
Imóveis da extinta Correios de Moçambique avaliados em mais de 2 mil milhões de Meticais
_Ao todo são 176 imóveis distribuídos por todo o País que, pela avaliação técnica levada a cabo pela empresa de consultoria Intellica, SA, estão avaliados em 1,1 mil milhões de Meticais.
A informação foi avançada esta quarta-feira, 04/05, pela Comissão liquidatária, um resultado do processo ainda em curso de avaliação do património da empresa.
Embora não seja possível prever o valor efectivo da venda dos imóveis em questão, avançou Raimundo Matule, presidente da Comissão, estima-se que o seu valor de mercado seja o dobro daquilo que foi apurado pela avaliação técnica, isto é, mais de 2 milhões de Meticais.
Sobre a finalidade dos imóveis avaliados, a Comissão revelou que: enquanto alguns ficarão sob a alçada das instituições públicas, outros, deverão ser alineados por meio de concursos públicos. Efectuada a venda, e em conformidade com o decreto n◦ 32/2021 de 31 de Maio que extingue a empresa, parte das receitas será usada para o pagamento das dívidas, incluindo indemnizações aos trabalhadores.

Assim, a venda dos imóveis servirá, basicamente, para o cumprimento das obrigações da empresa com diversos credores, mormente bancos comerciais e outras empresas privadas. São aproximadamente 853,8 milhões de Meticais em dívida, sendo que cerca de 95% (813,4 Milhões) será pago com as receitas provenientes da venda dos imóveis.
Na ocasião, a comissão aproveitou para esclarecer o alvoroço que tem sido propalado na mídia em torno de uma possível “subavaliação” dos imóveis da empresa. Segundo explicou, a avaliação foi feita com base na Lei, por uma empresa “com muita capacidade e perícia”, pelo que, estas percepções só podem derivar de uma má interpretação das informações disponibilizadas que consiste, fundamentalmente, na comparação dos valores fornecidos pela avaliação técnica, destinados a actualização da informação contabilística-financeira da empresa, com os valores de mercado dos imóveis.
Empresa deverá operar com “estrutura minimalista” até o fim da liquidação
A avaliação dos imóveis representa parte de todo um processo de apuração do património da antiga companhia fiscal até a sua liquidação. Enquanto isso, avançou, a empresa vai implementando acções para racionalização dos custos e cumprimento das suas obrigações com os trabalhadores e credores.
Com efeito, e em paralelo com o processo de avaliação, durante os dez meses de trabalhos da Comissão na empresa, foram fixadas as pensões de mais de 230 trabalhadores, cerca de 60% dos elegíveis, e efectuado o pagamento de todas as dívidas com trabalhadores referentes aos exercícios de 2019 e 2020.
De igual modo, e considerado que a extinção foi uma iniciativa da parte do Governo, está programado um processo de pagamento escalonado das indemnizações aos trabalhadores, avaliados em mais de 380 milhões de Meticais, a decorrer a partir de Junho próximo.
Porque o processo de liquidação poderá levar mais algum tempo, provavelmente até o próximo ano, a comissão perspectiva instaurar, até o segundo semestre do ano em curso, uma “estrutura minimalista”, com a contratação, por tempo determinado, de alguns dos actuais trabalhadores, racionalizando os custos e assegurando a sustentabilidade das operações da empresa enquanto decorre o processo de liquidação.
A empresa foi extinta em meados do ano passado, no âmbito da restruturação do sector empresarial do Estado, face a sua crescente insustentabilidade financeira. Resultado da sua incapacidade de adequação/acompanhamento das tendências do mercado, evidenciada pelos enormes resultados negativos operacionais que vinha acumulando anualmente, a empresa estava em uma situação tal que, com a sua receita mensal de aproximadamente 10 milhões de Meticais, não conseguia cobrir nem as despesas com os trabalhadores, pouco mais de 15 milhões de Meticais. (OE)















