
Fruticultura, um potencial ainda subaproveitado
Com mais de 27 anos de existência, a Associação Moçambicana dos Fruticultores, FRUTISUL, foi criada para representar os fruticultores, agroindustriais e indivíduos que desenvolvem atividades económicas no sector da fruta. Volvido este tempo, a organização reclama ter conseguido estabelecer a cadeia de valor de fruta (banana, citrinos, litchi e papaia) em Moçambique.
Apesar do enorme potencial existente no país para o desenvolvimento da fruticultura, a contribuição deste sector para economia é baixa. Segundo dados do Inquérito Agrário Intregrado referente a campanha agrícola 2019/20, nas explorações da amostra de 141 dos 161 Distritos predominantemente rurais ao nível do país, foram produzidas 268 301 toneladas de frutas diversas, designadamente: Banana, Papaia, Abacate, Litchi, sendo que destas apenas 32 149 toneladas foram exportadas, excluindo a papaia.
Questionamos a nova Presidente da Frutisul, Marcia Maposse, sobre o facto de, não obstante Moçambique apresentar enormes potencialidades, o sector da fruticultura ainda se confronta com problemas de base na perspectiva de uma realização mais abrangente, estruturada e autossustentável/rentável.
Em resposta, a nova líder da FRUTISUL, enumerou uma série de obstáculos que estão por detrás do fraco aproveitamento das potencialidades do sector, destacando, a ausência de incentivos que permitam a entrada de novos investidores para os diferentes segmentos da cadeia frutícola. O incontornável e recorrente problema do financiamento também foi arrolado. Sobre este aspecto, Marcia Maposse, faz referência a falta capital resultado do deficiente acesso ao financiamento do sector de agricultura no geral e em particular do sector da fruticultura que gera os fluxos de caixa num período relativamente longo (3 a 5 anos) o que requereria linhas especiais.
Mercado externo tem sido a salvação da fruticultura nacional
Dada a limitação do mercado interno na absorção dos produtos do ramo, os mercados internacionais, mormente Sul-Africano, têm desempenhado um papel de relevo na geração de receitas para fruticultores nacionais. Segundo a base de dados da ComTRADE das Nações Unidas sobre comércio internacional, as exportações de frutas comestíveis, frutos secos, casca de citrinos, melões, de Moçambique para a África do Sul foram de 45,53 Milhões de dólares em 2018.
Ainda assim, persistem vários desafios para a exportação de fruta em quantidade e qualidade que satisfaça os padrões internacionais.
Quadro Polótico-Regulador do sector carece de actualização
No rol das problemáticas do desenvolvimento do subsector da fruticultura, a organização representativa do sector privado neste ramo, afirma que a actualização do quadro político-regulador do sector de agricultura no geral e de forma específica para o sector, é pertinente para viabilizar o investimento e manutenção dos já existentes. Mas há mais no que aos constrangimentos concerne, como sejam os casos da deficiente organização de produtores, “para uma melhor estrutura de representação e discussão dos problemas comuns com os diferentes actores chaves com o objectivo de promover as necessárias reformas para o desenvolvimento do sector”, frisou Márcia Maposse.
Fruticultura, parente pobre do sector?
_A agricultura comercial ainda não é uma prioridade, afirma Márcia Maposse Presidente da FRUTISUL
Na conversa que mantivemos com a presidente da FRUTISUL, ficamos com a sensação da prevalência de um sentimento de desamparo institucional a que este subsector está votado. A empresária, afirma que se justifica a percepção de que “somos o parente pobre”, ao mesmo tempo que compreende que “Moçambique tem agricultura como uma base de desenvolvimento, entretanto, tem igualmente registo da fome e a necessidade de minimizar os seus impactos. Esses factos fazem com que na definição das prioridades não se olhe muito para as culturas de rendimento que, muitas das vezes, tem um consumo marginal comparando com as necessidades do consumo do milho e outros. Igualmente, a agricultura comercial ainda não é o foco prioritário embora o governo reconheça a necessidade de promover a agricultura comercial com o objectivo de gerar renda qualificada das famílias pelos empregos criados e bem como divisas resultantes das exportações.
“A agricultura moçambicana é maioritariamente de subsistência e os esforços são quase todos dirigidos para as culturas produzidas para a subsistência das famílias”, clarificou a sua análise.
Instada a apresentar a visão da nova direcção da FRUTISUL relativamente a abordagem dos principais ou mais candentes problemas que afligem o desenvolvimento da fruticultura em Moçambique, a timoneira dos fruticultores nacionais, disse que a actual direção é pela definição de prioridades, exercício que implicará uma seleção rigorosa dos desafios mais importantes com vista a permitir o aumento do volume de investimento no sector através da manutenção dos já existentes e entrada de novos investimentos nos diferentes segmentos da cadeia frutícola .
Baseando-se nos desafios identificados, a actual direcção da FRUTISUL irá definir acções e propostas concretas de actividades a implementar. “Essas propostas já constam do plano estratégico recentemente actualizado”, concluiu.
















