_Para uma economia como a moçambicana que praticamente importa tudo, inverter o quadro “importador” constitui um dos maiores desafios económicos do presente.

A tendência geral é mesmo de um agravamento sistémico do défice da balança comercial, com a economia cada vez mais dependente da importação de bens e serviços do exterior que anualmente tem implicado grandes fluxos de divisas. Só em 2021, o país importou o equivalente a 7,8 mil milhões de dólares, contra as exportações no valor de 5,6 milhões de dólares, resultando num défice na ordem de 2,2 mil milhões dólares.

É para fazer face a este desafio que diferentes iniciativas, quer da parte do Governo quer pelo lado do sector privado, têm estado a convergir no sentido de promover exportações, sobretudo de produtos com mais-valia da indústria transformadora que, só no ano passado, contribuíram com pouco mais de 1,5 mil milhão de dólares em divisas, cerca de 27% do valor global das exportações.

As movimentações mais recentes identificam a Câmara de Comércio de Moçambique e Instituto de Promoção de Pequenas e Médias Empresas (IPEME) em acções que estimulem o sector privado a exportar e cada vez mais. As duas instituições, reconhecendo as fragilidades na cadeia de produção e produtividade da economia moçambicana, instaram as (MPME’s) a desenvolverem soluções integradas de exportação, e para começar, foi ministrada uma capacitação em matéria de prontidão para exportação para (MPME’s).

Lucrécia Langa, Coordenadora do departamento de apoio do IPEME, afirma sobre a iniciativa que a mesma visa atingir a fragilidades prevalecentes, designadamente a da qualidade mas também a escala. Conforme frisou, “as nossas empresas não conseguem produzir”.

Lucrécia Langa, Coordenadora do departamento de apoio do IPEME

A iniciativa está focada na maximização de oportunidades de exportação pelo sector das MPME´s, principalmente para os mercados da SADC e da União Europeia que, no quadro dos acordos preferenciais existentes, proporcionam um acesso privilegiado aos produtos nacionais.

“Este é evento é crucial para as PMES saberem onde há acordos preferenciais para saberem onde levam os seus produtos” – acrescentou a fonte.

Nas áreas de preferência para exportação o programa determina como vantagens: o acesso ao mercado livre de quotas e direitos aduaneiros; o benefício total ou em 100% da liberalização da pauta aduaneira; a contribuição para atração de investimentos estrangeiros, e; o aumento o nível de diversificação dos produtos.

A iniciativa está em linha com a visão estratégica do Governo no que refere a  modernização da indústria e a promoção da produção e exportação de commodities para transformação da economia, inclusive no recém-lançado Programa  Nacional Industrializar Moçambique – PRONAI, que estabelece como um dos objectivos a melhoria da balança comercial do país, por via do aumento das exportações e a substituição competitiva de importações. Mais concretamente, o crescimento sustentado do peso da indústria transformadora no PIB, actualmente em 8%,  para 14%,  e o aumento das exportações  de produtos industriais em 15% até 2030.

Dados recentes da Direcção Nacional de Comércio Externo indicam que, até o momento, o país é centro de operação de pouco mais de 14 mil importadoras, entre empresas e operadores individuais. Paralelamente, o número de empresas exportadoras é aproximadamente 20 vezes menor, apenas 747 empresas e operadores individuais, das quais 29% representam MPME’s e as restantes grandes empresas.

Entretanto, o “O.ECONÓMICO” depreende que o necessário aumento das exportações depende do aumento da base produtiva do país que, como se sabe, é muito fraca, pois não se poderá exportar o que não foi produzido. E aí reside o ponto de inflexão para um crescimento economicamente expressivo, consistente e sustentável das exportações. 

SUBSCREVA O.ECONÓMICO REPORT
Aceito que a minha informação pessoal seja transferida para MailChimp ( mais informação )
Subscreva O.Económico Report e fique a par do essencial e relevante sobre a dinâmica da economia e das empresas em Moçambique
Não gostamos de spam. O seu endereço de correio electrónico não será vendido ou partilhado com mais ninguém.