A STE, Sociedade Nacional de Transporte de Energia (STE), detida em 100% pela Electricidade de Moçambique, responsável pela execução do projecto de construção da Linha de Transporte de Energia Eléctrica, associado ao projecto da Central Térmica de Temane (CTT) 450MW, à base de Gás Natural, na Província de Inhambane, acaba de receber o equipa­mento principal para a instala­ção das três subestações novas cria condições para a viabilização da primeira fase do projecto da “espinha dorsal” do sistema de transporte de energia de alta tensão que vai ligar Maputo e Temane, em Inhambane.

São 38 transformadores, descarregados no Porto de Maputo para o projecto de construção da Linha de Trans­porte de Temane (TIP).

“Em bom rigor, os 38 equipamentos consistem em transformadores de potência de 400/275/110/66kV (22 unidades com capacidades variadas) e reactores (16 unidades de 400kV). É a totalidade de transformadores e reactores previstos no projecto para as subestações de Vilanculos (400/110kV); Chibuto (400/275kV) e Matalane (400/66kV)”, Disse Adriano José em declarações sobre o assunto prestadas ao O.Económico.

O equipamento custou 35 milhões de dólares norte-americanos e dever seguir nos próximos dias para os locais definidos no projecto, ou seja, as três subestações, em Vilankulo, Chibuto e Matalane, bem como a ampliação da subestação de Maputo.

“Este é o equipamento principal e a sua chegada sig­nifica um marco importan­te para o projecto, porque os transformadores são em si as maiores peças individuais que nós temos numa subestação”, acrescentou.

O projecto da linha Temane – Maputo, associado à Central a gás de Temane com capacidade de 450MW, constitui a primeira fase do Projecto de espinha dorsal de transporte de energia Tete-Maputo concessionado à STE, SA, e vai contribuir para a ligação de cerca de um milhão e meio de novos clientes através de projectos complementares de electrificação rural e de reforço das redes urbanas que estão em carteira na EDM.

Referindo-se aos impactos esperados com a infra-estrutura, TIP, Adriano Jonas, disse que a con­clusão desta linha criará condi­ções para a electrificação rural, assim como para potenciar a actividade agrícola e a mineração ao longo do seu trajecto.

Efectivamente, em quantidade, o projecto da linha abre espaço para se injectar cerca de 900MVA de potência a ser produzida em diferentes centrais, sendo que a Central Térmica de Temane, em construção, irá injectar cerca de 450MW nesta linha a partir dos finais de 2024. A capacidade restante na linha permite o desenvolvimento de outras iniciativas de investimento em centrais de produção de energia, que dão corpo à aspiração de Moçambique em alcançar o acesso universal até 2030, impulsionar a industrialização e de se tornar um pólo de geração de energia na SADC, cujas carências são sobejamente conhecidas.

Segundo Adriano Jonas, do ponto de vista de qualidade, o projecto vai permitir o desenvolvimento de redes de distribuição que reforçam a capacidade existente, providenciar fontes alternativas de fornecimento,  aumentando assim a segurança de fornecimento.

Adriano Jonas disse ainda que  a linha Temane-Maputo, vai es­coar energia a ser gerada a par­tir da Central Térmica a Gás de Temane, numa extensão de 563 quilómetros. A sua conclusão está prevista para o final do ano em curso.

O projecto, enquadra-se na Estratégia Nacional de Ener­gia, cuja componente-chave é o desenvolvimento da Espinha Dorsal de Moçambique que consiste na construção de cerca de 1300 quilómetros de linha de alta tensão a 400 Kv entre Tete e Maputo para interligar os sis­temas de energia Norte, Centro e Sul do país e a rede eléctrica da Southen Africa Power Pool (SAPP).

O projecto conta com o fi­nanciamento do Banco Islâmico de Desenvol­vimento, Fundo da OPEC para o Desenvolvimento Interna­cional e o Banco Mundial.