Moçambique contará com 300 autocarros eléctricos até finais de 2025

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Moçambique poderá contar, até finais do próximo ano, com autocarros eléctricos para o transporte público de passageiros. Para o efeito, o Ministério dos Transporte e Comunicações, (MTC), assinou terça-feira, em Maputo, um acordo de cooperação junto da METROBUS e Internacional Finance Corporation, (IFC) do Grupo Banco Mundial.

A iniciativa será liderada pela Metrobus, que terá a missão de assegurar a implementação do projecto, que poderá servir de modelo para futuras expansões fora da região da cidade e província de Maputo, no sul de 

O Vice-Ministro dos Transportes e Comunicações, Amilton Alissone, assegurou os autocarros vão chegar à Moçambique no âmbito do memorando do entendimento, assinado, na terça – feira, 18 de Junho, entre a METROBUS e Internacional Finance Corporation.

“No que diz respeito à operação e outras garantias para assegurar que este financiamento ocorra, tem muito a ver com aquilo que irá ser o nosso plano de mobilidade na área metropolitana de Grande Maputo, e isto tem também a ver com aquilo que serão as concessões de longo prazo, cujo os estudos e o trabalho está sendo feito para a determinação do modelo de concessão ao nível da área metropolitana de Maputo e em outros cantos do País”, disse o governante, citado pelo diário “O País”

O CEO da Sir Motor, entidade que detém a Metrobus, Amad Camal, confirmou que o projecto já está em andamento, com financiamento garantido para expandir as frotas. “Na procura de soluções adequadas à sustentabilidade económica responsável, a MetroBus encomendou, com fundos próprios, 20 autocarros eléctricos que começam a chegar em Outubro próximo. Está em curso a implantação de um sistema de carregadores pela empresa Ponto Verde AS que, em três fases, irá instalar carregadores públicos na Área Metropolitana de Maputo, Estrada Nacional nº 1 e nº 6 até Beira, Chimoio e Tete, e, por fim, na Zona Norte”. Garante Camal

Amad avançou ainda que a aquisição da Metrobus posiciona o País na vanguarda do uso de energias limpas no transporte público, iniciando a instalação de centros de carregamento a partir de Julho.

Camal, disse ainda que a introdução de autocarros eléctricos vai reduzir os custos de manutenção, para além de contribuir para a melhoria do meio ambiente.

Com o reforço da frota que se anuncia, a METROBUS promete que vai lançar novas rotas para a dinamização do transporte no Norte de Maputo, bem como alavancar o nível de carregamento que neste momento é de 12 mil pessoas por dia.

Dados indicam que a área Metropolitana de Maputo deverá registar um aumento populacional de cerca de 2,5 milhões de residentes em 2023 para cerca de 4,5 milhões em 2035, tendência que depreende uma maior procura por serviços de transportes públicos mais eficientes, especialmente no sector dos transportes.

A Metrobus, que opera comboios e autocarros num modelo intermodal desde 2018, conhece bem as dificuldades que os operadores de transportes públicos enfrentam, devido à pressão do custo do diesel, que consome 55% da receita. Com autocarros eléctricos, este consumo está calculado em 30%, haverá uma redução dos custos de manutenção equivalente a 40% e uma longevidade para o dobro da vida útil dos veículos

A Cidade de Maputo e os municípios adjacentes [da Área Metropolitana], juntamente com o Governo de Moçambique, estão a trabalhar na melhoria dos serviços de transporte para os seus cidadãos. Sistemas de autocarros modernos com linhas dedicadas fazem parte desta visão.

Enquanto o sector público atende a uma parte da crescente procura por transportes eficientes e de qualidade, empresas como a Metrobus demonstram como o sector privado pode complementar estes esforços onde os recursos públicos são limitados.

A Área Metropolitana de Maputo, em particular, e o País, em geral, carecem de soluções inteligentes de mobilidade, que são um dos denominadores comuns do desenvolvimento e justiça social. 

Moçambique é signatário de vários acordos sobre transição energética, desde o Protocolo de Kyoto até ao COP28. Nessa base, o Governo aprovou a Estratégia de Transição Energética Justa (ETE) em 2023.

Um benefício indirecto da mudança para autocarros eléctricos é o preço bastante mais estável da electricidade que, ao contrário dos combustíveis fósseis, pode ser produzida a partir de diferentes fontes.

Um custo ambiental mais baixo, melhor qualidade do ar nas cidades, e custos de funcionamento reduzidos, a transição para autocarros eléctricos torna-se óbvia. No entanto, existem, evidentemente, alguns desafios a serem tomados em consideração, mas com estratégia apropriada em vigor, os operadores de transportes públicos podem ter um impacto significativo no combate às alterações climáticas, beneficiando ao mesmo tempo dos seus resultados.