Industriais metalomecânicos clamam por políticas fiscais adequadas e melhores condições de mercado para reanimação do sector

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A indústria metalomecânica em Moçambique não só estagnou  como também retrocedeu ao longo de várias décadas e por um longo período de tempo, situação que praticamente conduziu ao esquecimento e abandono deste ramo do sector manufactureiro, outrora  um trunfo da indústria no país.

Como que a confirmar a situação acima descrita, as informações mais actuais sobre o estágio do sector metalomecânico no país são exíguas, praticamente, inexistentes, exceptuando os dados do último Censo de Empresas do Instituto Nacional de Estatísticas apontando que, até 2015, o País contava com apenas 46 unidades de transformação de produtos metálicos básicos em bens finais e destinados a diversos outros sectores de actividade produtivas ou industriais, representando a exígua marca de 0,1% de todo o  tecido empresarial nacional, empregando mais de duas mil pessoas.

Na perspectiva de encontrar soluções para o seu ressurgimento, os industriais metalomecânicos defendem a necessidade de uma atenção particular por parte do governo, a que designam de  “políticas fiscais correctas”.

“Políticas fiscais correctas, não protecionismo”, destacou o PCA da COMETAL, Amade Camal, apontando, igualmente, para as condições de mercado – incluindo a disponibilidade, qualidade e competitividade da energia eléctrica, qualificação de mão de obra – como aspectos indispensáveis que o ambiente de mercado industrial precisa para se desenvolver.

Amade Camal, PCA da COMETAL

Os metalomecânicos referem a medidas que ajudem a melhorar o ambiente de mercado e a conjuntura do sector industrial metalomecânico. A falta de acesso ao crédito para as indústrias de desenvolvimento, a falta de mão-de-obra qualificada, o preço e a qualidade de energia, a burocracia e a “falta de sensibilidade aduaneira” por parte da Autoridade Tributária, são algumas das preocupações amiúde apresentadas pelos operadores do sector.

_COMETAL, um exemplo de resiliência e inovação

Enquanto os incentivos desejados para a revitalização da indústria ainda não se fazem sentir, a COMETAL, na sua atitude de resiliência e inovação tem estado a actualizar o seu processo produtivo, através da reposição de linhas de seus produtos tradicionais e introduzindo novas conforme a vocação da empresa e as demandas e oportunidades actuais do mercado.. É assim que a empresa está a apostar na recuperação e actualização das suas unidades produtivas tradicionais, inovando em produtos de realização rápida e ajustadas às condições actuais de utilização final.

Com efeito, a COMETAL tem estado a recondicionar  motorizadas que deverão chegar ao mercado ao preço de 80 mil meticais mais barato em relação as importadas e em primeira mão. Um preço que se considera bastante competitivo. Além daquelas resultantes da actividade de recondicionamento a ser realizada nas oficinas móveis, assegurando uma reutilização sustentável em vários pontos do país e em diferentes finalidades, a empresa tem disponíveis 1300 motorizadas novas, montadas localmente.

Além desta solução, a COMETAL prepara-se para colocar oficinas móveis em todos os distritos numa iniciativa vista como contributiva para o trabalho e auto emprego. Trata-se de estruturas  na base contentores de quarenta pés, adaptadas para outras finalidades,  que serão colocadas uma em cada distrito, existindo no momento 126 unidades destas.

 “Este modelo pretende proporcionar oportunidade de trabalho e não emprego…os mecânicos e gestores que vão trabalhar nestas oficinas móveis são dos distritos, treinadas por nós e pelos fabricantes de equipamentos agrícolas e veículos mas trabalham por conta própria”, frisou Camal.

A empresa pretende alargar esta solução e adaptar as oficinas móveis para diversos usos em condições específicas em áreas como segurança pública e serviços de saúde.

Instado a pronunciar-se sobre a sustentabilidade das soluções e produtos que a COMETAL tem estado a trabalhar, Amade Camal destacou a pertinência do que designou de trilogia industrial: sector público, governo e consumidor. É na articulação desta trilogia que reside a sustentabilidade, frisou, para depois acrescentar, que  “não há milagres, pois nenhum dos sectores tem de obrigar o outro, tem, sim  que ser um trabalho conjunto, uma equipe de desenvolvimento de Moçambique, sendo que cada um deve fazer a sua parte”, ajustou, acrescentando ainda que as soluções desenvolvidas constituem uma resposta nacional e sob medida aos problemas específicos do nosso País.

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