
FMI acredita que não deverá haver grande impacto com a suspensão do Projecto LNG da TOTAL
Mas a retoma do projecto é sobremaneira crucial para a economia nacional
Perpspectiva-se uma recuperação robusta da economia moçambicana a curto e médio prazo, e não haverá grande impacto da suspensão do Projecto LNG da TOTAL em Afungi, segundo o Representante Residente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Alexis Meyer Cirkel.
Falando na 6ª edição do “Economic Briefing”, evento trimestral da CTA, que aborda diversas temáticas relacionadas com o desempenho empresarial e perspectivas económicas, Alexis Cirkel, minimizou o impacto da suspensão do Projecto da TOTAL na recuperação da economia nacional, sustentando que o actual nível de interligação da economia doméstica a este projecto ainda é muito baixo. Contudo, destacou que a sua continuidade seria muito importante para o rápido crescimento e integração das PME´s nacionais neste Projecto.
De facto, a retoma do projecto é sobremaneira crucial para a economia nacional, não só para a integração das PME´s no mesmo, frisou Cirkel, mas também pelas implicações que a sua paralisação despoleta. Analisando há algum tempo, sobre o mesmo assunto, falando ao “O. Económico”, o Consultor de Oil&Gas, José Mendes, destacou que a situação de instabilidade no norte do país e consequente suspensão do projecto, pode onerar o investimento do mesmo numa posterior retoma, reduzindo os ganhos esperados, principalmente devido aos custos de segurança acrescidos.
Um inquérito conduzido pela CTA, à pelo menos 28 empresas, das quais 15 empresas contratadas directamente pela Total Energy e 13 subcontratadas, revela a magnitude do impacto da suspensão do projecto da Total Energy do Gás Natural Liquefeito (Projecto LNG Golfinho/Atum) da Área 1 Offshore da Bacia do Rovuma, com as empresas a reportaram situações de atraso de pagamentos, a rondar os US$ 15 milhões.
Mais recentemente, numa comunicação ao país sobre a violência armada terrorista em Cabo Delgado, o Presidente da República adiantou que a retirada da TOTAL provocou uma queda de US$ 116 milhões volume de negócios, tendo afectado 28 empresas, das quais 17 sofreram danos materiais graves.
Além da deterioração do rating do país ao nível das seguradoras no plano internacional e o incremento dos custos recuperáveis dos projectos, Mendes explica que os recentes desenvolvimentos na economia podem afectar o preço da commodity no mercado internacional. “As reservas descobertas no país são substanciais”, avançou, para depois acrescentar que, “o mercado espera receber, só do projecto da TOTAL, 30 toneladas de GNL, com perspectivas de subir até 60 toneladas”, pelo que, “a não colocação do volume de LNG de Moçambique no mercado pode criar uma disrupção muito grande em termos de volatilidade de preços”, alertou.
Recorde-se que como resultado das grandes descobertas de gás na Bacia do Rovuma, foram aprovados, até ao momento de três (3) projectos, nomeadamente, o Projecto Coral Sul FLNG a ser implementado na Área 4 pela Eni, o Projecto Golfinho/Atum, actualmente suspenso, a ser executado na Área 1 pela TOTAL Energies, e o Projecto Rovuma LNG, a ser executado também na área 4 pela Mozambique Rovuma LNG (MRV).
No total, segundo Projecções do FMI publicadas em 2016, as receitas fiscais totais dos projectos de gás ao longo de todo período do projecto até 2045 – essencialmente, a participação do governo nos lucros, o IRPC e os dividendos pagos pela ENH, que detém uma participação de 15% na Área 1 e 10% na Área 4 – podem chegar a cerca de 500 mil milhões de dólares.














