
Um SUSTENTA para o desenvolvimento do turismo
_ O desenvolvimento do turismo e a promoção do seu contributo para a economia passa pela criação de um programa estratégico para o sector, um “SUSTENTA”, defende Hipólito Hamela, assessor económico da Câmara de Comércio de Moçambique.
Figurando entre os sete principais países de destino turístico na SADC – um grupo que compreende a África do Sul, Zimbabwe, Botswana, Namíbia, Maurícias e Tanzânia – Moçambique apresenta um enorme potencial turístico, no entanto, devido à uma série de vicissitudes associadas a própria economia e a falta de medidas de política voltadas ao sector, a sua contribuição encontra-se “muito aquém do desejado”.
Antes de experimentar uma redução drástica devido ao impacto da pandemia da Covid-19, a contribuição do sector situava-se em torno de 5 a 6% do Produto Interno Bruto(PIB), um nível qualificado como “não satisfatório” quando considerado o potencial e as vantagens comparativas que o país apresenta no sector: “Essa contribuição não é satisfatória se olharmos para aquilo que é a contribuição do turismo no PIB de outros países”, referiu.
A título de exemplo, ao nível da SADC, Moçambique tem uma arrecadação de receitas turísticas per capita de apenas 4 dólares, muito abaixo da média regional de 51 dólares, uma clara desproporção considerando o facto de que é o quarto país que mais recebe turistas na região, segundo dados do Programa do Turismo da SADC 2020-2030.
Portanto, há ainda um potencial expressivo por se explorar, no entanto, “precisamos de um programa estratégico para o desenvolvimento do sector: um SUSTENTA para o turismo”, destacou Hamela, explicando que um plano estratégico, bem vendido a comunidade internacional, com um grande ownership do sector privado, pode promover o desenvolvimento do sector.
“Se temos uma estratégia, temos que ter uma melhor estratégia, mais divulgada, mais ousada, mais objectiva, com metas, financiamento e gente capaz para implementar”, frisou. Para o economista, este programa tem o potencial de, à semelhança do que está a acontecer no sector da agricultura, impulsionar o contributo do turismo na economia.
Fundamentalmente, propõe a atribuição de uma maior atenção ao sector, com estratégias claras e concretas para o seu desenvolvimento. “Eu acho que nós temos que começar a falar tanto do sector do turismo e da agricultura, como falamos do gás e do petróleo: “Porque o petróleo e gás não dão emprego aos moçambicanos, no entanto, vai nos dar income que, bem gerido, poderá ser muito bem usado para esses dois sectores fundamentais”. (OE)
















