
Dólar Recua com Regresso do “Sell America”, Euro e Franco Suíço Disparam
A moeda norte-americana caiu para mínimos de várias semanas após novas ameaças geopolíticas dos EUA desencadearem uma venda generalizada de activos americanos, enquanto o iene japonês afunda sob receios fiscais no Japão.
- O índice do dólar registou a pior queda diária em seis semanas, pressionado por vendas de activos dos EUA;
- Euro e franco suíço foram os principais beneficiários do movimento de fuga ao dólar;
- A retórica da Casa Branca sobre a Gronelândia reavivou o chamado “Sell America trade”;
- O iene caiu com a subida recorde dos juros da dívida japonesa, em meio a preocupações fiscais;
- Mercados aguardam sinais da Fed e do Banco do Japão num contexto de elevada volatilidade cambial.
Os mercados cambiais internacionais assistiram esta quarta-feira a um enfraquecimento acentuado do dólar, num movimento associado ao regresso do chamado “Sell America trade”, após novas ameaças geopolíticas dos Estados Unidos terem provocado vendas simultâneas de moeda, acções e obrigações norte-americanas.
O índice do dólar (DXY) caiu 0,53% na sessão anterior — a maior descida diária em seis semanas — e negociava esta manhã praticamente inalterado em torno dos 98,54 pontos, próximo de mínimos de três semanas.
Euro e franco suíço lideram ganhos
O euro chegou a subir mais de 1% na terça-feira, atingindo 1,1770 dólares, o nível mais alto desde 30 de Dezembro, antes de recuar ligeiramente para cerca de 1,1720 dólares.
O franco suíço, tradicional activo de refúgio, também beneficiou fortemente da venda do dólar. A moeda norte-americana caiu quase 1,2%, tocando 0,78795 francos, mínimo desde o final de Dezembro, recuperando depois marginalmente para 0,78965.
Analistas referem que os investidores estão a reduzir exposição a activos dos EUA devido a incerteza política prolongada, risco de retaliação comercial e perda de confiança na liderança norte-americana, factores que alimentam debates sobre desdolarização gradual.
Yen afunda com receios fiscais no Japão
Em contraste com o euro e o franco, o yen japonês manteve-se sob forte pressão. O dólar manteve-se relativamente estável face à moeda nipónica, mas o iene foi penalizado por um forte aumento dos juros da dívida japonesa, após o anúncio de eleições antecipadas e promessas de política fiscal mais expansionista no Japão.
Os títulos de longo prazo foram os mais afectados, com a yield da obrigação japonesa a 40 anos a disparar 27,5 pontos base, para um máximo histórico de 4,215%, recuando ligeiramente para 4,145% na sessão seguinte.
O yen atingiu um mínimo histórico de 200,19 por franco suíço e negociava em torno de 185,50 por euro, muito próximo do mínimo absoluto registado dias antes.
Mercados atentos aos bancos centrais
O foco dos investidores vira-se agora para as próximas decisões de política monetária. A Reserva Federal continua a ser observada quanto a sinais sobre o calendário de cortes de juros, enquanto o Banco do Japão deverá manter as taxas inalteradas na reunião de sexta-feira, após um aumento em Janeiro.
Apesar disso, o tom da comunicação do banco central japonês será crucial, num contexto em que a fraqueza do iene e a incerteza política elevam os riscos inflacionistas.
Forex entra em fase de elevada sensibilidade
O episódio confirma que o mercado cambial global entrou numa fase de elevada sensibilidade a choques políticos e fiscais, com movimentos rápidos entre moedas de refúgio e activos considerados mais expostos ao risco.
Enquanto persistirem tensões geopolíticas, incerteza política nos EUA e desequilíbrios fiscais em grandes economias, o Forex deverá continuar marcado por volatilidade elevada, com impactos directos sobre fluxos de capitais, custos de financiamento e estabilidade macroeconómica global.
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