
Países em desenvolvimento criticam meta de financiamento climático da COP29 como insuficiente
A COP29, realizada em Baku, Azerbaijão, terminou com a definição de uma nova meta de financiamento climático: US$ 300 bilhões anuais até 2035. Embora representando um aumento significativo em relação aos compromissos anteriores, o acordo foi criticado por países em desenvolvimento, que o consideram insuficiente para lidar com a magnitude dos desafios impostos pelas mudanças climáticas. Divisões entre países ricos e vulneráveis foram expostas, levantando questões sobre a responsabilidade histórica e o cumprimento das promessas feitas.
O acordo de US$ 300 bilhões: avanço ou ilusão?
O compromisso estabelecido busca triplicar o financiamento climático global, substituindo a meta anterior de US$ 100 bilhões anuais, que foi atingida com atraso em 2022. No entanto, representantes de países em desenvolvimento expressaram descontentamento com a falta de detalhamento sobre como os fundos serão entregues e alocados. “Lamento dizer que este documento não passa de uma ilusão de óptica. Ele não aborda a enormidade do desafio que enfrentamos,” afirmou Chandni Raina, representante da Índia, durante a sessão de encerramento.
Embora o financiamento climático busque apoiar nações vulneráveis, o acordo enfrenta críticas por não abordar de forma clara as etapas para alcançar a transição dos combustíveis fósseis e ampliar a capacidade de energia renovável, conforme prometido em cúpulas anteriores.
Desafios no cumprimento da meta
O financiamento climático tem sido uma questão contenciosa desde o início das negociações. Os países ricos são cobrados por suas emissões históricas de gases de efeito estufa, mas enfrentam orçamentos apertados devido a tensões geopolíticas e crises económicas. Apenas cerca de duas dúzias de países industrializados, como EUA, Canadá e nações europeias, estão obrigados a contribuir. Economias emergentes como China e estados do Golfo, apesar de sua riqueza crescente, não têm a mesma obrigação. Além disso, os países em desenvolvimento criticam os processos burocráticos que dificultam o acesso aos fundos, enquanto alguns projectos enfrentam atrasos e ineficiência na implementação.
Reações e consequências
O acordo foi recebido com aplausos por parte dos delegados, mas muitos representantes de nações insulares e economias africanas deixaram claro que o montante proposto está longe de atender às necessidades urgentes. Tina Stege, enviada climática das Ilhas Marshall, afirmou: “Estamos a sair com uma pequena parcela do financiamento que os países vulneráveis precisam urgentemente. Não é nem de longe o suficiente, mas é um começo.”
As divisões foram ampliadas por questões geopolíticas, com o ex-presidente dos EUA, Donald Trump, a prometer retirar os Estados Unidos do pacto climático, e governos europeus a pressionar a inclusão de contribuições de outros grandes emissores, como a China.
Perspectiva global: Financiamento necessário
De acordo com economistas, para enfrentar efectivamente os desafios climáticos, seria necessário mobilizar US$ 1,3 trilhão anuais até 2035, incluindo recursos públicos e privados. O mercado de créditos de carbono foi apontado como um mecanismo complementar, com potencial de mobilizar bilhões para projectos de energia limpa e reflorestamento.
Entre o alacanco e as expectativas, infere-se que o o acordo da COP29 é um passo importante, mas insuficiente para atender às demandas crescentes de países em desenvolvimento. À medida que a crise climática se intensifica, com projecções de aumento de até 3,1 °C na temperatura global até o final do século, o financiamento climático deve ser ampliado e implementado com maior equidade e eficiência.
A cúpula do próximo ano, na Amazónia, será uma oportunidade crucial para redefinir estratégias e buscar soluções mais concretas. Até lá, o sucesso do financiamento climático dependerá da capacidade dos países desenvolvidos de cumprir suas promessas e construir um modelo mais inclusivo e funcional
Números do acordo
A meta é de US$ 300 bilhões anuais até 2035, enquanto a necessidade estimada é de US$ 1,3 trilhão anuais. Apenas cerca de 24 países industrializados estão obrigados a contribuir, de acordo com os critérios atuais.
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