
Fraude Empresarial em Moçambique: 72% das Empresas Não Usam Tecnologia Para Detectar Crime Financeiro
Primeira edição do Fraud Risk Management Survey 2025 da Deloitte revela um ecossistema empresarial exposto a esquemas de fraude, cultura ética débil, controlos insuficientes e baixa adopção de tecnologia, num estudo conduzido entre Dezembro de 2024 e Março de 2025.
- Estudo realizado entre Dezembro de 2024 e Março de 2025;
- 88% das empresas reportam fraude em meios de pagamento;
- Suborno/corrupção continua a ser a prática antiética mais prevalente (84%);
- 72% das empresas não usam tecnologia para detectar crime financeiro;
- Fraude interna afecta 60% das empresas;
- Falta de cultura ética e controlos internos frágeis identificados como causas centrais;
- Deloitte conclui que IA e automação serão determinantes no futuro da integridade corporativa.
A Deloitte apresentou em Maputo a primeira edição do Fraud Risk Management Survey 2025, estudo desenvolvido entre Dezembro de 2024 e Março de 2025, que expõe vulnerabilidades profundas na integridade corporativa em Moçambique. Segundo o relatório, grande parte das empresas registou casos de fraude nos últimos 24 meses, mas a maioria ainda opera sem tecnologia capaz de detectar ou prevenir comportamentos suspeitos.
Fraude Interna Permanece Generalizada e Persistente
O relatório mostra que 60% das empresas registaram casos de fraude interna no período analisado. O esquema mais frequente — identificado por 88% — é o conluio em fraudes de meios de pagamento.
No capítulo de conclusões, a Deloitte reforça que estes números indicam “baixa maturidade dos sistemas de controlo interno”, criando um ambiente propício a desvios e manipulação de registos.
Práticas Antiéticas: Suborno e Corrupção Ainda no Topo
O estudo é claro: 84% das empresas identificam suborno e corrupção como as práticas não éticas mais comuns, seguidas de fraude no procurement, conflito de interesses e branqueamento de capitais.
A Deloitte conclui que “a cultura ética não está suficientemente enraizada nas organizações”, tornando a corrupção estruturalmente resistente.
Canais de Denúncia: Existentes, Mas Não Funcionam
Apesar de 70% das empresas possuírem canais de denúncia anónima, estes não são eficazes devido ao “receio generalizado de retaliação”, como refere o relatório.
O documento sublinha que “a eficácia depende de confiança institucional, não apenas de mecanismos formais”.
Tecnologia: O Maior Buraco na Defesa Corporativa
O estudo revela que 72% das empresas não usam tecnologia para detectar crime financeiro — uma das conclusões mais alarmantes.
O relatório classifica esta falha como “um dos riscos mais significativos no ecossistema corporativo moçambicano”.
Ainda assim, 49% pretendem investir em monitorização de transacções em tempo real e 26% em soluções de machine learning para detectar anomalias.
GenAI e Automação: O Caminho das Próximas Reformas Internas
A Deloitte aponta que a inteligência artificial generativa (GenAI) representa uma das maiores oportunidades para melhorar a detecção de fraude, mas apenas 7% das empresas a utilizam actualmente.
O relatório conclui que “a adopção de IA e automação será determinante para mitigar riscos emergentes”, alertando para a necessidade de investimentos urgentes em tecnologia.
Impacto Real da Fraude: Financeiro, Reputacional e Legal
Entre as empresas afectadas, 87% reportam impacto financeiro, 33% impacto reputacional e 20% impacto legal.
O relatório não deixa margem para dúvidas: “o impacto financeiro da fraude é substancial e recorrente”.
Reforço do Compliance e Da Cultura de Integridade
Apesar de medidas como auditorias (81%) e formações internas (60%), o estudo indica que estas acções isoladas não chegam para proteger as organizações.
Vera Pita afirma no relatório:
“É fundamental que as organizações adoptem mecanismos robustos de prevenção e detecção de práticas não éticas.”
Inácio Neves acrescenta:
“O estudo ajuda as organizações a implementar melhores práticas e reforçar a capacidade de gestão de risco.”
Integridade Corporativa Como Fator de Competitividade
Os resultados indicam que Moçambique enfrenta um desafio estrutural na construção de sistemas robustos de integridade. A combinação entre cultura ética frágil, controlos internos limitados, ausência de tecnologia e elevada exposição a fraude coloca a integridade corporativa no centro da agenda empresarial.
A forma como empresas e reguladores responderem às conclusões deste estudo — o primeiro do género no país — será determinante para o fortalecimento da confiança, a protecção dos activos e a competitividade no ambiente económico dos próximos anos.
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