
Inflação Abranda Para 6,45% em Agosto, Mas Millennium BIM Antecipa Novas Pressões Sobre os Preços
O Governador Felisberto Navalha anunciou a implementação de uma plataforma de acompanhamento do mercado cambial em tempo real, destinada a corrigir assimetrias de informação e melhorar a transparência das operações. A reforma junta-se ao novo regime de reservas obrigatórias aprovado a 30 de Setembro, que permitirá aos bancos financiar projectos de substituição de importações e expansão das exportações à taxa MIMO acrescida de uma margem máxima de 1,5 pontos percentuais.
- Inflação Homóloga: Taxa desacelerou para 6,45% em Agosto, representando uma redução de 1,03 pontos percentuais relativamente a Julho;
- Variação Mensal: Índice de Preços no Consumidor registou uma queda de 0,28%, com os produtos alimentares a contribuírem para a redução;
- Disparidades Regionais: Cidade de Tete registou inflação homóloga de 10,71%, seguida da província de Inhambane, com 8,32%, e da cidade de Chimoio, com 8,25%;
- Perspectivas Inflacionárias: Millennium BIM identifica riscos associados à energia, alimentos, procura interna e acontecimentos climáticos com impacto na produção agrícola;
- Projecções do FMI: Estimativas citadas pelo banco apontam para inflação de 7,6% em 2026 e 8,2% em 2027;
- Política Monetária: Possibilidade de renovadas pressões inflacionárias poderá limitar o espaço para flexibilização monetária num contexto de crescimento económico fraco.
Inflação Regista Alívio em Agosto Após Pressões Recentes
A inflação em Moçambique registou um abrandamento em Agosto de 2026, com a taxa homóloga a situar-se em 6,45%, menos 1,03 pontos percentuais do que no mês anterior, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), analisados pelo Gabinete de Estudos Económicos do Millennium BIM.
A evolução foi acompanhada por uma variação mensal negativa de 0,28%, traduzindo uma diminuição do nível geral de preços face a Julho.
A inflação média dos últimos 12 meses situou-se, por seu turno, em 5,01%.
Os resultados são apresentados numa nota de análise económica do Millennium BIM, publicada em Outubro, que identifica sinais de moderação dos preços, mas alerta para a persistência de factores capazes de inverter a trajectória recente.
A distinção entre os três indicadores é relevante para interpretar o comportamento da inflação.
A variação mensal de -0,28% indica que o nível geral de preços diminuiu entre Julho e Agosto. A inflação homóloga de 6,45% significa que, apesar dessa redução mensal, os preços permaneciam acima dos níveis observados em Agosto do ano anterior.
Já a inflação média anual de 5,01% reflecte a evolução dos preços ao longo de um período mais alargado, permitindo observar tendências menos influenciadas por oscilações pontuais.
A combinação destes indicadores revela uma desaceleração da inflação em Agosto, embora ainda num contexto de aumento acumulado do custo de vida.
Produtos Alimentares Contribuem Para Redução Mensal dos Preços
A evolução dos preços dos produtos alimentares constituiu um dos principais factores de moderação da inflação durante o mês analisado.
Segundo o Millennium BIM, a categoria dos produtos alimentares apresentou uma contribuição de -0,33 pontos percentuais para a variação mensal do índice geral.
O vestuário contribuiu igualmente para a redução, embora com uma dimensão inferior, correspondente a -0,02 pontos percentuais.
Em sentido contrário, a componente de habitação, água e electricidade apresentou uma contribuição positiva de 0,07 pontos percentuais.
Estes resultados evidenciam movimentos diferenciados entre as principais categorias de consumo.
Os produtos alimentares possuem particular importância na formação da inflação moçambicana, considerando o seu peso no orçamento das famílias e a exposição da produção e distribuição alimentar a factores climáticos, logísticos e sazonais.
A descida dos preços desta categoria em Agosto contribuiu para aliviar a inflação mensal, mas a sustentabilidade deste movimento exige atenção à evolução da oferta agrícola, aos custos de transporte e às condições de abastecimento dos mercados.
A redução mensal dos preços alimentares também não significa necessariamente uma diminuição equivalente do custo de vida ao longo do ano.
Os consumidores continuam a enfrentar os efeitos das subidas acumuladas em períodos anteriores, especialmente quando os rendimentos não acompanham a evolução dos preços.
Tete Regista Inflação de 10,71%, Acima da Média Nacional
A análise do Millennium BIM destaca diferenças importantes na evolução regional dos preços.
A cidade de Tete apresentou a maior inflação homóloga entre os centros de recolha destacados, atingindo 10,71% em Agosto.
Seguiram-se a província de Inhambane, com 8,32%, e a cidade de Chimoio, com 8,25%.
Inflação Homóloga em Agosto de 2026

Fonte: INE, segundo análise do Millennium BIM. Taxas homólogas.
As diferenças entre regiões podem reflectir a composição dos mercados locais, condições de abastecimento, custos logísticos e características específicas da procura e da oferta.
No caso de centros urbanos situados a distâncias consideráveis dos principais pontos de importação e distribuição, os custos de transporte podem representar uma componente importante na formação dos preços finais.
Entretanto, os dados apresentados pelo banco não permitem identificar isoladamente as causas da inflação mais elevada em cada centro de recolha.
A disparidade observada demonstra que a evolução do índice nacional pode ocultar pressões mais intensas sobre o custo de vida em determinadas regiões.
Esta dimensão territorial assume particular relevância na avaliação do poder de compra das famílias, dos custos operacionais das empresas e dos efeitos distributivos da inflação.
Transportes e Alimentação Lideram Contribuições Para a Inflação Acumulada
A análise das contribuições acumuladas evidencia a importância dos transportes e dos produtos alimentares na evolução dos preços.
Os transportes apresentaram uma contribuição acumulada de 2,05 pontos percentuais, seguidos dos produtos alimentares, com 1,52 pontos percentuais.
A habitação, água e electricidade contribuíram com 0,44 pontos percentuais, enquanto os restaurantes e hotéis representaram 0,24 pontos percentuais.
Os transportes exercem uma influência significativa sobre os custos de circulação de pessoas e mercadorias, podendo afectar indirectamente os preços de bens comercializados em diferentes regiões.
Os combustíveis, os serviços logísticos e os custos de manutenção constituem factores relevantes para as empresas de transporte, com repercussões potenciais sobre as cadeias de abastecimento.
Os produtos alimentares, por sua vez, continuam a representar uma fonte estrutural de sensibilidade inflacionária, sobretudo perante oscilações da produção agrícola e constrangimentos de distribuição.
A leitura destes indicadores recomenda distinguir a evolução mensal dos preços da contribuição acumulada das diferentes categorias.
Uma categoria pode apresentar uma redução num determinado mês e continuar a exercer influência significativa sobre a inflação acumulada ao longo do ano.
Energia, Alimentos e Procura Interna Sustentam Riscos Inflacionários
Apesar da desaceleração observada em Agosto, o Millennium BIM antecipa riscos de renovadas pressões inflacionárias no curto e médio prazo.
Entre os factores identificados encontram-se os ajustamentos dos preços internacionais da energia e dos alimentos, a recuperação da procura interna e os potenciais efeitos de acontecimentos climáticos sobre a produção agrícola e a disponibilidade de bens de consumo.
A evolução dos preços internacionais da energia possui implicações directas para Moçambique, considerando a dependência de importações de combustíveis líquidos e a relevância dos custos energéticos para a actividade económica.
A subida dos preços internacionais pode elevar os custos de importação, transporte e produção, criando pressões que se transmitem progressivamente aos preços pagos pelos consumidores.
O mesmo mecanismo pode ocorrer no mercado alimentar, particularmente em produtos cuja oferta doméstica é complementada por importações.
A retoma da procura interna constitui outro factor destacado na análise.
Num cenário de recuperação do consumo e do investimento, o aumento da procura poderá exercer pressão sobre os preços se a capacidade de resposta da produção e da distribuição permanecer limitada.
A intensidade destes efeitos será influenciada pelas condições de oferta, pela disponibilidade de produtos, pelos custos de financiamento e pela evolução dos rendimentos.
Riscos Climáticos Podem Afectar Produção Agrícola e Abastecimento
Os acontecimentos climáticos constituem uma componente importante do cenário inflacionário traçado pelo Millennium BIM.
A exposição de Moçambique a cheias, inundações e outros fenómenos extremos introduz riscos para a produção agrícola, o transporte de mercadorias e o funcionamento dos mercados.
Os choques climáticos podem afectar simultaneamente a quantidade produzida, a qualidade dos produtos, a disponibilidade de infra-estruturas e os custos logísticos.
Em determinadas circunstâncias, a redução da oferta agrícola pode originar aumentos de preços, especialmente quando as dificuldades de abastecimento se concentram em produtos essenciais.
Os riscos ganham relevância adicional perante as preocupações com o fenómeno El Niño e as perspectivas de condições climáticas adversas durante a campanha agrária 2026/27.
A resposta económica a estes riscos envolve medidas de adaptação agrícola, melhoria da irrigação, desenvolvimento de infra-estruturas de armazenagem, reforço das cadeias de abastecimento e maior capacidade de gestão de emergências.
A melhoria da produtividade agrícola e a redução das perdas pós-colheita constituem igualmente instrumentos relevantes para atenuar a volatilidade dos preços alimentares.
Neste contexto, a inflação apresenta uma dimensão associada à capacidade produtiva e à resiliência da economia, com implicações para a articulação entre política monetária, políticas agrícolas e investimento público.
FMI Aponta Para Inflação de 7,6% em 2026 e 8,2% em 2027
O Millennium BIM cita projecções do Fundo Monetário Internacional (FMI) que apontam para uma inflação anual de 7,6% em 2026 e 8,2% em 2027.
Estas estimativas sugerem uma aceleração das pressões inflacionárias relativamente à média anual observada em Agosto.
A trajectória projectada representa um desafio adicional para as autoridades económicas, especialmente num contexto de fraco crescimento da actividade produtiva e de constrangimentos nas contas públicas e externas.
Importa salientar que os valores apresentados correspondem às projecções do FMI reproduzidas na análise do banco, não tendo sido estabelecida, com base neste documento, a data exacta do exercício de previsão ou a eventual existência de revisões posteriores.
O Millennium BIM considera que um cenário de inflação mais elevada poderá condicionar a orientação da política monetária.
A análise é particularmente relevante perante a necessidade de equilibrar os objectivos de estabilidade de preços com a melhoria das condições de financiamento das empresas e das famílias.
Política Monetária Enfrenta Desafio de Conciliar Inflação e Crescimento
A evolução esperada da inflação coloca o Banco de Moçambique perante um quadro de decisões complexo.
Por um lado, o abrandamento dos preços observado em Agosto constitui um sinal favorável para o poder de compra e para a previsibilidade económica.
Por outro, os riscos identificados pelo Millennium BIM sugerem que a trajectória inflacionária poderá sofrer alterações nos próximos meses.
A política monetária enfrenta, neste contexto, a necessidade de preservar a estabilidade de preços sem agravar desnecessariamente os constrangimentos ao investimento e ao financiamento da actividade produtiva.
O cenário adquire particular importância depois das decisões do Comité de Política Monetária de 30 de Setembro, que manteve a taxa MIMO em 9,25% e introduziu incentivos específicos ao financiamento de actividades orientadas para a substituição de importações e o aumento das exportações.
A combinação entre uma taxa directora estável e instrumentos selectivos de incentivo ao crédito procura apoiar o financiamento produtivo, preservando a orientação de prudência monetária.
A possibilidade de novas pressões inflacionárias poderá, contudo, reduzir o espaço disponível para flexibilizações adicionais das condições monetárias.
Será importante acompanhar os próximos indicadores de inflação, a evolução dos preços internacionais da energia e dos alimentos e a resposta da produção nacional às condições climáticas.
A trajectória dos preços constituirá igualmente um elemento relevante para avaliar o poder de compra das famílias, os custos das empresas e as condições de recuperação da economia.
O abrandamento registado em Agosto representa um desenvolvimento favorável na conjuntura de preços, enquanto as perspectivas apresentadas pelo Millennium BIM evidenciam a persistência de riscos para os próximos trimestres. A evolução destes factores será determinante para compreender o comportamento da inflação e as opções de política monetária no final de 2026 e ao longo de 2027.













