Síntese analítica dos mercados financeiros e das commodities

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Retrospectiva do mês de julho de 2021

 

I.     Síntese

  • À semelhança dos três meses antecedentes, no mês de Julho, o Metical continuou numa tendência depreciativa face ao Dólar norte-americano. Contudo, o seu ritmo de depreciação tem vindo a abrandar, cada vez mais, tendo o seu valor depreciado em apenas 0.22%, saindo de 63.49 para 63.63 meticais por um dólar, no fecho do mês.
  • A apreciação quase que contínua do preço do petróleo em Junho não foi replicada em Julho, tendo o preço do petróleo registado algumas perdas significativas. Dados divulgados pela Administração de Informação de Energia (AIE) dos EUA, revelam um decréscimo substancial nos estoques de barris de petróleo, em cerca de 4.1 milhões de barris. Esta foi uma indicação de uma forte e contínua demanda pelo petróleo, e que o aumento de produção do petróleo pela OPEP e seus aliados poderá não ser suficiente para suprir a alta demanda pelo petróleo a curto-médio prazo. Com isto, o petróleo apreciou, voltando assim, a ser transacionado a níveis de USD 76 por barril.
  • Indicadores macroeconómicos dos EUA e perspectivas económicas globais que afectaram o valor do dólar tiverem maior influência sobre as variações do preço do ouro no mês de Julho. O alto nível de inflação dos EUA e dados, desanimadores, referentes a taxa de desemprego e manutenção de posicionamento Dovish do Fed, impulsionaram a apreciação do ouro de volta para o preço em volta de USD 1,825 por onça.
  • Dados recentes apontam que o Índice de Robustez Empresarial cresceu apenas em 1%no II Trimestre de 2021.
  • O Crédito à Economia registou pelo segundo mês consecutivo uma variação positiva, no entanto, ainda pode ser cedo para se apurar o início de uma nova tendência de alta.
  • As taxas médias dos principais instrumentos de dívida estão fixadas a 13,05% para as OT´s (Obrigações de Tesouro) e a 14,75% para as OP´s (Obrigações Privadas).
  • O Índice de Preços de Alimentos registou no mês de Julho de 2021 uma queda em relação ao mês precedente, sendo esta a segunda queda mensal consecutiva, após sucessivos aumentos das cotações dos preços dos alimentos. Cenário optimista, porém, ainda cedo para apurar se marca o início de uma nova tendência de queda do nível geral de preços.

 

II.    Os desenvolvimentos

II.I   Mercado Cambial doméstico

À semelhança dos três meses anteriores, o Metical esteve numa tendência depreciativa face ao Dólar ao longo do mês de Julho, tendo depreciado em 0.22%, de 63.49 no início do mês a 63.63 no fecho do mês. Contudo, o rítmo em que a moeda nacional esteve a depreciar mostrou-se bastante reduzido em relação aos meses antecedes, sobretudo a partir da segunda quinzena de Julho. Onde rítmo de depreciação reduziu de 0.07% para 0.03% nas duas últimas semanas do mês em análise.

Por um lado, este abrandamento no rítmo de depreciação do Metical, pode ser justificado pelas medidas restritivas que o Banco de Moçambique tem estado a manter desde o princípio do ano. Pode ser que estas medidas, juntamente com outros factores possam estar a ter um maior efeito/impacto neste período.

Adicionalmente, , tendo em conta o ciclo das exportações de Moçambique, que tende a aumentar no II trimestre do ano, é possível que alguns exportadores e outros detentores de divisas tenham iniciado a conversão dos seus dólares, para fazer face as suas despesas de tesouraria. À medida que a apreciação do Dólar vai reduzindo por força da política monetária e de entrada de divisas na economia, o incentivo para os detentores de divisas desfazerem-se de dólares pela moeda nacional torna-se maior. Isto porque os detentores de dólar passam a segurar um ativo (o dólar) que começa a depreciar.

Esta tendência de desaceleração do rítmo de depreciação do metical é positiva para Moçambique, pois, com ela pode-se prever uma estabilização ou mesmo de apreciação do Metical face ao Dólar, num futuro próximo, o que é importante para a actuação dos agentes económicos, sejam estes exportadores, importadores ou investidores no geral.

 

II.III   Mercado Monetário Interbancário

No passado mês de Julho, as taxas directoras continuavam fixadas no mesmo nível, estando a MIMO, a FPD e a FPC situadas a 13,25%, 10,25% e 16,25%, respectivamente, cenário substanciado pela decisão do CPMO do Banco de Moçambique na sua IV Sessão do dia 21.

Dados recentes apontam que o Índice de Robustez Empresarial cresceu apenas em 1% no II Trimestre de 2021, melhorando de 28% para 29%, influenciado pela reanimação da actividade económica nos sectores da agricultura, hotelaria e restauração, comércio e serviços e transportes, devido a alguns alívios verificados no âmbito das restrições impostas pela pandemia da Covid-19 nos meses de Abril e Maio.

Contudo, o Clima Económico Nacional ainda não é muito satisfatório, após os dados mais recentes de Maio referentes a confiança das empresas no desempenho da economia nacional, cuja queda do índice é influenciada, essencialmente, pela redução das perspectivas de emprego, num contexto de escassez de recursos nas instituições públicas, afectando directamente a parte que alimenta o Orçamento do Estado.

 

II.IV  Crédito à economia

Em Junho de 2021, o Crédito à Economia registou uma variação mensal positiva na ordem de 3,68%, depois de 3,77% alcançados no mês anterior. Este registo representa o segundo mês consecutivo de acréscimos desta rúbrica após as quedas e os tímidos aumentos que vinham se registando.

De referir que para o ano de 2021, o nível do Crédito à Economia no mês em análise é, até ao momento, o mais elevado do ano (MZN 271,93 mil milhões) e também dos registos mensais do ano passado (contra os MZN 265,48 mil milhões de Dezembro de 2020). Uma oservação atenta é pertinente para apurar se será o início de uma nova tendência ou se representa meramente uma oscilação do mercado de crédito.

 

III. Mercado de Capitais

Têm estado cotados na Bolsa de Valores de Moçambique (BVM) 57 Valores Mobiliários, dos quais 37 Obrigações de Tesouro, 9 Obrigações Privadas, 11 Acções e 0 Papel Comercial. A Capitalização Bolsista a 04 de Agosto foi de aproximadamente MZN 124,61 mil milhões, 0,02% acima da registada no dia 29 de Julho (MZN 124,58 mil milhões).

 

A taxa de juro média das Obrigações de Tesouro situa-se a 13,05% e das Obrigações Privadas a 14,75%. Das 11 Acções cotadas, as da empresa REVIMO apresentam o maior preço de MZN 12.750,00 e as da empresa 2Business o menor de MZN 1,00 seguindo-se da HCB a MZN 2,30.

 

IV. Mercado das commodities

IV.I Petróleo

Ao contrário do mês de Junho onde se observou uma tedência apreciativa dos preços do petróleo, em Julho, a volatilidade dos preços do petróleo foi mais notável . Embora a tendência geral tenha sido  postiva, registou-se também algumas perdas significativas.

Por conta dos processos de vacinação, a retoma da actividade económica nos países desenvolvidos levou a projecções de um dos maiores períodos de demanda de verão, dos EUA, (de 20 de Junho à 22 de Setembro) por petróleo, que manteve-se em alta, em volta do níveis de 75.84 dólares por barril.

O alastramento da variante Delta do Covid-19 gerou incertezas sobre a forte reabertura da actividade económica   e o anúncio do acordo da OPEP e seus países aliados, no dia 19 de Julho, de aumentarem a produção do petróleo em 400,000 barris por dia, a partir de Agosto de 2021, impôs uma pressão negativa sobre o preço do petróleo, fazendo com que este caísse de 73.50 para 68.50 dólares na segunda quinzena de Julho.

Por fim, o petróleo recuperou as suas perdas, nos últimos dias do mês de Julho. O dados divulgados pela Administração de Informação de Energia (AIE) dos EUA referentes as reservas de estoque do petróleo bruto, no dia 28 de Julho, indicavam uma queda no stock de petróleo, em cerca de 4.1 milhões de barris, na sessão semanal de 19 à 23 de Julho. Esta divulgação representou uma indicação de uma forte demanda por petróleo, abafando assim a especulação de um possível abrandamento na demanda a curto-médio prazo, prevista anteriormente. A situação, serviu de impulso para que o petróleo voltasse a ser transacionado em alta, saindo de níveis de 68.50 para para 76.00 dólares por barril, como estava a ser transacionado no início do mês.

Para uma melhor indicação da direção que o preço do petróleo irá tomar nos meses vindouros, os investidores/especuladores podem monitorar as variações semanais do stock de petróleo em armazenamento, para uma melhor sensibilidade da demanda por este produto.

 

IV.II Ouro

O preço do ouro, em Julho, foi maioritariamente influenciado pelos anúncios dos indicadores macroeconómicos divulgados ao longo do mês. As variações positivas do ouro foram em parte, justificadas pelo anúncio do alto nível de inflação, 5.4%, dos EUA, e os dados insatisfatórios referentes ao mercado laboral (taxa de desemprego alto/não ao nível desejado pelo Fed, alto nível de auxílio-desemprego).  As variações negativas do preço do ouro foram, essencialmente, justificadas pelas perspetivas económicas globais que levaram a apreciação do dólar.

O ouro iniciou o mês em alta ligeira, a ser transacionado em volta dos 1,811.13 dólares por onça, e após isso oscilou num corredor estreito entre 1,825 e 1,790 dólares norte-americanos por onça, fechando o mês em alta, aos níveis de 1,825 dólares por onça.

V. Situação alimentar mundial – Índice de Preço dos Alimentos

O Índice de Preços de Alimentos registou uma média de 123 pontos no mês de Julho de 2021, representando uma queda de 1,30% face ao mês transacto, mas ainda a 31% acima do nível do mesmo período registado no ano passado.

A queda em Julho reflectiu as quedas nos preços de cereais, lacticínios e óleos vegetais que mais do que compensaram a alta nas cotações de carnes e açúcar pelo segundo mês consecutivo. Porém, ainda é um pouco cedo para definir-se uma nova tendência de queda deste Índice pois, as economias podem estar um pouco dormentes devido aos efeitos negativos da pandemia da Covid-19 que voltou a assolar grande parte dos sectores de actividade.

 

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