Desenvolvimento do turismo passa pela melhoria da competitividade do sector

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Em virtude das suas dotações, o país tem tirado partido de alguns benefícios do seu potencial turístico, resultantes, fundamentalmente, do movimento de pessoas, divisas e a geração de emprego, no entanto, o sector ainda não se assume como um instrumento de transformação e impulsor do desenvolvimento económico.

Esta realidade é evidenciada pelo contributo relativamente baixo do sector para o PIB, e reforça a ideia de que a competitividade, e não a mera existência de um enorme potencial turístico, é que poderá resultar num maior crescimento do sector e do seu peso na economia. Mais concretamente, a qualidade do pacote turístico e as infra-estruturas, mormente no transporte aéreo, devem merecer especial atenção.

 “Eu acho que a primeira coisa que tem que ser feita é mudar a qualidade do nosso turismo”, destacou Hipólito Hamela, Assessor Económico da Câmara de Comércio de Moçambique, falando ao “O.Económico” sobre as ideias existentes para aumentar a competividade e atractividade do pacote turístico nacional.

Para o economista, o país deve criar condições para melhorar a qualidade do pacote turístico, desde o padrão dos serviços nas estâncias até a manutenção dos pontos turísticos. Um processo que, segundo avançou, deve ser levado pelos próprios operadores do sector, agentes que, no seu entender, têm condições de participar na estruturação de um financiamento às iniciativas no sector: “Isso aí é uma coisa para o sector privado fazer (…) não tem que ser o Estado a fazer. O Estado deve criar as condições”, frisou.

Hipólito Hamela, Assessor Económico da Câmara de Comércio de Moçambique

“Primeiro sobes a fasquia da qualidade do turismo que ofereces, isso permite subir o preço”, destacou, para depois explicar que, além do desenvolvimento de infra-estruturas, a presença de um turismo de qualidade e grande porte gera spillovers que se traduzem em externalidades com os gastos na população.

Outrossim, a par das acções de melhoria da qualidade do produto turístico, avançou, o País precisa desenvolver competitividade no mercado doméstico de transporte aéreo, uma vez que “o transporte aéreo é o backbone do turismo”, principalmente considerando que boa parte do nosso turismo é muito dependente da “capacidade e da vontade de gastar dos turistas internacionais”.

“Temos que acabar com o monopólio da LAM. Isto é uma coisa para fazer”, referiu, para depois acrescentar que, contrariamente aos discursos que temos acompanhando, o mercado nacional de aviação continua monopolizado, o que não só acaba afectando a competitividade do pacote turístico nacional como também impossibilita uma maior rentabilização das infra-estruturas aeroportuárias.

“Não estamos abertos”, destacou, apontando para a necessidade de, não só liberalizar o mercado de aviação como também de restruturar a companhia de bandeira, injectando capitais privados: “temos que aumentar a competividade da nossa LAM. A LAM precisa de uma restruturação muito forte”.(OE)

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