Análise retrospectiva semanal– 01 a 05 de Maio de 2023
Mercado Cambial Doméstico
O metical voltou a manter-se estável face ao dólar norte-americano, em 63.88 meticais por um dólar.
Face as restantes principais contrapartes, o metical depreciou de 79.56 para 80.38 face a libra esterlina, e apreciou de 70.46 para 70.20 face ao euro, e de 3.53 para 3.47 face ao rand sul-africano, do inicio da sessão semanal passada ao fecho da sessão semanal em análise.
Em relação as operações cambiais, USD/MZN, entre os bancos comerciais e o
público, estas tornaram a registar uma variação média semanal positiva. Em
outras palavras, em relação os fluxos ocorridos referentes ao câmbio USD/MZN,
na semana em análise, os bancos comerciais conseguiram satisfazer a procura dos
clientes por dólares, nosso mercado, deixando ainda um excedente, o que em
volta, suportam a estabilidade do metical face ao dólar, uma vez que não se
registou escassez de dólares para satisfazer a sua procura.
Mercado Cambial Internacional
Os cortes de energia intermitentes na África do Sul, por conta da falta de fornecimento confiável de electricidade no País prevalece, e esta condição vai deteriorando a capacidade de produção à medida que esta condição prevalece. Esta situação voltou a pesar negativamente sobre o Rand na semana em análise, de tal modo que a divisa sul africana depreciou face ao Metical, e voltou a depreciar face ao dólar. O Rand depreciou de 18.09 no inicio da sessão semanal anterior, para 18.40 no final da sessão semanal em análise, tendo atingindo o seu ponto mais baixo na terça-feira logo após o feriado, em volta do nível de 18.50 rands por um dólar.
Perspetiva-se que activos de risco, incluído moedas de países emergentes e vinculadas a commodities mantenham-se em baixa nas semanas vindouras. O facto fica a dever-se a aversão ao risco por parte dos agentes de mercado, por conta do aumento das perspectivas de uma possível iminente recessão em muitos países. O aumento das perspectivas de uma possível recessão em muitos países dá-se a medida que muitos bancos centrais vão tentando, agressivamente, conter o alto nível de inflação em seus países, condicionando assim o crescimento económico. Para colocar as coisas em perspetiva, o Fed e o BCE incrementaram as suas taxas de juros directoras para 5.25% e 3.75%, respectivamente. Ambos bancos centrais incrementaram as suas taxas em 25 pontos base. Estes níveis de taxas de juros são níveis historicamente altos para estas duas economias. Para além disto, a dimensão em termos do nível e períodos de tempo com que estas taxas têm estado a ser aumentadas tem sido, relativamente, acelerada o que faz com que alguns agentes de mercado temam que estes aumentos nas taxas de juros tenham efeitos adversos. Em outras palavras, levem as economias destes países de um ponto de alto nível de preços para contração da economia por um período igual ou superior a dois Trimestres, em 2023.
Um outro factor que tem estado a reforçar o sentimento de aversão ao risco no mercado, é o enfraquecimento continuo do sector bancário nos EUA, agora, com o colapso de um banco comercial e provedor de serviços de gestão de património, o First Republic Bank, que era maior que o Silicon Valley Bank (SVB), este que por sua vez colapsou em Março. Estas fragilidades no sector bancário não são bons sinais, pelo contrario, indicam o inicio de tempos turbulentos caracterizados por muitos riscos e incertezas, que podem vir a ter consequências devastadoras para o sector bancário e economia global, se medidas não forem tomadas a tempo para prevenir o colapso de mais bancos.
Em volta, estes acontecimentos fazem com os investidores realoquem seus fundos em ativos de menor risco, em ativos considerados portos seguros, como o ouro, obrigações (do tesouro) ao invés de ações, moedas não vinculadas a commodities e por ai fora. Sendo o Rand uma moeda de um País emergente e vinculada a commodities, ou seja, um atcivo de risco, poderá continuar a sofrer perdas até que voltem momentos de maior estabilidade no mercado internacional e no próprio mercado sul africano.
Commodities
Petróleo & Gás
O petróleo bruto Brent foi transacionado em baixa, tendo esta commodity depreciado de US$ 81.67/barril, no início da sessão semanal anterior, para US$ 75.30 no fecho da semana em análise.Em relação ao gás natural, esta commodity é um combustível fóssil que se forma abaixo da superfície da terra, usado como combustível e para fabricar materiais e produtos químicos tal como o petróleo bruto. Muitas vezes, o gás natural é um subproduto de perfuração do petróleo bruto. É por conta disto, que por vezes, os preços do gás natural e do petróleo bruto estão positivamente correlacionados, em outras palavras, movem-se junto seguindo a mesma tendência, embora geralmente se movem em resposta a diferentes forças fundamentais.
Entretanto, à semelhança do petróleo bruto, o gás natural foi transacionado em baixa no período em análise, com uma tendência similar a do petróleo bruto. O gás natural depreciou de USD$2.40/MMBtu no inicio da sessão semanal anterior, para US$2.14/MMBtu no fecho da sessão semanal em análise.
Os preços do gás natural continuam a ser transacionados em baixa por conta dos altos níveis de estoque em meio de uma tímida procura por esta commodity. Os preços do gás têm sido transacionados em baixa, desde o início do no, em níveis abaixo dos US$ 4/MMBtu, com uma, até então, área de suporte em volta dos US$ 2.00/MMBtu.
Contudo, ambas as commodities (o petróleo bruto e o gás natural) mostraram sinais de recuperação na quinta-feira, 4/05, após o anuncio de resultados melhores que antecipados, em relação a quantidade de estoques em armazenamento de ambasas commodities, da semana anterior para a semana em análise (a quantidade de estoque em armazenamento caíram mais do que previsto).Carvão
Perspectiva-se que os preços do carvão caiam no ano corrente, 2023. O esperado aumento
na demanda da China provavelmente será contrabalançado por uma mais enfraquecida demanda nos outros países importadores do carvão, à medida que as empresas concessionárias divergem para alternativas de fontes de energia mais limpas, como o gás natural, que neste momento existe em volumes avultados de estoques em armazenamento. Neste cenário, muitos produtores de carvão poderão optar por usar os seus actuais lucros para fortalecer as suas posições financeiras e recompensar os seus accionistas com um maior dividendo, ao invés de reinvestirem na capacidade de produção do carvão, neste momento.
Não obstante, as exportações de alguns grandes exportadores desta commodity, como a Austrália, Indonésia, e Moçambique poderão aumentar, sobretudo exportações do carvão metalúrgico, no caso de Moçambique, este que é usado, maioritariamente, para produção do aço. Um outro factor que pode impulsionar e/ou manter em alta as exportações do carvão dos países supracitados, é o facto de as actuais condições restritivas de política monetária poder condicionar a capacidade de produção ou aumento da produção desta commodity em muitos outros países. No caso de Moçambique, especificamente, para além de existirem desenvolvimentos no sistema logístico nas minas de carvão, os preços do carvão do País têm sido, historicamente, mais baixos, em relação aos preços do carvão mineral da Austrália, (o segundo maior exportador mundial, a seguir a Indonésia), apesar de não haver uma significativa distinção nos graus de qualidades entre o carvão dos dois países. Portanto, a capacidade que Moçambique tem em comercializar o seu carvão a um preço, relativamente, mais baixo é, discutivelmente, um factor chave para manutenção de um nível saudável das exportações do País.
No I Trimestre do ano, Moçambique registou uma queda de cerca 35% nos preços do carvão térmico que o país exporta, seguindo a tendência depreciativa global desta commodity. Ainda assim, em termos reais, os preços do carvão permanecem perto dos níveis elevados, em relação ao período pré-pandemia, perto dos níveis mais altos, registados no ano passado, 2022, conforme ilustra o gráfico abaixo.
Mercado de Capitais
BVM – aos 05 de Abril de 2023
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