
Índia Conclui Entrega De 10 Locomotivas A Moçambique E Reforça Capacidade Operacional Dos CFM
Aquisição integra plano de investimento de 14 mil milhões de meticais até 2030 para responder ao crescimento do transporte mineiro e consolidar o país como corredor logístico regional
- Índia entrega 10 locomotivas diesel-eléctricas aos CFM;
- Contrato avaliado em cerca de 37,7 milhões de dólares;
- Equipamentos visam transporte de carga pesada e passageiros;
- Governo prevê investir 14 mil milhões de meticais até 2030;
- Procura ferroviária deverá crescer impulsionada por exportações minerais;
Entrega reforça modernização do sistema ferroviário
A Índia concluiu a entrega de um lote de 10 locomotivas modernas a Moçambique, num marco que reforça a cooperação bilateral no sector ferroviário e acelera o processo de modernização dos Caminhos de Ferro de Moçambique.
Segundo o documento sobre a modernização dos CFM, as locomotivas foram fabricadas pela Banaras Locomotive Works e fornecidas através da empresa pública RITES Limited, sendo unidades diesel-eléctricas de alta potência, concebidas para operar nas linhas de bitola estreita predominantes na região.
As entregas decorreram de forma faseada entre Junho de 2025 e o início de 2026, com a chegada do último lote ao Porto de Maputo.
Nova frota aumenta eficiência e capacidade de tracção
As locomotivas introduzidas representam um salto qualitativo na capacidade operacional do sistema ferroviário nacional.
Com potência de 3.300 cavalos, velocidade operacional até 100 km/h e tecnologia de tracção AC-AC, estas unidades oferecem maior eficiência energética, maior durabilidade e melhores condições operacionais para os maquinistas, de acordo com a mesma fonte.
Estas características são particularmente relevantes num contexto em que o sistema ferroviário moçambicano está cada vez mais orientado para o transporte de carga pesada, incluindo carvão e outros recursos minerais.
Investimento insere-se em estratégia logística de longo prazo
A aquisição destas locomotivas faz parte de um plano mais amplo do Governo moçambicano para reforçar o sector ferroviário como pilar da logística nacional.
Segundo o Plano Económico e Social e Orçamento do Estado, o país prevê investir cerca de 14 mil milhões de meticais até 2030 em infra-estruturas ferroviárias, incluindo a aquisição de mais locomotivas, a compra de cerca de 250 vagões para transporte de minerais e a expansão da frota existente.
O plano inclui ainda a duplicação de linhas estratégicas, como o corredor de Ressano Garcia, com o objectivo de aumentar a capacidade de escoamento de cargas.
Crescimento da procura pressiona capacidade ferroviária
O reforço da frota ocorre num contexto de crescimento acelerado da procura por transporte ferroviário.
De acordo com a mesma fonte, o tráfego ferroviário deverá crescer cerca de 26,6%, impulsionado principalmente pelo aumento das exportações de commodities minerais e pela procura de transporte de passageiros.
Este crescimento coloca pressão adicional sobre a capacidade existente, tornando indispensável o investimento contínuo em equipamentos e infra-estruturas.
Logística ferroviária ganha centralidade na economia
O desenvolvimento do sistema ferroviário está directamente ligado à estratégia de Moçambique de se posicionar como corredor logístico regional.
Com a expansão de projectos mineiros em Tete, o desenvolvimento do sector do gás e o aumento da exploração de areias pesadas, a eficiência dos CFM torna-se um factor crítico para reduzir custos de transporte e aumentar a competitividade das exportações.
Neste contexto, o reforço da capacidade ferroviária assume uma dimensão estratégica para a economia.
Parceria com a Índia reforça diversificação de alianças
A conclusão do contrato evidencia também a crescente presença da Índia no sector ferroviário africano, no âmbito da estratégia “Make in India, Make for the World”.
Para Moçambique, esta parceria representa não apenas acesso a tecnologia ferroviária moderna, mas também a diversificação de parceiros internacionais, reduzindo a dependência de mercados tradicionais.
Desafios estruturais continuam a condicionar o sector
Apesar dos avanços, o sector ferroviário moçambicano continua a enfrentar desafios relevantes.
Entre eles destacam-se a necessidade de garantir manutenção eficiente da nova frota, a sustentabilidade financeira dos investimentos, a integração entre linhas ferroviárias e infra-estruturas portuárias e a gestão transparente dos activos.
A mesma fonte sublinha que o sucesso da modernização dependerá da capacidade de transformar investimento em ganhos operacionais efectivos.
Entre modernização e consolidação de um hub logístico
A introdução de locomotivas modernas representa um passo importante na transformação dos CFM numa plataforma logística mais eficiente.
No entanto, o verdadeiro impacto dependerá da capacidade de consolidar estes avanços num sistema integrado, capaz de responder à crescente procura e de sustentar a ambição de Moçambique como hub logístico na África Austral.
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