Transporte de carga aérea: falta de financiamento trava progresso

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Uma das áreas de negócio com maior potencial de crescimento em Moçambique é o do transporte de carga aérea. Esta foi a grande conclusão tomada na Conferência Internacional sobre Transporte Aéreo, Turismo e Carga Aérea havida na Cidade de Maputo.

Entretanto, o negócio do transporte de carga aérea não tem sido realizado conforme o seu potencial e, para variar, a ausência de soluções de financiamento apropriadas, tem se destacado entre os factores que inibem o florescimento deste ramo de negócios.

Dados publicados em 2015 apontam que apesar do transporte de carga aérea representar apenas 0,5 % do total do transporte no mundo, em termos de valores representava cerca de 31%, isto é, 5.7 trilhões de dólares.

Várias instituições começam, por isso, a despertar para o potencial deste ramo de actividade. O Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) manifestou a intenção de financiar o sector sob determinadas condições específicas:

Pietro Toigo – Representante do Banco Africano de Desenvolvimento

De acordo com o Representante do BAD em Moçambique, Pietro Toigo, haverá financiamento no contexto de plano de reestruturação e reformas das linhas aéreas e privilegiado projectos com participação privada, que não tem que ser propriedade privada.

O BNI, por sua vez, comprometeu-se a contribuir e potencializar o sector de transporte e carga aérea em Moçambique através de vários serviços que a banca de desenvolvimento pode oferecer.

Tomás Matola - PCA do BNI

Tomás Matola – PCA do Banco Nacional de Investimentos

A contribuição do BNI é sempre em duas perspectivas, a primeira é do financiamento como tal. Tomás Matola diz que empresas com necessidade de financiamento trazem os projectos, e analisamos os projectos, sendo viáveis financiamos com o nosso balanço, mas também, não sendo suficiente apenas com nosso balanço, temos capacidade de mobilizar recursos junto dos nossos parceiros internacionais”.

Numa outra perspectiva  o PCA do BNI refere que apesar do sector de transporte aéreo não apresentar margens iguais aos outros sectores de actividades, é viável.

Naturalmente que há viabilidade e é um sector extremamente chave para o desenvolvimento da economia moçambicana, e um sector ainda com muito de se explorar, portanto, há viabilidade”, assegura.

Os operadores da cadeia de valor do segmento de transporte de carga aérea apontam o financiamento como sendo a principal barreira para o desenvolvimento das suas actividades, indicando que as taxas de juros que variam entre 12% e 16%, como sendo estranguladoras para qualquer iniciativa neste domínio

Para o Director-geral das Linhas Aéreas de Moçambique (LAM), a falta do acesso ao capital diminui a competitividade das empresas nacionais face aos novos operadores que entraram no contexto de liberalização do espaço aéreo.

João Carlos Po Jorge – Director-geral da LAM

Em relação aos constrangimento que temos, obviamente é falta de capacidade”, assume o gestor principal da LAM, ao mesmo tempo que concorda haver necessidade de ter capital, isto é, “sendo uma indústria de capital extremamente intenso precisamos de aumentar a oferta” e, para tal, “é preciso haver capital, pois há pouco falava-se que os juros continuam extremamente altos, e é preciso ter acesso ao capital que não nos ponha em desfavor em relação a outros operadores que vem agora através do espaço aéreo aberto”, concluiu.

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