Independência Económica Exige Empresas Nacionais Mais Competitivas

0
63
  • Presidente da República defende uma economia mais produtiva e competitiva, com maior participação nacional nas cadeias de valor, instituições eficientes e estabilidade capaz de atrair investimento.
Questões-Chave:
  • Próxima etapa do percurso nacional deverá concentrar-se na conquista da independência económica;
  • Empresas moçambicanas devem adquirir capacidade para competir em igualdade de condições com operadores estrangeiros;
  • Jovens são chamados a liderar a produção, o empreendedorismo e a transformação económica;
  • Paz, segurança e estabilidade são apresentadas como condições indispensáveis para a industrialização e o investimento;
  • Governo reserva 10% dos projectos do sector da agricultura aos veteranos da Luta de Libertação Nacional.

O Presidente da República, Daniel Chapo, defendeu que a nova etapa do desenvolvimento de Moçambique deve concentrar-se na construção de uma economia mais produtiva, competitiva e com maior participação dos cidadãos e das empresas nacionais.

Discursando por ocasião do 52.º aniversário da assinatura dos Acordos de Lusaka, celebrado a 7 de Setembro, o Chefe do Estado afirmou que, depois de cinco décadas dedicadas à consolidação do Estado, à preservação da soberania e à afirmação internacional do País, o desafio colocado às actuais gerações é transformar a independência política em capacidade económica.

A visão apresentada pelo Presidente da República não pressupõe o isolamento de Moçambique, mas a criação de uma economia aberta e competitiva, capaz de assegurar melhores condições de vida, ampliar a produção interna e melhorar o posicionamento do País nos mercados regional e internacional.

Empresas Nacionais Devem Ganhar Escala Competitiva

Daniel Chapo colocou a capacidade empresarial nacional no centro da independência económica, defendendo a criação de condições para que as empresas moçambicanas possam competir em igualdade de circunstâncias com as estrangeiras.

A concretização dessa visão implica aumentar a produtividade, melhorar o ambiente de negócios, ampliar o acesso ao financiamento, desenvolver competências técnicas e fortalecer a participação das empresas nacionais nos grandes projectos e nas cadeias de fornecimento.

“Queremos empresas moçambicanas capazes de competir em pé de igualdade com as estrangeiras”, afirmou o Presidente da República, acrescentando que o objectivo é construir uma economia “cada vez mais moçambicana”, sem deixar de estar integrada nos mercados regional e mundial.

O posicionamento aponta para uma estratégia económica em que a atracção de investimento deve caminhar ao lado do desenvolvimento da capacidade produtiva interna. Essa articulação poderá permitir que o capital externo gere maior procura por bens e serviços nacionais, transferência de conhecimentos e oportunidades de crescimento para as pequenas e médias empresas.

Jovens Chamados A Liderar A Transformação Económica

O Presidente da República atribuiu aos jovens um papel central na nova agenda económica, defendendo uma participação mais ampla nas cadeias de valor e nos processos de produção e inovação.

Segundo Daniel Chapo, a luta das novas gerações deve ser travada através do conhecimento, da ciência, da tecnologia, da produção e do empreendedorismo, instrumentos considerados determinantes para a transformação estrutural da economia.

A mensagem coloca a juventude para além da condição de beneficiária das políticas públicas, atribuindo-lhe responsabilidade directa na criação de empresas, emprego, soluções tecnológicas e novos modelos de produção.

Para que essa participação se torne efectiva, será necessário aproximar a formação das necessidades da economia, melhorar o acesso dos jovens ao financiamento e criar mecanismos que facilitem a sua entrada nos sectores com maior potencial de crescimento e geração de valor.

Segurança Torna-se Parte Da Política Económica

Daniel Chapo relacionou directamente a independência económica com a paz, a estabilidade e a segurança, sustentando que nenhum país pode expandir a produção, construir fábricas ou atrair investimento num ambiente dominado pelo medo e pela incerteza.

“Não podemos construir fábricas onde existe insegurança. Não podemos aumentar a produção onde existe medo. Não podemos atrair investimento onde não existe estabilidade”, declarou.

A segurança assume, nesta perspectiva, uma dimensão económica. A previsibilidade das operações, a protecção de pessoas e activos e a confiança nas instituições influenciam as decisões de investimento, o custo do capital e a continuidade das actividades empresariais.

O Presidente afirmou que, desde 7 de Outubro de 2025, o País não registou qualquer caso de rapto, correspondendo a 11 meses sem novas ocorrências. Referiu igualmente que nenhuma vila ou sede distrital permanece sob controlo de grupos terroristas em Cabo Delgado.

A redução dos raptos e a recuperação territorial no Norte poderão contribuir para restaurar a confiança dos agentes económicos, embora a consolidação da segurança continue a exigir capacidade institucional, prevenção criminal e protecção duradoura das zonas produtivas.

Eficiência Institucional E Digitalização Do Estado

A construção da independência económica foi igualmente associada ao combate à corrupção e à melhoria do funcionamento das instituições públicas.

Daniel Chapo defendeu um País com instituições mais eficientes e funcionários íntegros, comprometidos com um serviço público transparente, profissional, humanizado e célere. O processo de transformação digital do sector público foi apresentado como parte dessa mudança.

A digitalização poderá reduzir procedimentos administrativos, custos de contexto e oportunidades para práticas informais, melhorando a relação entre o Estado, os cidadãos e as empresas. O seu impacto económico dependerá, entre outros factores, da interoperabilidade dos sistemas, da simplificação efectiva dos processos e da expansão da conectividade.

Agricultura Reserva Espaço Aos Veteranos

No domínio da inclusão económica, o Presidente da República anunciou que, a partir deste ano, 10% dos projectos do sector da agricultura serão reservados aos veteranos da Luta de Libertação Nacional, em todo o País.

A medida procura garantir a participação dos veteranos no processo de desenvolvimento, associando o reconhecimento histórico à criação de oportunidades económicas concretas.

A agricultura oferece uma base relevante para essa integração, devido ao seu peso no emprego e nos meios de subsistência das famílias. O impacto da iniciativa estará ligado à qualidade dos projectos, ao acesso a factores de produção, assistência técnica, financiamento e mercados.

Independência Económica Exige Capacidade De Produzir

Ao associar os Acordos de Lusaka à actual agenda de desenvolvimento, Daniel Chapo deslocou o significado da celebração para os desafios económicos do presente.

Na visão apresentada, a nova conquista nacional deverá traduzir-se na capacidade de produzir mais, competir, gerar emprego, transformar recursos localmente e assegurar que o crescimento beneficie os diferentes segmentos da sociedade moçambicana.

“A geração dos Heróis conquistou a Independência Nacional. E a geração pós-independência teve coragem de conquistar a Independência Económica”, afirmou, ao projectar o legado que espera ver reconhecido pelas futuras gerações.

O Presidente resumiu esta transição através da passagem da palavra de ordem histórica “A Luta Continua” para “Vamos Trabalhar”, defendendo que, se a luta foi necessária para conquistar a liberdade, o trabalho será indispensável para alcançar a prosperidade.