LAM ENSAIA REGRESSO AOS ARES EUROPEUS

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Dados parecem indicar que as Linhas Aéreas de Moçambique (LAM) voltarão a voar no espaço aéreo europeu a partir de Março de 2020.

A companhia de bandeira desdobra-se neste momento numa série de acções que lhe permitam um regresso seguro e credível ao exigente espaço aéreo europeu.

Os desafios da LAM, conforme nos deu a perceber o seu Director-geral, João Carlos Pó Jorge, passam pelas incontornáveis certificações, o capital humano e alianças que sejam uma mais-valia.

Volvidos quase sete anos de restrição a empresa Linhas Aéreas de Moçambique (LAM) voltará a voar no espaço aéreo europeu, através de ligações Maputo – Lisboa, com início previsto para finais de Março de 2020. O regresso ao espaço aéreo europeu torna-se possível depois de as Linhas Aéreas de Moçambique terem cumprido todas as exigências de segurança aérea impostas pelos organismos competentes, naquilo que o Director-geral da LAM, João Carlos, classifica “ganho relevante não só para a companhia, mas para o País no seu todo.”

Contudo, esta boa nova, tal como fez saber João Carlos, impõe enormes desafios à companhia moçambicana, concretamente no que tange a aspectos concorrenciais. O gestor-mor da LAM assevera que apesar do mercado europeu ser bastante exigente e competitivo, a companhia que dirige está preparada para voar no “velho continente”, com serviços de alto nível e acessíveis aos passageiros.

Aliás, de acordo com João Carlos, apesar da aprovação nas várias auditorias e certificações, e estando já ultrapassados os problemas técnicos que a impediam de voar para o espaço europeu, existem outros desafios que é preciso ter em conta, nomeadamente, ter um pessoal de cabine qualificado segundo as exigências internacionais, em particular da Agência Europeia para a Segurança da Aviação (AESA), um organismo da União Europeia que visa promover os mais elevados padrões de segurança e protecção ambiental naquela aviação civil.

“Nós queremos ter um pessoal de cabine qualificado nos aviões, e isso exige o cumprimento dos requisitos da AESA, bem como preencher requisitos do operador com quem vamos trabalhar neste segmento”, frisou João Carlos.

João Carlos Po Jorge -Diretor Geral da LAM

João Carlos Po Jorge -Diretor Geral da LAM

Recorde-se que como resultado do empenho da actual administração, a LAM pela sétima vez consecutiva obteve a Certificação de Auditoria de Segurança Operacional num período de dois anos, isto é num período de Outubro de 2018 – Outubro de 2020.

LAM quer voar com as suas próprias asas

O regresso da LAM no espaço aéreo europeu numa primeira fase será com o apoio da portuguesa Hi Fly, uma companhia aérea privada, por sinal a terceira maior companhia de aviação portuguesa, especializada no fretamento de aviões comerciais com tripulação, manutenção e seguro.

Neste âmbito, em conversa com o Diretor-geral sobre o impacto desta parceira para as Linhas Aéreas de Moçambique, deixou claro que esta colaboração será a curto prazo na medida em que a LAM envidará esforço de seguir, a breve trecho, integralmente com seus próprios meios.

“Numa primeira fase nós vamos treinar o nosso pessoal, especialmente ao nível de serviço de cabine e vamos formar com base nos requisitos da Hi Fly, para integrar a tripulação desta companhia. Portanto, a nossa intensão é preparar-nos dentro de um período de um ano e meio para depois tomar controlo da operação na sua totalidade”, revelou o Diretor-geral.

Um outro desafio revelado pela nossa fonte está ligado com a formação de técnicos, incluído pilotos. Para este aspcto em particular, João Carlos disse que a instituição necessita nesta primeira fase para um voo de longo curso de 10 a 12 pilotos, no mínimo.

Parcerias e não concorrência directa

No âmbito do processo de retorno da LAM ao espaço aéreo europeu, muitos se tem questionado sobre como é que a LAM irá ombrear frente a frente com outras grandes companhias, como é o caso da TAP, Qatar Airways.

Sobre esta questão João Carlos respondeu que LAM não encara as outras companhias como necessariamente concorrentes directos, mas sim como parceiros, por forma a oferecer serviços com qualidade e opção de escolha ao passageiro.

“Nós já manifestamos junto da TAP um interesse de cooperação, e a TAP já respondeu. Portanto, nós queremos fazer uma cooperação, nós não queremos entrar em competição directa com a TAP”, vincou João Carlos.

E mais, o Diretor-geral da LAM disse que a existência de várias companhias neste segmento é mais uma valia para os passageiros, dado que com a confluência destas companhias vai aumentar a competitividade do sector.

Por outra, o passageiro terá a possibilidade de ter um bilhete a um preço acessível, terá igualmente a possibilidade de escolher qualquer companhia e voar no dia que pretender.

João Carlos clarificou igualmente que esta situação irá também aumentar o número de passageiros directo. Contudo, o desafio está em oferecer um produto aos clientes com muita qualidade desde a compra do bilhete até a entrega da mala no destino e possivelmente até oferecer transporte limousine e com ligações com intermodal, seja ele ferrovial, que é para oferecer um produto ideal e acessível ao mercado.

Ganhos financeiros serão enormes

Sem revelar os custos em que a companhia incorre para o regresso a Europa, o Diretor-geral das Linhas Aéreas de Moçambique não tem dúvida dos ganhos advindos desta retoma ao mercado europeu. João Carlos não quis revelar o investimento financeiro realizado pela LAM visando o desiderato de voar na europa, mas afiançou que a rota de Lisboa é bastante rentável dado ao elevado número de passageiros na diáspora que é preciso servir.

“O primeiro benefício financeiro ao começar a oferecer este serviço ao longo curso, é que vai alimentar o nosso networking doméstico e regional, principalmente através da classe corporate, um nível que oferece melhores tarifas em linhas aéreas”, disse João Carlos para de seguida acrescentar que o nível corporate irá oferecer um bilhete da origem ao destino, ou seja, Lisboa a Maputo, por exemplo.

Para o nosso entrevistado, este cenário irá propiciar uma grande vantagem, pois vai fortalecer economicamente o mercado doméstico e também regional. Para além destes serviços para europa, a LAM pretende igualmente voar para outros destinos como Joanesburgo, Lisboa, EUA, Canadá e Europa.

Sabe-se também que a LAM prevê ligar São Paulo através de voos operados em parceria com a TAAG, a partir de Luanda, o que está previsto que se inicie em Setembro de 2020.

“Isso vai dar uma robustez económica ao nosso networking existente neste momento. Acreditamos que o voo de Lisboa vai crescer e estaremos a fazer lucros de operação directa Maputo-Lisboa”, disse João Carlos.

A acrescer a este ambiente de perspectivas, o número dois das Linhas Aéreas de Moçambique disse que as expectativas em torno da retoma ao espaço aéreo são enormes e não teve reservas em assumir que esta retoma é um salto maior para a instituição.

“É um ganho para LAM – passa de uma companhia doméstica, regional para uma companhia com networking intercontinental. Naturalmente este é um salto para uma plataforma superior e isso vai agregar valor para Moçambique, bem como a imagem da LAM na Europa”, assegurou João Carlos.

O Gás irá dinamizar o sector aéreo moçambicano

Num outro desenvolvimento, o nosso interlocutor falou dos prováveis ganhos que o sector aéreo moçambicano terá com advento da Indústria do Gás que numa primeira fase irá movimentar, a partir do próximo ano, cerca de 17 mil estrangeiros e seis ou sete mil moçambicanos na fase do pico do projecto.

“O que a LAM está a fazer neste momento é buscar parcerias para responder este grande salto que o transporte aéreo vai dar em Moçambique”, disse João Carlos.

Em última análise e em avaliação ao mercado aéreo nacional, o Director da LAM disse que o mesmo ainda é pequeno, mas demostra grandes potencialidades.

“Este mercado é relativamente pequeno neste momento, ou seja, movimenta cerca de 1 milhão de passageiros por ano e tínhamos aqui três operadores no doméstico, agora temos só dois, a saída deste operador no mercado revela que o mesmo não é tao grande. É um desafio para nós, temos custos fixos muito altos, custos de capitais extremamente altos com investimentos que é preciso fazer, mas eu penso que com este crescimento que vamos ter nos próximos três, quatros anos vamos ganhar robustez na parte de estabilidade operacional”, concluiu João Carlos .

 

Veja a entrevísta a seguir:

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