ExportaMoz Estrutura Parcerias Para Impulsionar Exportações E Financiar Agronegócio Nacional

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Acordos com Banco Mais e Câmara de Comércio Moçambique–África do Sul visam reduzir défice comercial, estruturar cadeias de valor e posicionar o país como produtor e exportador

Questões-Chave:
  • ExportaMoz assina memorandos com Banco Mais e Câmara Moçambique–África do Sul;
  • Parcerias focam financiamento e acesso a mercados externos;
  • Agronegócio surge como eixo central da estratégia exportadora;
  • Modelo propõe exportador como “off-taker” para reduzir risco produtivo;
  • Moçambique procura inverter padrão de economia assente em importações;
  • Objectivo é transformar logística em produção com valor acrescentado.

Parcerias Reposicionam Exportações No Centro Da Estratégia Económica

A ExportaMoz deu um passo estratégico na tentativa de reposicionar Moçambique no comércio regional, ao formalizar memorandos de entendimento com o Banco Mais e a Câmara de Comércio e Indústria Moçambique–África do Sul.

Os acordos foram assinados no âmbito da segunda edição do Workshop sobre Comércio Internacional e Acesso ao Financiamento para Exportações, numa iniciativa que procura responder a um dos principais desafios estruturais da economia moçambicana: a sua elevada dependência de importações.

Segundo a informação apresentada no evento, o objectivo central passa por reforçar a capacidade exportadora do país, dinamizar o agronegócio e contribuir para a redução do desequilíbrio histórico da balança comercial.

De Corredor Logístico A Economia Produtiva

O CEO da ExportaMoz, Miguel Jóia, enquadrou a iniciativa como parte de uma mudança estrutural necessária no modelo económico nacional.

Segundo o responsável, Moçambique não pode continuar a posicionar-se apenas como um corredor logístico de passagem de mercadorias, devendo evoluir para uma economia produtiva e exportadora.

“Temos condições logísticas, capacidade produtiva agrícola e recursos minerais para competir nos mercados internacionais”, afirmou, defendendo uma abordagem que privilegie a criação de valor interno e a inserção activa nos mercados externos .

Esta visão traduz uma preocupação crescente com a necessidade de diversificar a base económica e reduzir a vulnerabilidade externa.

Agronegócio Surge Como Pilar De Transformação Económica

No centro desta estratégia está o agronegócio, identificado como um dos sectores com maior potencial para impulsionar exportações e gerar valor acrescentado.

Foram destacados exemplos concretos, como a produção de citrinos e arroz na província de Gaza, bem como iniciativas emergentes como o cultivo de gergelim em Inhambane.

Estes projectos evidenciam a necessidade de estruturar cadeias de valor completas, que integrem produção, processamento e acesso ao mercado, criando condições para uma inserção competitiva no comércio internacional.

Financiamento Como Condição Crítica Para Escalar Produção

O memorando com o Banco Mais introduz uma dimensão crítica: o financiamento estruturado ao agronegócio.

O Administrador-Delegado do banco, Gildo Lucas, reconheceu que, apesar da centralidade do sector agrícola no discurso político, persistem limitações estruturais que impedem a sua afirmação como motor económico.

Segundo o responsável, o principal constrangimento não reside apenas na produção, mas no acesso ao mercado.

“Produzir sem mercado desmotiva o agricultor. A exportação pode ser uma solução estruturante”, afirmou, sublinhando a necessidade de alinhar produção e comercialização.

Modelo De Off-Taker Reduz Risco E Atrai Investimento

Uma das abordagens mais relevantes apresentadas no âmbito da parceria passa pela criação de um modelo em que o exportador actua como “off-taker”, garantindo a compra da produção.

Este modelo reduz significativamente o risco para produtores e financiadores, criando condições para o aumento da produção e para a mobilização de financiamento.

Ao assegurar mercado para os produtos, estabelece-se uma base mais sólida para o desenvolvimento de cadeias produtivas e para a atracção de investimento privado.

Integração Regional E Facilitação De Negócios

A parceria com a Câmara de Comércio e Indústria Moçambique–África do Sul introduz uma dimensão adicional: a facilitação do comércio e investimento entre os dois países.

O representante da Câmara, Isaías Chambeze, destacou que a iniciativa visa não apenas aproximar empresários, mas também estruturar plataformas mais robustas para o comércio bilateral.

Apesar do interesse crescente de empresas sul-africanas, persistem desafios associados à informalidade dos processos e às dificuldades de financiamento, factores que limitam o potencial de integração económica.

Entre Potencial Agrícola E Constrangimentos Estruturais

O contexto em que surgem estas parcerias é marcado por uma contradição estrutural: um elevado potencial produtivo coexistindo com limitações significativas na sua exploração.

Moçambique dispõe de recursos naturais abundantes e condições favoráveis para a agricultura, mas enfrenta desafios ligados à organização das cadeias produtivas, acesso a financiamento e integração em mercados externos.

Neste sentido, iniciativas que articulem produção, financiamento e acesso a mercados assumem um papel determinante.

Exportações Como Eixo De Reequilíbrio Económico

A aposta nas exportações surge como um instrumento central para reequilibrar a economia moçambicana.

Ao reforçar a capacidade de produzir e exportar bens com valor acrescentado, o país poderá reduzir a sua dependência de importações, melhorar a balança comercial e gerar novas fontes de crescimento.

A criação de um ecossistema funcional, que ligue produtores, financiadores e mercados, será determinante para alcançar este objectivo.

Entre Estratégia E Execução: O Desafio Decisivo

As parcerias agora estabelecidas representam um passo relevante, mas o seu impacto dependerá da capacidade de implementação.

A transformação estrutural do sector agrícola e exportador exige consistência, coordenação institucional e continuidade das políticas.

O desafio passa por transformar estas iniciativas em resultados concretos, capazes de alterar de forma sustentada o perfil económico do país.

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