
Turismo sufocado em Moçambique
Morosidade na concessão dos vistos turísticos condiciona o desenvolvimento do sector turístico em Moçambique, avança Rui Monteiro, Presidente do Pelouro da Cultura e Turismo da CTA. Para além disso, outros aspectos que minam o sector tem que ver com as passagens áreas que recentemente sofreram um reajuste na LAM, a companhia de bandeira nacional, e a aprovação da Taxa Municipal do Turista na cidade de Pemba, que vai encarecer em cerca de 500 meticais (o equivalente a 7 euros) a estadia por cada turista que pretende visitar essa cidade da província de Cabo Delgado a partir de 2020.
O relatório sobre hospitalidade da plataforma africana de viagens Jumia, que reporta ao ano de 2018, revela que Moçambique, Guiné-Bissau, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe estão entre os 20 países africanos que mais facilitaram a entrada de turistas em 2018. Como menos restritivos em matéria de vistos turísticos estão as Maurícias, o Benim e o Ruanda.
A par dessa questão, Rui Monteiro, refere que a posição ocupada por Moçambique não é aconchegante, demandando a necessidade de maior celeridade na concessão dos vistos de turismo de modo a aproximar cada vez mais o serviço aos turistas. A título de exemplo, o homem da Cultura e Turismo na CTA avança que se é moroso o processo de aquisição de vistos para uma pessoa, um cruzeiro com 1500 pessoas é quase impossível.
Os dados apontam ainda que as viagens e o turismo contribuíram com 8,5% do PIB de África, o equivalente a USD 196,2 mil milhões. Em resultado da entrada de 67 milhões de turistas internacionais em 2018, sendo que o Marrocos e a África do Sul foram os principais destinos, com cerca de 11 e 10 milhões de chegadas anuais, respectivamente.
Por conseguinte, o nosso interlocutor sublinhou que existem alguns problemas que assolam o sector, tais como: a falta de infraestruturas apropriadas (energia, fornecimento de água, etc.), a segurança, poucas estâncias turísticas de alta qualidade, pouca mão-de-obra qualificada no sector, lacunas em competências e conhecimentos nas instituições do sector público aos níveis central e provincial do turismo e fraca cooperação entre os sectores público e privado.
Portanto, Monteiro considera que todas estas bases para o desenvolvimento têm que lá estar para poder desenvolver a indústria do turismo, tendo frisado a necessidade de união de sinergias entre os diferentes intervenientes para reforçar a contribuição do turismo no país assim como a necessidade de requalificação e desenvolvimento dos pólos turísticos.
Estando ciente de que o ordenamento territorial também constitui um dos obstáculos para o desenvolvimento do turismo em Moçambique, o Governo escolheu alguns destinos turísticos para serem requalificados e a Baixa da Cidade de Maputo será pioneira. Tencionando-se abranger outros destinos como a faixa de Vilankulo e Inhassoro, incluindo o Arquipélago de Bazaruto; o Parque Nacional da Gorongosa, associado à Reserva Nacional de Chimanimani; o Arquipélago das Quirimbas; o Lago Niassa e a Reserva do Niassa.
Pemba aprova taxa equivalente a 7 euros para turistas

Vila Turística de Ibo
De acordo com a DW, o instrumento aprovado pela Assembleia Autárquica na sua última sessão de 2019 impõe o pagamento de 500 meticais (o equivalente a 7 euros) por cada turista, nacional ou estrangeiro, logo no momento do check-in ou check-out em estâncias hoteleiras.
A edilidade justificou a medida com a necessidade de aumentar a coleta de receitas para o seu funcionamento. A ideia não reuniu consenso mesmo entre os membros das bancadas da Assembleia Autárquica, que na ocasião pediram a sua devolução para aprimoramento das formas de operacionalização.
O vereador das actividades Económicas no Conselho Autárquico de Pemba, a quem coube a apresentação da ideia aos membros da Assembleia Autárquica, pediu a viabilização da proposta remetendo o respectivo aperfeiçoamento para os próximos tempos: “Temos de trabalhar todos juntos para termos o Conselho Municipal robusto em termos financeiros e cumprirmos os nossos anseios”, referiu o vereador citado pela mesma fonte.
No entanto, o argumento não caiu bem no seio dos operadores turísticos locais que consideram a medida inoportuna. Estes lembram que diversos acontecimentos, como a passagem do ciclone Kenneth e a insurgência na região já têm estado a contribuir para a redução significativa do movimento turístico na cidade. E a entrada em vigor da taxa representa um peso no bolso dos visitantes, o que poderá mais uma vez prejudicar o seu negócio.
Importa salientar que a procura por produtos e serviços turísticos é maior no verão do que no inverno, particularmente nos meses de Outubro, Novembro e Dezembro, sendo este último mês em que se regista o pico. Assim, segundo os dados estatísticos do Turismo 2018 a que O.Económico teve acesso, o último trimestre, época de maior fluxo, foi responsável por 27.69% das dormidas do ano 2018 e 10.3% ocorreram em Dezembro. No período homólogo de 2017, registou-se no último trimestre 30.65% e uma cifra de 12.34% em Dezembro de 2017, evidenciando uma queda em torno de 2-3 pontos percentuais quando comparado com 2018.
















