
Moçambique Procura 1.262 Ex-Mineiros Para Libertar 148 Milhões De Randes Em Benefícios
- Brigadas moçambicanas e sul-africanas estão a localizar antigos trabalhadores das minas e respectivos dependentes nas províncias de Maputo, Gaza e Inhambane. A campanha aproxima os serviços, facilita a abertura de contas bancárias e procura transformar contribuições há muito retidas em pensões, compensações e rendimento para as famílias.
Questões-Chave
- Foram identificados 1.262 antigos mineiros e familiares com benefícios estimados em 148 milhões de randes, equivalentes a cerca de 532 milhões de Meticais.
- Os beneficiários trabalharam nas minas sul-africanas de ouro, platina e carvão e efectuaram contribuições desde 1989.
- A campanha decorre nas províncias de Maputo, Gaza e Inhambane, através de postos fixos e brigadas móveis.
- Para confirmação, são solicitados o número de identificação mineira, conhecido por “Makhulu Skop”, documento de identidade ou passaporte e comprovativos salariais disponíveis.
- O processo inclui apoio documental, abertura de contas bancárias e encaminhamento de familiares de mineiros falecidos.
- Os serviços de identificação e tramitação anunciados pelas entidades responsáveis são gratuitos.
- Os dados públicos apresentam também uma campanha mais ampla de 2.271 potenciais beneficiários e 327,9 milhões de randes, uma diferença que requer clarificação sobre os universos abrangidos.
Um total de 1.262 antigos trabalhadores moçambicanos das minas sul-africanas e respectivos familiares foi identificado para receber pensões e compensações avaliadas em aproximadamente 148 milhões de randes.
O montante, equivalente a cerca de 532 milhões de Meticais segundo a informação divulgada pelo Jornal Notícias, corresponde a contribuições e direitos associados a trabalhadores das minas de ouro, platina e carvão desde 1989.
O Governo lançou uma campanha para localizar, identificar e cadastrar os beneficiários, permitindo que tratem dos processos em território moçambicano, sem necessidade de se deslocarem à África do Sul.
As brigadas integram técnicos nacionais e sul-africanos e estão a trabalhar nas províncias de Maputo, Gaza e Inhambane, onde historicamente se concentra uma parte significativa das famílias ligadas ao trabalho mineiro migratório.
A Directora Nacional do Trabalho Migratório, Alice Brito, afirmou que a principal preocupação do Executivo é assegurar que os benefícios acumulados sejam pagos aos trabalhadores inscritos ou aos familiares legalmente habilitados.
“Em vez de serem os nossos trabalhadores a deslocarem-se para a África do Sul, nós criamos condições para que esses fundos venham a Moçambique”, explicou a dirigente durante a apresentação da iniciativa.
Campanha Aproxima Serviços Dos Beneficiários
O processo procura responder a uma dificuldade recorrente: muitos ex-mineiros regressaram às comunidades sem receber integralmente os benefícios acumulados durante os anos de trabalho.
Outros faleceram antes de reclamar os valores, deixando esposas, filhos ou outros dependentes sem informação suficiente para concluir os processos.
As equipas deverão confirmar a identidade dos antigos trabalhadores, actualizar dados pessoais, verificar a relação entre os mineiros falecidos e os seus dependentes e organizar os documentos necessários para os pagamentos.
A campanha geral decorre entre 27 de Julho e 14 de Agosto. As informações partilhadas indicam uma primeira fase de atendimento em Maputo e Inhambane, seguida pela deslocação das equipas para Gaza a partir de 3 de Agosto.
Os beneficiários devem confirmar previamente as datas e os locais de atendimento junto dos serviços provinciais, uma vez que o calendário das brigadas móveis pode variar de distrito para distrito.
Listas Estão Disponíveis Em Serviços Provinciais E No INSS
Os antigos mineiros e respectivos familiares deverão consultar as listas afixadas nos Departamentos Provinciais do Trabalho e Segurança Social, na Direcção Nacional do Trabalho Migratório, nos escritórios ligados à previdência dos mineiros e nos postos do Instituto Nacional de Segurança Social.
Na província de Maputo, o atendimento abrange as cidades de Maputo e Matola. Em Gaza, estão indicados Xai-Xai, Chókwè e Chibuto. Em Inhambane, os pontos incluem Massinga e Maxixe, para além das brigadas móveis enviadas às comunidades.
O documento-base acrescenta que as listas podem ser consultadas na plataforma electrónica do ministério responsável pelo Trabalho, Emprego e Segurança Social. Também foram criados mecanismos para encaminhar processos de potenciais beneficiários localizados em Sofala, Manica e Zambézia.
A descentralização do atendimento reduz custos de transporte e alojamento, particularmente para idosos e famílias residentes em zonas rurais.
Também diminui o risco de os beneficiários recorrerem a intermediários informais que cobram valores para tratar de processos que devem ser gratuitos.
“Makhulu Skop” É Documento Central Para A Confirmação
Para a confirmação da identidade, os antigos trabalhadores devem apresentar, quando disponível, o número de identificação atribuído nas minas, vulgarmente conhecido por “Makhulu Skop”.
Devem igualmente levar bilhete de identidade ou passaporte e qualquer recibo de pagamento de salários, documento da empresa mineira ou comprovativo relacionado com o período de trabalho.
A ausência de um dos documentos não deve levar o potencial beneficiário a desistir antes de contactar a brigada. Muitos processos poderão exigir cruzamento de informações entre os registos moçambicanos, os fundos sul-africanos e os arquivos das antigas empresas empregadoras.
No caso de mineiros falecidos, os familiares poderão necessitar de documentos que comprovem o óbito e a relação familiar, incluindo certidões de nascimento, casamento ou outros elementos solicitados durante a verificação.
O objectivo do cadastramento é assegurar que os valores sejam entregues às pessoas legalmente habilitadas e evitar pagamentos indevidos, duplicações ou fraudes.
Apoio Inclui Documentação E Contas Bancárias
O Governo está a aproximar serviços complementares dos locais de atendimento.
As equipas deverão apoiar a emissão ou regularização de documentos de identificação, orientar a organização dos processos e facilitar a abertura de contas bancárias para o depósito dos valores.
A presença de instituições bancárias é especialmente importante porque uma parte dos beneficiários poderá não possuir conta activa ou documentação actualizada.
O pagamento através do sistema financeiro formal pode aumentar a segurança, reduzir a circulação de grandes montantes em numerário e criar uma primeira ligação entre as famílias e outros serviços financeiros.
Essa integração precisa, contudo, de ser acompanhada por informação simples sobre custos bancários, cartões, levantamentos, procurações e protecção contra burlas.
Para muitas famílias, o benefício poderá representar o maior montante recebido de uma só vez. A literacia financeira torna-se, por isso, parte relevante do processo de restituição dos direitos.
Fundo De Previdência Abrange Diferentes Tipos De Benefícios
O Mineworkers Provident Fund, MWPF, foi constituído em 1989 como um fundo de reforma destinado aos trabalhadores da indústria mineira sul-africana.
A instituição administra benefícios de reforma, morte, incapacidade, funeral e despedimento ou redução de pessoal, entre outras formas de protecção dos membros.
Os montantes individuais não serão necessariamente iguais. Dependem das contribuições efectuadas, do período de trabalho, da situação do membro, da categoria do benefício e da existência de dependentes reconhecidos.
Os 148 milhões de randes representam, portanto, um valor agregado estimado para o universo identificado e não uma compensação uniforme para cada beneficiário.
A conclusão do processo exige que os antigos mineiros ou familiares confirmem os registos e cumpram os requisitos aplicáveis ao benefício específico.
Previdência E Compensações Por Doença Não São O Mesmo Mecanismo
A campanha envolve ainda representantes da Tshiamiso Trust, entidade criada para gerir compensações relacionadas com silicose e tuberculose contraídas por trabalhadores de determinadas minas de ouro sul-africanas.
É importante distinguir os dois mecanismos.
O Mineworkers Provident Fund administra essencialmente benefícios previdenciários resultantes da relação de trabalho e das contribuições dos membros.
A Tshiamiso Trust, por sua vez, trata de pedidos de compensação de trabalhadores que realizaram actividades de risco em minas de ouro qualificadas, em períodos específicos entre Março de 1965 e Dezembro de 2019, ou dos dependentes dos trabalhadores falecidos.
Nem todos os ex-mineiros são automaticamente elegíveis para a compensação da Tshiamiso. É necessário confirmar a mina, o período de trabalho, a exposição ocupacional e, quando aplicável, realizar exames médicos para determinar a existência de silicose ou tuberculose abrangida pelo acordo.
A própria Tshiamiso alerta que o processo de reclamação é gratuito e que os documentos só devem ser entregues a funcionários autorizados nos locais de atendimento.
Esta diferenciação deve ser claramente comunicada para evitar que as famílias confundam uma pensão ou benefício previdenciário com uma compensação por doença profissional.
Valores Retidos Representam Rendimento Das Famílias
O pagamento dos benefícios possui um alcance económico que ultrapassa a regularização administrativa.
Os recursos pertencem a trabalhadores que contribuíram durante anos para a indústria mineira sul-africana e, em muitos casos, sustentaram agregados familiares e economias locais através dos seus salários e remessas.
Quando os benefícios permanecem não reclamados, o trabalhador ou a família perde acesso a rendimento que poderia ser utilizado na alimentação, saúde, habitação, educação, agricultura ou pequenos negócios.
A libertação de aproximadamente 532 milhões de Meticais poderá gerar efeitos relevantes nas comunidades abrangidas, sobretudo em distritos onde as oportunidades de emprego formal são reduzidas.
O impacto dependerá da rapidez do pagamento, da distribuição efectiva dos montantes e da capacidade de evitar cobranças ilegais e apropriação indevida dos valores.
Migração Mineira Criou Direitos Que Atravessam Gerações
Durante décadas, milhares de moçambicanos trabalharam nas minas da África do Sul, estabelecendo uma ligação económica profunda entre as comunidades do Sul de Moçambique e a indústria mineira daquele país.
Os salários, remessas e pagamentos diferidos contribuíram para o consumo, construção de habitações, aquisição de gado, educação dos filhos e sobrevivência de muitas famílias.
A dimensão histórica do trabalho migratório ajuda a explicar por que razão alguns processos envolvem agora viúvas, filhos e outros dependentes.
O longo intervalo entre o período de trabalho e a reclamação dos direitos aumenta a complexidade documental. Nomes podem ter sido registados de formas diferentes, documentos perderam validade, empresas alteraram designações e algumas famílias mudaram de residência.
A cooperação entre os dois países é, por isso, indispensável para cruzar bases de dados, localizar beneficiários e validar os processos.
Números Divulgados Precisam De Melhor Harmonização
As informações publicadas sobre a campanha apresentam dois universos que ainda precisam de ser claramente distinguidos.
O anúncio detalhado agora divulgado refere 1.262 antigos mineiros e familiares, com benefícios avaliados em 148 milhões de randes. Este é também o universo apresentado no documento partilhado.
Uma informação anterior sobre a campanha nacional indicava, contudo, a intenção de localizar 2.271 potenciais beneficiários nas três províncias, associados a um montante global de aproximadamente 327,9 milhões de randes.
As autoridades ainda deverão esclarecer se os 1.262 correspondem a uma primeira lista já confirmada, a uma categoria específica de benefícios ou a um subconjunto do universo total da campanha.
A harmonização dos dados é importante para evitar expectativas incorrectas, permitir o acompanhamento público dos pagamentos e medir quantos processos permanecem por concluir.
Campanhas Anteriores Mostram Dimensão Dos Benefícios Não Reclamados
A localização de antigos mineiros não começou em 2026.
Em 2024, o Governo anunciou uma campanha destinada a identificar mais de três mil antigos trabalhadores das minas sul-africanas, com benefícios então avaliados em aproximadamente 285,6 milhões de randes.
A repetição destas iniciativas mostra que o problema dos benefícios não reclamados possui uma dimensão acumulada.
Cada nova campanha permite recuperar processos, mas também revela limitações persistentes na actualização dos dados, comunicação com os trabalhadores durante o vínculo laboral e acompanhamento depois do regresso a Moçambique.
Um sistema mais preventivo deveria assegurar que o mineiro regressasse ao País com informação actualizada sobre as suas contribuições, beneficiários registados e procedimentos de reclamação.
A digitalização dos registos, actualização periódica dos contactos e interoperabilidade entre instituições moçambicanas e sul-africanas poderiam reduzir a necessidade de futuras campanhas de localização em larga escala.
Gratuidade É Essencial Para Proteger Os Beneficiários
As entidades envolvidas afirmam que o processo de identificação, cadastramento e encaminhamento dos pagamentos não implica custos para os beneficiários.
Esta mensagem deve ser repetida, sobretudo porque idosos, viúvas e pessoas com reduzido conhecimento dos procedimentos financeiros podem tornar-se alvos de intermediários e burladores.
Nenhum beneficiário deve pagar para colocar o nome numa lista, acelerar o processo ou garantir a aprovação de uma compensação.
As famílias também devem evitar entregar documentos originais ou dados bancários a pessoas que não estejam devidamente identificadas como membros das brigadas ou funcionários das instituições envolvidas.
A protecção dos beneficiários será uma medida tão importante quanto o valor global transferido.
Pagamento Deve Ser Acompanhado Até Ao Último Beneficiário
A campanha representa um avanço na restituição de direitos acumulados por trabalhadores que contribuíram para uma das principais indústrias da África Austral.
Mas a identificação dos nomes é apenas a primeira etapa.
O processo precisará de avançar para a validação, abertura de contas, resolução dos casos documentais, aprovação dos benefícios e confirmação dos depósitos.
O acompanhamento público deveria indicar quantos dos 1.262 beneficiários foram efectivamente localizados, quantos processos foram aprovados, quanto foi pago e que casos continuam pendentes.
Sem esta informação, será difícil distinguir o montante disponibilizado do valor que chegou às famílias.
A meta anunciada pelo Governo é assegurar o pagamento até ao último mineiro ou dependente elegível. Para que esse compromisso seja cumprido, a campanha terá de combinar proximidade territorial, rigor documental, transparência e protecção contra cobranças indevidas.
Os 148 milhões de randes não constituem assistência ou favor institucional. Representam direitos resultantes do trabalho e das contribuições de cidadãos moçambicanos que passaram parte das suas vidas nas minas da África do Sul.
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