Sector das “renováveis” augura expansão do mercado nos próximos tempos

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_O futuro é mesmo renovável. Os operadores do sector conjecturam uma rápida expansão do seu mercado nos próximos tempos, com as energias renováveis assumindo um papel central na transformação social e económica do País.

“Sem dúvidas, este é o sector mais dinâmico que temos actualmente”, destacou Ricardo Pereira, Presidente da Associação Moçambicana de Energias Renováveis – AMER, falando ao “O.ECONÓMICO” sobre a conjuntura e as perspectivas sobre a evolução do sector.

Segundo explicou, e à semelhança do que ocorre a escala global, o mercado de energias renováveis no País está actualmente a experimentar uma tendência de crescimento, um movimento impulsionado pela crescente pressão sobre os Governos para o uso de energias mais limpas no contexto da transição energética. “Este é um sector extremamente activo neste momento. Vemos uma mudança e não acho que seja única para Moçambique”, frisou.

Para um sector emergente, as “renováveis” tem atraído muitos investimentos nos últimos tempos, principalmente considerando o seu papel no alcance da meta de acesso universal. No total, avançou, estima-se cerca de 200 a 300 milhões de Euros actualmente disponíveis em investimento para o sector: “Este investimento não estaria disponível se não houvesse bastante dinamismo e as empresas a demonstrarem que têm capacidade”.

“Sendo um sector emergente, é preciso ter em conta que isto apenas irá aumentar”, destacou, para depois explicar que a tendência de expansão do sector irá exigir um maior investimento na formação de uma força de trabalho local especializada para o sector.

Comentando particularmente sobre as oportunidades no âmbito da meta de acesso universal, Ricardo Pereira explicou que: se do lado do Governo o compromisso representa um “desafio tremendo “ que a rede nacional não conseguirá alcançar, do lado das empresas, representa uma grande oportunidade para os operadores do sector: “É um mercado de 68% da população a quem eles podem distribuir os seus sistemas, a quem eles podem tornar clientes. Com todos os incentivos e, agora, cada vez mais, com o ambiente regulatório a proporcionar as ferramentas necessárias para alcançar esse objectivo”. 

Estes desenvolvimentos oferecem, de facto, oportunidades para expansão do sector, entretanto, explicou, ainda prevalecem alguns desafios que, para além de uma maior consciencialização e divulgação do aproveitamento e valorização dos recursos naturais renováveis, incluem o fornecimento de soluções ajustadas ao poder aquisitivo das famílias e a criação de normas de qualidade e certificação para protecção dos consumidores.

“Não se pode esquecer que a grande maioria da nossa população é de baixa renda. E se temos um compromisso de acesso universal, então temos que chegar a eles de maneira eficaz mas de maneira sustentável”, apontou, para depois explicar que soluções ajustadas ao poder aquisitivo das famílias devem ser a aposta para promoção do acesso universal a energia.

Embora reconheça o papel dos incentivos fiscais na melhoria da acessibilidade dos produtos e serviços do sector, explica que os mesmos devem ser fundamentados por evidências capazes de orientar os tomadores de decisão para uma acção acertada sobre o assunto, um trabalho que já está sendo levado a cabo pela Associação: “É preciso recolher evidências que demonstrem que a isenção de impostos para os produtos de energias renováveis terá, obviamente, um impacto nos cofres de Estado, mas terá um impacto também não só no acesso universal mas também nas receitas que o Estado pode vir a receber”, ajustou.

AMER firma parcerias e consolida seu posicionamento na advocacia do sector

Falando sobre o papel da AMER na dinamização das “renováveis” no País, Ricardo Pereira explicou que a Associação tem actuado como interlocutora do sector junto dos órgãos de decisão política, funcionando como a voz comum dos operadores e promovendo a sua coordenação: “A AMER não é nada sem os seus membros. Quando nos dizem a AMER é muito activa, eu acho que é uma reflexão das empresas que são nossos membros e estão neste sector”, destacou.

Nesta perspectiva, a AMER tem desenvolvido várias parcerias visando a consolidação de uma interlocução mais estruturada com o Governo: “Hoje em dia temos uma rede pan-africana de associações das energias renováveis a que a AMER está ligada”, destacou.

Com efeito, mais recentemente, e objectivando a criação de uma melhor estratégia de política e advocacia das renováveis no País, a Associação estabeleceu mais duas parcerias, passando coordenar com African Enterprise Challenge Fund -AECF, um fundo pan-africano que gere quase meio bilhão de dólares na África Subsaariana e investe em mais de 26 países em empresas que estão no sector das energias renováveis e da agricultura, e a Associação para Iluminação Fora da Rede – GOGLA, uma associação internacional com representação considerável em África, com mais de 250 membros na indústria.

Na sua capacidade de partilha de conhecimento e advocacia, os parceiros vão ajudar a AMER a estabelecer a sua estratégia de política e advocacia, avançou, “esta estratégia vai permitir que a AMER tenha um plano que é reconhecido pelos seus membros para interagir com quem toma as decisões mas também divulgar ao máximo possível todo trabalho que está sendo feito e que é importante fazer em torno da advocacia [do sector] ”, ajustou. (OE)

Acompanhe a entrevista na íntegra:

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