Manuel revelou que a MozParks apresentou ao Banco um conceito que foi designado de vila de pequenas e médias empresas, através do qual se pretende construir uma vila de pequenas e médias empresas dentro do Parque Industrial de Topuito.

A ideia é “garantir que aquelas microempresários ou aquelas empreendedoras locais que não têm condições de erguer uma infra-estrutura dentro do parque e já possam encontrar ali um espaço já construído com acesso a energia, água, entre outras facilidades”, disse Onório Manuel. “Para que elas, de forma muito mais acessível, possam aceder ao parque e fazer o negócio a partir do parque”, acrescentou.

A vila de PME’s é “uma iniciativa propriamente de conteúdo local” propriamente de suporte aos pequenos empresários locais que vão passar a ter acesso ao parque sem incorrer custos de construção. Porque o pato na verdade é um conjunto de infra-estruturas comuns onde cada investidor, estrangeiro ou nacional tem que erguer a sua fábrica.

“Nós, como MozParks, não erguemos as fábricas […] para garantir que esse efeito de investimento não afecte as micro, pequenas e médias empresas, trazemos a solução vila de PME’s, que é uma solução para a inclusão”.