Sector privado augura retoma rápida e consistente do turismo

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O ambiente cada vez menos restritivo, proporcionado pelo recente alívio das medidas decretadas no âmbito da contenção da pandemia da Covid-19 está a gerar um sentimento optimista ao nível dos operadores dos operadores turísticos, descortinando uma retoma rápida do sector que vem acumulando prejuízos desde a eclosão da crise em 2020.

Com efeito, segundo dados de um estudo da Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA), o sector, que lidera o grupo dos mais afectados pelos impactos da COVID-19, registou perdas diárias de facturação estimadas em 98% logo nos três primeiros meses de 2020, sendo que cerca de 75% das empresas do sector optou pela suspensão das actividades e dos contratos de trabalho com a massa laboral, colocando em risco mais de 72% dos postos de emprego.

“As medidas vieram estabelecer uma certa normalidade, criando condições para uma recuperação do sector”, destacou Muhammad Abdullah, Presidente do Pelouro do Turismo da CTA, falando ao O.ECONÓMICO sobre as perspectivas existentes em torno do processo de recuperação do sector.

Para o sector privado, o recente relaxamento das medidas, mais precisamente o fim do recolher obrigatório, o aumento das presenças físicas nos eventos e o alargamento do horário de abertura das praias, proporciona um ambiente mais favorável ao sector, constituindo um “indicativo” da melhoria da situação e existência de condições para a retoma do sector: “tudo isto dá o poder de mobilidade ao mercado, e a partir do momento em que temos mobilidade, sem dúvidas, o turismo começa a fluir com mais robustez”, referiu.

Comentando sobre o actual quadro de medidas e o seu impacto na retoma do sector, Muhammad Abdullah explica que, embora um levantamento completo das medidas tenha o potencial de ser mais benéfico para o sector, tendo em conta a situação actual de prevalência da crise, as medidas decretadas são satisfatórias para a retoma do sector: “Nós sempre queremos mais. Tudo aquilo que for relaxamento nas medidas de mobilidade é benéfico para o sector”.

As perspectivas são marcadamente optimistas entre os operadores turísticos e fundamentam-se não só no relaxamento das medidas restritivas e progressos na contenção da pandemia como também na viabilidade e sustentabilidade que o sector apresenta no país: “o turismo é dos sectores mais sustentáveis que podemos ter em Moçambique. O turismo regenera-se por si”, portanto, “na medida que auguramos sair desta situação de pandemia e entrar numa endemia a nível mundial, penso que os investimentos e a retoma no sector será rápida”, vincou.

É sobre este quadro, fundamentalmente optimista, que o sector tem vindo a levar a cabo um conjunto de iniciativas visando apoiar a recuperação e acelerar o processo de retoma do sector. “Tem sido feito um trabalho junto das instituições e do Governo em si para criação de mecanismos de incentivo e apoio não só a retoma do sector mas também no sentido de atrair o investimento internacional e interno”.

Questionado sobre as ideias existentes para aumentar a atractividade do pacote turístico nacional, Abdullah destacou quatro principais pontos no topo da agenda do sector privado que deverão merecer atenção nos próximos tempos, incluindo o visto online, a promoção do potencial turístico do país, atracção de investimentos e dinamização do turismo doméstico.

O visto online está entre as principais apostas do sector privado para aumentar a competitividade do produto turístico nacional, sendo entendido como algo que irá “catapultar o crescimento do turismo em Moçambique”.    

“O primeiro ponto em que vamos nos focar nos próximos tempos é o visto online. Sabemos que ao nível do Governo está muito adiantado, queremos agora retomar este diálogo para vermos o que é preciso da parte do sector privado  para que isto materialize-se na medida do mais breve”, explicou.

De igual modo, o País deve apostar mais na promoção do seu produto turístico ao nível das plataformas digitais. “Nós sabemos que estamos numa era digital, portanto, temos isto como um ponto muito pertinente e importante na nossa agenda: começar a publicitar Moçambique nas plataformas digitais”.

As plataformas digitais não são os únicos meios que estão a ser considerados para a divulgação do potencial turístico do país, a criação de um centro de convenções para atracção de grandes eventos/conferências deverá, igualmente, jogar um papel crucial na prossecução desse desiderato: “a partir do momento em que temos um centro focado em divulgar Moçambique como um País como potencial de receber este tipo de conferências, irá de certa forma fazer crescer de forma significativa o nosso sector”, destacou.

Relativamente ao papel do turismo doméstico, Abdullah defende que o mesmo deve ser usado como um instrumento para atrair turistas internacionais, é por esta razão  que o sector tem estado a intensificar a criação de pacotes domésticos para o turista nacional poder ter algum tipo de “incentivo e facilidade” em fazer turismo em Moçambique: “Sabemos que o turismo em Moçambique ainda é carro, mas também sabemos quais são a razões e o que tem que ser feito”, ajustou. (OE)

Acompanhe a entrevista na íntegra:

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