Análise de Mercados
Análise de Mercados
Semana de 26 a 30 de Julho de 2021
I. Síntese
- O Metical continua numa tendência depreciativa face ao Dólar norte-americano, contudo seu ritmo de depreciação tem vindo a abrandar cada vez mais, tendo o seu valor depreciado em apenas 0.03%, saindo de 63.61 no fecho da última sessão semanal, para 63.63 Meticais por uma unidade do dólar, no fecho desta sessão semanal.
- O dólar atinge mínimo de duas semanas. De acordo com os dados divulgados pelo Departamento do Trabalho, na quarta-feira, os pedidos de auxílio-desemprego nos EUA fixaram-se em 400,000 acima, pela segunda semana consecutiva, o que sugere um desafio contínuo para a frágil recuperação do Mercado de trabalho em meio à pandemia do COVID-19.
- A 29 de Julho de 2021, os 57 Valores Mobiliários cotados na Bolsa de Valores de Moçambique registaram uma Capitalização Bolsista de aproximadamente MZN 124,85 mil milhões, 1,34% acima da registada na semana anterior (MZN 123,20 mil milhões).
- O preço do Petróleo Crude, fixou-se ao nível mais alto da semana, 75 dólares norte-americanos por barril, na quarta-feira (dia 28 de Julho 2021), após dados divulgados pela a Administração de Informação de Energia dos EUA (EIA) revelarem uma queda no estoque de barris armazenados, em cerca de 4,1 milhões de barris na semana de 19 à 23 de Julho.
- O aumento da incerteza da política monetária e a inflação estimula demanda pelo Ouro. A commodity apreciou em 1.58%, saido de 1,796 dólares no dia 28, para o nível mais alto da semana, em volta de 1,825 dólares por onça, na Quinta-feira.
II. Os desenvolvimentos
II.I Mercado Cambial doméstico
À semelhança das semanas anteriores, a dificuldade que existe em suprir a excessiva demanda por Dólares no mercado Nacional, para a efetivação de pagamentos de bens e serviços importados, continua a colocar uma pressão de depreciação sobre o Metical em relação ao Dólar norte-americano. Contudo, o ritmo de depreciação da moeda nacional tem estado a abrandar de forma significativa; Tendo assim, o Metical depreciado em apenas 0,03%, igualmente a sessão antecedente, saindo, assim, o câmbio médio de referência dos bancos, USD/MZN, de 63,61 no fecho da ultima sessão semanal, para 63,63 Meticais por uma unidade de Dólar, no fecho desta sessão semanal.

Por um lado, este abrandamento no ritmo de depreciação do Metical, pode ser justificado pelas medidas restritivas que o Banco de Moçambique tem estado a manter desde o principio do ano. Pode ser que estas medidas, juntamente com outros fatores possam estar a ter um maior efeito/impacto neste período. O Banco Central manteve, no mês corrente, medidas restritivas da circulação do estoque de moeda nacional no mercado, mantendo em alta as taxas de juros, nomeadamente, a Taxa de Politica Monetária (MIMO) em 13.25%, Facilidade Permanente de Deposito (FDP) em 10.25%, Facilidade Permanente de Cedência (FPC) em 16.25%, e na mesma tendência a Prime Rate em 18.90%, de tal modo a condicionar a procura de moeda estrangeira para a realização de importação de bens e serviços, de tal modo que temos observado uma depreciação a um nível abrandado.
Por outro lado, é possível que alguns exportadores e outros detentores de divisas tenham iniciado com a conversão dos seus dólares, para fazer face as suas despesas de tesouraria. A medida que a apreciação do Dólar vai reduzindo por força da politica monetária e outros fatores, o incentivo para os detentores de divisas desfazerem-se de dólares pela moeda nacional torna-se maior. Isto porque os detentores de dólar passam a segurar um activo (o dólar) que começa a depreciar.
Esta tendência de desaceleração do ritmo de depreciação do metical é positiva para Moçambique, pois com ela pode-se prever uma estabilização do Metical face ao Dólar, num futuro próximo, o que é importante para a actuação dos agentes económicos, sejam estes exportadores/ importadores ou investidores, no geral.
II.II Mercado cambial internacional
O dólar, que geralmente move-se inversamente em relação o ouro, caiu na quinta-feira, atingindo uma baixa de duas semanas.
O president do Fed, Jerome Powell, alertou que alguns indicadores macroeconómicos como a taxa de desemprego e pedidos de seguros de/auxílio-desemprego (tanto contínuos como novos seguros), ainda não reduziram o suficiente, ou seja, ainda não atingiram os níveis desejados pelo Fed. Por esta razão, o Fed sugere que ainda seja prematuro reduzir os estímulos a economia e implemntar uma política monetária restritiva, de tal forma que a economia e a actividade economica continue crescendo impulsionando mais reduções de taxa de desemprego. Para além disto, o Fed não divulgou um cronograma para os seus planos de redução de estímulos a economia, conforme era esperado, acrescentado que estava “longe” de considerer aumentos nas taxas de juros.
De acordo com os dados divulgados pelo Departamento do Trabalho, na quarta-feira, os pedidos de auxílio-desemprego nos EUA fixaram-se em 400,000 acima, pela segunda semana consecutiva, o que sugere um desafio contínuo para a frágil recuperação do Mercado de trabalho em meio à pandemia do COVID-19.

II.III Mercado Monetário Interbancário
As taxas directoras continuam fixadas no mesmo nível, estando a MIMO, a FPD e a FPC fixadas em 13,25%, 10,25% e 16,25%, respectivamente.

Prevê-se, para o curto e médio prazos, um agravamento do custo de vida devido ao aumento dos preços dos principais bens e serviços a nível interno e externo, devido ao aumento dos preços do petróleo no mercado internacional, não obstante o fortalecimento do Dólar Norte-Americano que se tem verificado nas últimas semanas.
Como uma das consequências do fortalecimento do Dólar Norte-Americano, encontra-se a Dívida Pública Interna que se mantém elevada, por esta estar cotada nessa divisa, para além das perspectivas da inflação que se podem deteriorar.
O clima económico, a estas alturas, não é dos melhores devido à uma série de riscos e incertezas que comprometem a recuperação económica no presente ano de 2021.
II.IV Crédito à economia
O Crédito à Economia tem apresentado um crescimento bastante tímido, com uma tendência essencialmente de queda, podendo estar por detrás deste comportamento a Prime Rate que por duas vezes ao longo do ano registou aumentos, saindo de 15,50% para 18,90%, afectando claramente a obtenção de financiamento no mercado tradicional de crédito, devido o aumento do custo do capital

III. Mercado de Capitais
A 29 de Julho de 2021, estavam cotados na Bolsa de Valores de Moçambique (BVM) 57 Valores Mobiliários, dos quais 37 Obrigações de Tesouro, 9 Obrigações Privadas, 11 Acções e 0 Papel Comercial, com uma Capitalização Bolsista de aproximadamente MZN 124,85 mil milhões, 1,34% acima da registada na semana anterior (MZN 123,20 mil milhões).

IV. Mercado das commodities
IV.I Petróleo
O preço do Petróleo Crude, fixou-se ao nível mais alto da semana, ao preço de 75 dólares norte-americanos por barril, na Quarta-Feira (dia 28 de Julho 2021), após dados divulgados pela a Administração de Informação de Energia dos EUA (EIA) revelarem uma queda no estoque de barris armazenados, em cerca de 4,1 milhões de barris na semana de 19 à 23 de Julho. Isto representa um uma forte demanda pelo petróleo.

O petróleo apreciou em 8,91%, saindo de 68,62 na segunda feira, para 74,74 dólares por barril, no fecho da sessão semanal.
Por outro lado, apesar do aumento na produção dos países OPEP+, a oferta de petróleo deve permanecer restrita porque o aumento na produção é insuficiente para compensar o aumento esperado na demanda. Se tudo correr bem e não houver mudanças significativas como confinamentos causados por um aumento nos casos de COVID-19, que podem condicionar a demanda do petróleo, o preço do petróleo poderá continuar a subir.
Os investidores devem ficar atentos aos dados sobre os estoques de petróleo para melhor analisarem como os preços do petróleo podem flutuar no curto prazo.
IV.II Ouro
O aumento da incerteza da política monetária e a inflação, estimulou a demanda por ativos considerados portos-seguros como o Ouro. Consequentemente, o ouro apreciou em 1.58%, saido de 1,796 dólares no inicio da semana, para o nível mais alto da semana, em volta de 1,825 dólares por onça, na Quinta-feira, apos a divulgação dos dados referentes a taxa de desemprego e da reunião do FOMC.

V. Situação alimentar mundial – Índice de Preço dos Alimentos
Apesar da queda de 2,50% do Índice de Preços de Alimentos em Junho em relação a Maio, este indicador apresenta uma tendência de alta significativa, o que pode dar indícios de tempos um pouco mais difíceis a posteriori, principalmente naqueles países em vias de desenvolvimento.
Os contínuos aumentos das taxas de câmbio podem ter como consequência o aumento da taxa de inflação, uma vez que os custos das importações aumentam, principalmente para um país cuja estrutura da inflação acarreta uma componente fortemente importadora



















